Após ataques racistas, machistas e políticos presidente da UNE recebe apoio em massa

Bruna Brelaz (PC do B), 26 anos, foi vítima de ameaças e ataques racistas e machistas nos últimos dias nas redes sociais

Presidente da União Nacional dos Estudantes, Bruna Brelaz | Foto: Divulgação/UNE

A primeira mulher negra e do Norte do país a ser presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE), Bruna Brelaz (PC do B), 26 anos, foi vítima de ameaças e ataques racistas e machistas nos últimos dias. Ela se tornou alvo de uma nova série de ataques nas redes sociais após apontar justamente a existência de uma rede de ódio na esquerda em entrevista à Folha de S. Paulo. Mas, em contrapartida ela recebeu também mensagens e notas de apoio de diversos políticos e entidades.

Na entrevista à Folha de S. Paulo, Brelaz falou sobre seu diálogo com representantes da direita, como FHC (PSDB) e MBL (Movimento Brasil Livre), pela construção de uma frente ampla que viabilize o impeachment de Jair Bolsonaro, algo que ela considera prioritário para o país. Por causa desses encontros, registrados em suas redes, ela foi chamada de fascista e nazista por setores da esquerda.

Desde então, Brelaz foi alvo de uma nova série de ataques, que incluem ameaças, incitação à agressão física, racismo, machismo e termos de conotação sexual.

Manifestações de apoio

Na quarta-feira (20), Brelaz afirmou à Folha de S. Paulo que agradece pelo apoio recebido. “Todas as manifestações de solidariedade procuraram ajudar a amenizar esse processo de ódio e até a denunciá-lo”, disse. Ela buscou ajuda de advogados para identificar os autores de ataques e irá processá-los na Justiça.

Nesta semana, a presidente da UNE recebeu manifestações de solidariedade de políticos, ativistas, centrais sindicais e membros de movimentos estudantis e de esquerda. As publicações também elogiam sua iniciativa de diálogo e busca de entendimento pelo impeachment. Parlamentares mulheres apontaram que Brelaz foi vítima de violência política de gênero.

Entre as manifestações está a da ex-senadora Marina Silva (Rede), que ofereceu solidariedade e carinho a presidente da UNE. “Ser mulher negra, jovem, nortista e querer o diálogo deve incomodar muito. Siga firme com a sua coragem!”, escreveu. A deputada Tabata Amaral (PSB-SP), que também já foi alvo de ódio nas redes, afirmou que, por uma questão matemática, a busca do impeachment deve incluir a maioria da população, inclusive quem votou em Bolsonaro. Manuela D’Ávila (PC do B), outra política mulher que já sofreu uma série de ataques, enviou um “abraço solidário e afetuoso” a Brelaz.

Por meio de nota, as centrais sindicais afirmaram que as práticas sectárias “devem ser superadas e substituídas por práticas mais civilizadas, que agreguem maior representatividade e diversidade na luta social”. A União da Juventude Socialista (UJS), divisão jovem do PC do B que domina o comando da UNE há anos, também prestou apoio. A UJS Feminista defendeu o combate à violência política de gênero.

“Não aceitaremos em hipótese alguma que Bruna, ou qualquer outra mulher sofra ataques de cunho machista. Bruna, assim como nós, defende o amplo diálogo para combater Bolsonaro e o bolsonarismo no Brasil”, afirma a entidade. (Com informações da Folha de S. Paulo)

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