A atriz Angelina Jolie revelou que o histórico de câncer em sua família moldou a forma como enxerga a própria vida e até mesmo a maneira como educa os filhos. Em entrevista concedida durante a divulgação de seu novo filme, a artista afirmou que cresceu sem a expectativa de viver por muitos anos e que essa percepção acompanha suas decisões até hoje.

Jolie lembrou que perdeu a mãe, Marcheline Bertrand, para o câncer e nunca chegou a conhecer a avó materna, que também morreu em decorrência da doença. Segundo ela, essas experiências fizeram com que a morte deixasse de ser uma possibilidade distante para se tornar uma realidade sempre presente em sua vida.

“Por ter perdido minha mãe tão jovem e nunca ter conhecido minha avó, nunca vivi com a sensação de que teria uma vida longa. Hoje, já ultrapassei a idade em que minha mãe recebeu o diagnóstico”, afirmou.

A preocupação ganhou ainda mais força em 2013, quando a atriz anunciou que havia passado por uma dupla mastectomia preventiva. Na época, exames revelaram que ela era portadora de uma mutação no gene BRCA1, alteração genética associada a um risco elevado de câncer de mama e de ovário.

A decisão chamou atenção em todo o mundo e transformou Jolie em uma das principais vozes na conscientização sobre prevenção e testes genéticos. Posteriormente, ela também realizou a retirada preventiva dos ovários e das trompas de Falópio para reduzir ainda mais os riscos.

Durante a entrevista, a atriz afirmou que a possibilidade de adoecer sempre influenciou sua relação com o tempo. Segundo ela, existe uma sensação constante de urgência, como se fosse necessário aproveitar cada oportunidade antes que seja tarde.

“Há momentos em que sinto que preciso fazer tudo agora, porque sempre tive a sensação de que o tempo poderia acabar mais cedo do que para outras pessoas”, relatou.

Jolie também revelou que essa visão impacta diretamente a criação dos filhos. A atriz disse que procura prepará-los emocionalmente para seguir a vida sem sua presença, algo que considera consequência natural de quem convive desde cedo com a ideia da mortalidade.

“Educo meus filhos quase os preparando para a minha ausência. Talvez mais para isso do que para o dia em que se tornarão avós. É o que acontece quando você encara a morte como uma possibilidade real”, declarou.

As declarações foram feitas durante a promoção de seu novo filme, no qual interpreta uma cineasta diagnosticada com câncer de mama. Para a atriz, o papel teve um significado especial por dialogar com experiências que marcaram profundamente sua história familiar e sua trajetória pessoal.

Leia também

Saiba quantos passos por dia são necessários para diminuir o risco de câncer