Caso ocorreu na região norte de Goiânia e foi confirmado nesta sexta-feira; vítimas passam bem, segundo Secretaria da Saúde

O Laboratório de Análise e Diagnóstico Veterinário (LabVet) da Agência Goiana de Defesa Agropecuária (Agrodefesa) confirmou na última quarta-feira, 4, um caso de raiva em um gato na Região Norte de Goiânia. Antes de vir à óbito o animal agrediu cinco pessoas, a veterinária que o atendeu e quatro membros da família que o resgatou. Todas as vítimas estão bem, segundo a Secretaria Estadual de Saúde (SES).

A amostra suspeita deu entrada no laboratório da Agrodefesa no dia 27 de fevereiro por meio da Unidade de Vigilância em Zoonones de Goiânia, órgão responsável pela vigilância de raiva em cães, gatos e animais silvestres no município. De acordo com a Agrodefesa, o gato que foi diagnosticado com raiva era de vida livre, havia sido resgatado das ruas do Setor Mansões do Campus, região Norte de Goiânia, por uma família e encaminhado para uma clínica veterinária para atendimento.

Segundo o gerente do LabVet, o médico veterinário Rafael Costa Vieira, a partir da amostra do felino diagnosticado com raiva, serão realizados novos exames no Instituto Pasteur de São Paulo, a fim de identificar a variante do vírus rábico e comprovar se realmente o vírus teve origem em morcegos. 

A SES disse que todas as pessoas agredidas estão bem, realizando a profilaxia completa pós-exposição e sendo criteriosamente acompanhados pela Diretoria de Vigilância Epidemiológica do Município. 

Raiva em Goiânia 

Após um longo período sem diagnósticos positivos para raiva em cães e gatos em Goiânia, desde o ano de 2011 uma sequência de novos eventos tem ocorrido no município e todos estavam relacionados à transmissão por morcegos. No ano de 2011 um felino encontrado nas proximidades do Parque Areião, no Setor Marista, apresentou diagnóstico positivo para raiva, posteriormente, em 2012 no mesmo bairro, um morcego foi diagnosticado positivo. 

Posteriormente, entre os anos de 2013 e 2021, foi diagnosticado um cão positivo em 2015 e mais oito morcegos positivos, em diferentes localidades do município. O aparecimento de mais um caso positivo de raiva em felino neste ano, acende um alerta sobre a necessidade de adoção de medidas de controle para evitar a ocorrência de novos casos. 

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Vacinação

O gerente do LabVet chama a atenção sobre a importância da vacinação tanto em animais de estimação como em animais de produção, pois a vacinação é a melhor forma de controle da doença: “A raiva apresenta letalidade de aproximadamente 100% daqueles que adoecem, portanto, a vacinação é essencial para aquisição de imunidade e proteção dos animais e humanos”, explica.  

Anualmente são realizadas campanhas de vacinação nos municípios, coordenadas pelas Secretarias Municipais de Saúde, para imunização de cães e gatos. “Goiânia por exemplo, anunciou a meta de vacinar cerca de 180 mil animais em 2021 para proteger contra a raiva animal e, consequentemente, contra a raiva humana”, disse o médico veterinário.

22 casos de raiva no Estado

As unidades locais da Agrodefesa, no ano de 2021, receberam 45 notificações de suspeitas de raiva dos herbívoros em 29 municípios goianos, das quais 22 tiveram resultados positivos emitidos pelo LabVet para raiva.  

Nesses casos foram aplicadas as medidas preconizadas para controle do foco de raiva dos herbívoros, como a vacinação obrigatória, a captura de morcegos para realização de exames e a vigilância ativa nas propriedades próximas ao foco, a fim de dar a devida orientação aos produtores rurais. “Sem as devidas ações de controle promovidas pela Agrodefesa, a raiva pode causar grandes prejuízos aos pecuaristas, à economia do Estado e colocar em risco a saúde população da zona rural”, afirmou o coordenador do programa sanitário. 

Segundo o presidente da Agrodefesa, José Essado, todos os casos suspeitos de raiva, sejam eles em animais da zona rural ou urbana, são diagnosticados no LABVET. “Esse laboratório pertence à rede de laboratórios da Agrodefesa e existe para realizar o diagnóstico de doenças infecciosas dos animais de produção para proteção do rebanho goiano, entretanto, por ser o laboratório de referência para o diagnóstico da doença, presta uma excelente colaboração às secretarias de saúde dos municípios, realizando o diagnóstico das amostras de cães, gatos e animais silvestres, provenientes das Unidades de Vigilância em Zoonoses dos municípios”, afirma o presidente da agência. 

A recomendação nos casos suspeitos é de que todos os casos de sintomatologia nervosa em herbívoros devem ser comunicados à Agrodefesa, para que ela possa prestar o devido atendimento. Já os casos suspeitos de raiva em cães e gatos devem ser informados à secretaria de saúde dos municípios, bem como, a ocorrência de morcegos caídos no chão ou com comportamentos anormais devem ser encarados como suspeitos.  

Além disso, o serviço médico veterinário deve ser procurado sempre que houver animais com sinais ou sintomas da doença, os leigos devem evitar ao máximo o contato com os animais e em casos de acidentes com arranhadura ou mordedura, a população deve procurar imediatamente a Unidade de Saúde mais próxima.