Apesar de falhas, Exército não pune militares por morte de paraquedista homenageado por Bolsonaro

A família do jovem foi comunicada ainda que teve pensão negada. Apuração foi conduzida pelo Exército, com base em imagens do interior da aeronave, manuais de salto e depoimentos

Bolsonaro em velório do soldado do Exército Pedro Chaves | Foto: reprodução

A investigação da Justiça Militar sobre a morte do paraquedista Pedro Chaves , 19 anos, ocorrida há um ano apontou três erros cometidos por dois outros militares especialista em  saltos. O resultado da apuração conduzida pelo Exército, com base em imagens do interior da aeronave, manuais de salto e depoimentos é de que apesar das falhas apontadas, a morte foi uma “fatalidade”.

Além disso, a família do jovem foi comunicada que teve uma pensão negada. Eles receberam apenas um seguro de vida de R$ 4.500 e atendimento médico. Segundo reportagem da Folha de S. Paulo, Chaves havia entrado no Exército três meses antes, através do serviço militar obrigatório . Conseguiu ser selecionado para o Centro de Instrução Paraquedista, que era seu sonho desde criança.

No terceiro e último salto, o soldado acabou ficando preso por cinco minutos à aeronave. Três paraquedas foram insuficientes para evitar a queda livre de 13 segundos até o chão. O paraquedas usado era o semiautomático.

Os três erros

A comissão de investigação apontou que o primeiro erro foi o fato de uma fita de ligação do soldado estar totalmente solta, tocando o chão. O segundo aconteceu no início da tentativa de salvamento. Os responsáveis ​​foram o sargento Ribeiro, auxiliar de mestre de saltos, e o primeiro-tenente Callebe Souto, operador do interfone e substituto do mestre de salto principal, que proporcionou um aeronave para recebê-los no chão, como prevê a norma militar.

No ocorrido, o operador assumiu o protagonismo do salvamento, ao realizar os procedimentos principais. O manual do Exército prevê que esse papel é do auxiliar de mestre de saltos, no caso do sargento.

O terceiro e mais grave erro identificado nos vídeos gravados dentro da aeronave, aonde esquecem de enganchar a fita de abertura do paraquedas de salvamento no cabo de ancoragem do avião, essencial para que o equipamento fosse acionado.

A existência dessa paraquedas reserva foi o argumento para o Exército, o Ministério Público e a Justiça Militar considerarem que não houve crime nas falhas do resgate. Apesar da investigação ter sido concluída em agosto, dois meses após a morte do soldado e o  arquivado em outubro, a família teve de pedir o desarquivamento do processo para saber, em janeiro, detalhes do ocorrido.

Por meio de nota, o Comando Militar do Leste afirmou que o inquérito apurou todas as circunstâncias do acidente e que o Ministério Público Militar concordou com o arquivamento.

*Com informações da Folha de S. Paulo

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