Após aumento de casos de dengue, Goiânia decreta emergência na saúde pública

Só no primeiro trimestre do ano foram registrados mais de 22,5 mil casos da doença na capital goiana

A Prefeitura de Goiânia decretou situação de emergência em saúde pública em razão da escalada do número de casos de dengue. A cidade é a capital brasileira com o mais casos notificados, conforme boletim do Ministério da Saúde, inclusive com “elevado número de casos graves e aumento de óbitos”.

De acordo com dados da Secretaria Municipal de Saúde (SMS) da Capital, houve aumento de 1.562% nos casos notificados da doença em relação ao mesmo período do ano passado, o que a gestão de Goiânia considerou como “situação anormal”.

O decreto permite ao município comprar materiais e insumos de forma mais rápida e contratar servidores temporários para ajudar no combate combate ao mosquito, no que considerou uma “situação anormal”. Segundo a SMS, somente neste ano foram notificados 22.575 casos de dengue, sendo 35 considerados graves e três mortes.

Todas as regiões de Goiânia têm alto risco da doença, com a maior concentração dos casos nas regiões Noroeste e Sudoeste, com 2,6 mil e 2,3 mil, respectivamente. Ainda segundo a pasta, além dos casos graves e mortes, outras 18 são investigadas.

“A Secretaria Municipal de Saúde verificou, ainda, que no primeiro trimestre de 2022 a taxa de positividade para dengue superou o percentual de 87%, o que corresponde a 6.856 amostras testadas, sendo 5.996 positivas”, destacou a SMS.

De acordo com Izaías Ferreira, do Departamento de Zoonoses, são atitudes simples que controlam a proliferação do mosquito. “Orientamos sempre que as pessoas devem manter limpos os ralos, calhas, piscinas e caixas d’água, além de não deixar água nos pratinhos das plantas e retirar do quintal tudo que possa acumular água. Bastam alguns minutinhos por dia para que os criadouros sejam eliminados”, enfatiza.

A Secretaria de Estado da Saúde de Goiás (SES-GO) alerta os municípios goianos para o controle ambiental e químico de combate à proliferação do mosquito Aedes aegipty, transmissor da dengue, zika e chikungunya, doenças chamadas de arboviroses e endêmicas em Goiás e toda a Região Centro-Oeste. Com o início do período chuvoso, o mosquito se reproduz com maior facilidade e o número de casos tende a aumentar.

“É importante que os gestores municipais priorizem ações de controle sanitário, como a limpeza urbana, a fiscalização de pontos estratégicos, como borracharias e ferro-velhos, visitas dos agentes de saúde aos domicílios e aplicação de fumacê nos locais específicos. Essas rotinas têm que ser intensificadas diante do possível aumento de casos nesse período”, explica a superintendente de Vigilância em Saúde, Flúvia Amorim.

Caso de grande repercussão

Conforme noticiado pelo Jornal Opção, o último caso de grande repercussão envolvendo caso de dengue ocorreu com o padre João de Bona Filho, de 70 anos, que morreu depois de três dias de internação na capital goiana. O religioso fazia parte da Paróquia Nossa Senhora da Rosa Mística, uma das mais tradicionais da cidade.

Conforme as publicação, o padre foi internado na quarta-feira, 13, com dengue, mas teve uma piora no quadro e foi para a unidade de terapia intensiva (UTI). Ele estava em estado grave, com as funções renais comprometidas, chegou a fazer hemodiálise, mas não resistiu. O corpo de João de Bona filho foi sepultado no domingo, 17.

Nas redes sociais, fieis e conhecidos do padre lamentaram a morte dele por meio de publicações e comentários.

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