Amazônia registra 4,9 mil focos de queimadas em julho, diz Inpe

Primeiro semestre de 2021 tem alta de 17% em queimadas quando comparado ao mesmo período do ano anterior

Coluna de fogo avança sobre área degradada dentro de floresta pública não destinada, em Porto Velho, Rondônia | | Foto: Christian Braga/Greenpeace

4,9 mil focos de queimadas foram registrados na Amazônia durante o mês de julho pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), segundo dados preliminares. Mesmo que o Governo Federal tenha, por meio de decreto de nº 10.735 publicado no dia 28 de junho, suspendido a prática de queimadas por 120 dias em todo o território nacional, o número se mostrou significativo. Para mostrar o impacto das queimadas nas florestas brasileiras, a organização Greenpeace sobrevoou a região na última semana do mês de julho para fotogravar as áreas atingidas pelo fogo.

“O impacto acumulado na Amazônia a partir do fogo e do desmatamento só aumenta, estamos empurrando a floresta cada vez para mais perto do seu limite e minando seu papel de aliada no enfrentamento às mudanças climáticas. Além disso, com a destruição crescente deste bioma rico em estoque de carbono, estamos contribuindo para que extremos climáticos como esses vivenciados recentemente ao redor do planeta e no Brasil se tornem mais frequentes e intensos no futuro”, diz Cristiane Mazzetti, da campanha Amazônia do Greenpeace.

Antes mesmo da publicação do decreto de 120 dias, os focos registrados de maio a junho já haviam sido os maiores para esses respectivos meses desde 2007. Na mesma data da publicação do documento, o Governo Federal novamente autorizou o uso das tropas militares para o combate ao fogo, inteirando a terceira vez que Jair Bolsonaro (sem partido) aciona o dispositivo da Garantia da Lei e da Ordem (GLO) para combater crimes ambientais. Para o Greenpeace, no entanto, a medida já é comprovadamente ineficiente e faz com que a Amazônia siga sob intensa ameaça.

Para Cristiane, no entanto, o pior ainda está por vir, já que os meses de agosto a novembro são geralmente os mais secos e quando as queimadas ocorrem com maior proporção. “É importante analisar os focos de calor considerando também o desmatamento ocorrido recentemente na Amazônia. Muitas áreas foram derrubadas e degradadas recentemente e devem ser queimadas ilegalmente nos próximos meses, quando a vegetação remanescente fica mais seca e suscetível ao fogo”, esclarece Cristiane Mazzetti, da campanha Amazônia do Greenpeace.

Ainda que a quantidade de desatamento do mês de julho tenha sido 27% menor que em 2020, de modo geral, o primeiro semestre de 2021 foi marcado por diversos alertas de desmatamento do Inpe que apontaram para uma alta de 17% em relação ao mesmo período do ano anterior. 51% desse desmatamento ocorreu em terras públicas, de forma ilegal, como em Florestas Públicas Não destinadas, Unidades de Conservação e Terras Indígenas, que consistem em um patrimônio dos brasileiros como um todo.

Queimada sobre área degradada no Parque Nacional Mapinguari, em Lábrea, Amazonas | Foto: Christian Braga/Greenpeace

Monitoramento das queimadas de julho

O município que mais registrou focos de queimadas no mês de julho, segundo dados divulgados pelo Inpe, foi Porto Velho (RO), com 340. Em seguida, aparecem na lista Lábrea (AM), com 251 focos, Apuí (AM), com 249, e Altamira (PA) com 228. Além disso, o Inpe demonstra que mais da metade do fogo registrado está concentrado no Pará e no Amazonas, com 1.372 e 1.173 focos, respectivamente.

Em uma das imagens registradas pelo Greenpeace, inclusive, é possível perceber que áreas recém queimadas em Porto Velho já começaram a receber gados.

Área desmatada e queimada já recebe gado em Porto Velho, Rondônia | Foto: Christian Braga/Greenpeace

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