Após boatos de conspiração, Maia diz que Temer deve se livrar de denúncia

Presidente da Câmara reiterou lealdade ao peemedebista e assegurou que há “base grande” para barrar processo 

Rodrigo Maia durante coletiva | Foto: Antônio Augusto/ Agência Câmara

Após boatos de que conspira para assumir o governo, o presidente da Câmara Federal, Rodrigo Maia (DEM-RJ), se recusou, na última quinta-feira (6/7), a comentar uma suposta ascensão ao posto mais alto da República.

Em entrevista coletiva em Buenos Aires, na Argentina, o deputado (que é o primeiro na linha sucessória) se disse leal e preferiu não falar sobre uma eventual aprovação da denúncia contra Michel Temer (PMDB) — o que afastaria o peemedebista por 180 dias. “Acho que o passo seguinte não deve ser avaliado, a não ser que ocorra”, sentenciou.

No entanto, o deputado defendeu que o plenário defina rapidamente se aceita ou não o processo por corrupção passiva apresentado pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, ao Supremo Tribunal Federal (STF).

“Minha vontade é encerrar este assunto assim que sair da Comissão de Constituição e Justiça. O Brasil não pode ficar parado com o parecer da CCJ até o mês de agosto. O momento, independente do resultado da votação, é difícil”, reconheceu.

Há a possibilidade de a CCJ só concluir o trabalho no dia 17 de julho, um dia antes do início do recesso parlamentar. Neste caso, a votação ficará para a primeira semana de agosto, a não ser que o recesso seja suspenso e o plenário aceite votar o parecer.

Procedimento

Segundo a Constituição, em caso da acusação por crime comum, como corrupção passiva, o julgamento do presidente da República cabe ao STF, mas o processo só pode ser aberto se houver autorização do Plenário da Câmara – é necessário o apoio de pelo menos dois terços dos parlamentares (342 votos).

Se a autorização for aprovada pelo plenário, Temer será afastado do cargo por 180 dias, período em que Maia teria de ocupar interinamente a Presidência da República.

“Para que a gente possa colaborar com a democracia e a estabilidade no Brasil, essa é uma análise que não acho prudente. O presidente Temer tem uma base de apoio grande. Claro que não é uma votação fácil, mas a probabilidade maior é que ele vença essa denúncia. Acho que o passo seguinte não deve ser avaliado, a não ser que ocorra”, completou o parlamentar.

O negou que tenha saído do Brasil para evitar assumir internamente a Presidência da República, já que Temer também está fora do País – viajou para a Alemanha e participa de reunião do G-20, grupo formado pelas 19 maiores economias do mundo mais a União Europeia. “Tenho o maior orgulho de sentar na cadeira da Presidência da República em qualquer momento”, disse.

Maia disse que deve a Temer o fato de hoje ocupar a presidência da Câmara. “Eu sei reconhecer aqueles que me colocaram na posição em que estou, e o presidente Temer foi fundamental na minha segunda eleição”, disse. Segundo Maia, seu papel agora é “liderar as reformas” no Congresso e ser “árbitro” nas denúncias. (As informações são da Agência Câmara)

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