Ancine: mesmo filme poderá ocupar no máximo 35% das salas de cinema

Acordo entre exibidoras e distribuidoras de cinema é resultado de várias discussões da câmara técnica sobre digitalização e distribuição de cinema instalada pela Agência Nacional de Cinema

Foto:Marcelo Camargo/Agência Brasil

Foto:Marcelo Camargo/Agência Brasil

A partir de 1º de janeiro de 2015 haverá um limite para a exibição de um mesmo filme em múltiplas salas dos complexos de exibição do país. Empresas exibidoras e distribuidoras de cinema assinaram um termo de compromisso que define esses limites após discussões da câmara técnica instalada pela Agência Nacional de Cinema (Ancine) para avaliar o processo de digitalização e seu impacto na distribuição de longas-metragens no mercado brasileiro.

O acordo, segundo a Ancine, busca garantir diversidade de títulos e dar uma maior liberdade de escolha do público. Os complexos afetados pela medida são aqueles com mais de três salas. A tabela abaixo mostra como poderá ser a exibição de um mesmo título a partir do ano que vem:

Imagem: reprodução / ANCINE

Imagem: reprodução / ANCINE

O documento publicado nesta quinta-feira (18/12) pela Ancine traz outro compromisso assumido por parte das empresas distribuidoras. Elas asseguraram que irão disponibilizar cópias digitais de seus filmes para os complexos que as pedirem, o que garante que os grandes lançamentos cheguem a mais pontos de exibição.

O diretor-presidente da Ancine, Manoel Rangel, afirmou que isto deve garantir um acesso mais amplo a filmes de diferentes nacionalidades e gêneros pelos espectadores de todas as regiões do Brasil. Rangel explicou que uma das grandes distorções do mercado cinematográfico e dos megalançamentos é que, às vezes, “mesmo um filme ocupando cerca de 1.500 telas, como ocorreu este ano, ele não ocupava mais de 500 dos 750 pontos de exibição cinematográfica do país. Isto significa que 250 complexos ficavam ser ter acesso àquele titulo”.

Esses complexos são, geralmente, de cidades do interior, o que traz maiores dificuldades para o cidadão ter acesso ao filme que ele quer ver. A medida, afirmou o diretor-presidente, deve induzir a uma maior capilaridade da projeção dos filmes, além de aumentar a diversidade.

O termo de compromisso já foi assinado por seis empresas distribuidoras e 23 exibidoras. As empresas exibidoras signatárias respondem por mais de 2.100 salas de cinema do país, o que representa 82% das salas dos grupos que administram cinemas com mais de duas salas.

Em relação aos cinemas dos grupos exibidores com mais de 20 salas, 90% já aderiram ao compromisso. Esta representatividade foi alcançada em apenas dois dias de coleta de assinaturas. A ANCINE espera conseguir mais adesões nos próximos dias.

O compromisso firmado pelos agentes econômicos e homologado pela Ancine é, na opinião do diretor-presidente da Agência, histórico. “O acordo é resultado de um processo regulatório moderno e democrático, porque parte da premissa de que compete ao estado cumprir a função de acompanhamento do mercado audiovisual, compartilhando as falhas encontradas e convocando os agentes do setor e a sociedade para dialogar e construir soluções para corrigi-las”, destacou Manoel Rangel.

Para garantir a efetividade da medida e evitar desequilíbrios entre exibidores concorrentes, a ANCINE deve adotar alguma forma de salvaguarda regulatória, como a previsão de uma cota de tela adicional para filmes brasileiros a ser observada pelos exibidores que não aderirem ou descumprirem o pacto.

O compromisso é válido de 1º de janeiro ao dia 31 de dezembro de 2015. O documento indica que a adequação, os efeitos e o cumprimento dos compromissos e limites estabelecidos devem ser avaliados por uma comissão de acompanhamento formada por representantes das empresas signatárias e serem revisados ao final do ano que vem para vigência no ano seguinte.

Até o momento, assinaram o termo de compromisso as seguintes empresas: Grupo Kinoplex Severiano Ribeiro, Cinépolis Operadora de Cinemas do Brasil, Cinemark Brasil, Grupo Espaço de Cinema, Cineflix Cinemas, United Cinemas Internacional Brasil (UCI), Rede Cinesystem, Arcoplex Cinemas, Lui Cinematográfica, Centerplex Cinemas, Moviecom Cinemas, Rede Cine Show, Rede Cineart Multiplex, Rede Cinemaxx, Sindicato das Empresas Exibidoras do Rio de Janeiro, Rede Moviemax, GNC Cinemas, Grupo Estação, Lumière Cinema, Cineart Café, CineSercla, Grupo Cine Cinemas, Playarte Cinemas, Cine Caixa Belas Artes, Pandora Filmes, Paris Filmes, H20 Films, Downtown Filmes e Imagem Filmes.

*Com informações da assessoria de comunicação da ANCINE

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