Fim da coleta de lixo hospitalar gera embate entre hospitais e Comurg

Associação diz que prefeito voltou atrás em decreto que prevê mudança no recolhimento e que instituições vão pagar Comurg pelo serviço. Companhia desmente

A Companhia de Urbanização de Goiânia (Comurg) anunciou nesta quarta-feira (16/9) que deixará de fazer a coleta de lixo hospitalar — tanto o infectado quanto o não infectado — a partir do próximo dia 15, com base em um decreto do prefeito Paulo Garcia, publicado em julho deste ano e que regulamenta lei de dezembro de 2014. A mudança vale não só para hospitais, como outras instituições que produzem lixo infectado, como clínicas odontológicas e estúdios de tatuagem. Notícia, entretanto, não foi bem recebida por representantes de hospitais, que tentam impedir mudança.

O presidente da Associação dos Hospitais no Estado de Goiás (Aheg), Fernando Antônio Honorato, garantiu ao Jornal Opção Online que se reuniu com o prefeito Paulo Garcia (PT) na última terça-feira (15). Fernando explicou que levou ao prefeito uma lei federal (não soube dizer qual) que prevê obrigatoriedade no recolhimento do lixo comum, enquanto o lixo infectado é de fato obrigação do local onde é produzido.

Na ocasião, o presidente apresentou uma contra proposta em que ficaria acertado que os hospitais irão pagar à Comurg pela continuidade do serviço em relação ao lixo infectado. “O prefeito nos garantiu que irá voltar atrás no decreto e vamos acertar o valor pelo serviço da Comurg”, disse.

De acordo com Fernando Honorato, a associação — que representa 305 hospitais de Goiás, sendo 185 em Goiânia — irá enviar um ofício para o gestor na próxima quinta-feira (17), o petista fará um novo decreto e em seguida um estudo de viabilidade da Comurg fazer o serviço.

Fato foi, entretanto, negado pelo presidente da Companhia de Urbanização de Goiânia (Comurg), Ormando Pires Júnior, que confirmou reunião, mas sustentou que não houve acordo. “Oficialmente, dia 15 a responsabilidade passa para cada unidade geradora de lixo”. De acordo com ele, sabe-se que há uma resistência por parte das instituições, mas que o decreto será mantido.

Com o fim da prestação do serviço, o presidente estima uma economia de R$ 600 mil, que deverá ser reinvestida na área de limpeza urbana da cidade. Mesmo que as instituições passem a pagar pelo serviço, Ormando afirma que não há benefícios para a Comurg.

Isso porque a companhia paga pelo tratamento do lixo hospitalar — já que não tem o serviço para oferecer. “Nós não entendemos a Comurg como uma empresa para ter um preço competitivo. Fazemos a coleta, o transporte e damos destinação. Mas o tratamento é por meio de uma empresa contratada pela prefeitura. Se vamos contratar uma empresa, que o próprio hospital o faça junto à empresa. Não faz sentido sermos um atravessador”, disse.

O presidente da Comurg ainda afirmou que a companhia deixará completamente de prestar o serviço para os estabelecimentos ligados à saúde — tantos os infectados quanto os comuns. “Os hospitais não fazem  segregação da forma devida, por isso todo lixo tem que ter um cuidado especial”, garantiu Ormando.

O maior questionamento da associação é em relação ao prazo dado. “Isso nos assustou, porque não havíamos sido avisados. E por dia, são entre 7 e 9 toneladas de lixo infectado produzidos nos hospitais de Goiânia”, disse. De acordo com ele, não existe nenhuma empresa na capital preparada para receber esse volume de lixo.

Ormando, entretanto, garantiu que existem várias empresas capacitadas para o serviço, e que cada hospital ficará responsável por contratar uma empresa para levar os seus resíduos. O presidente da Comurg disse ainda que “há tempo suficiente” para as instituições se adequarem, e que todas já foram notificadas.

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