Maioria na Câmara, os parlamentares votaram pelo afastamento de João Neto, afirmando que o prefeito se ausentou da cidade por mais de 15 dias sem autorização da Casa. João garante ter provas de que estava na cidade

Foto: Arquivo Pessoal
Prefeito João Neto / Foto: Arquivo Pessoal

Os vereadores de Cavalcante (500 km de Goiânia) aprovaram na Câmara Municipal a cassação do mandato do prefeito João Pereira da Silva Neto (PTC), alegando que o gestor se afastou do município por mais de 15 dias sem autorização da Câmara Municipal, o que contraria a Lei Orgânica na cidade.

A vice-prefeita, Maria Celeste Cavalcante Alves (PSD), esposa de um dos vereadores que votou a favor da cassação, Jorge Chein (PSD), tomou posse nesta sexta-feira (12) à tarde. O advogado do prefeito, Reginaldo Martins Costa, disse ao Jornal Opção Online que esta é uma manobra de seis parlamentares a fim de tomar o poder do prefeito.

Isso porque o grupo teria uma rixa com João Neto. Conforme explicou o prefeito ao Jornal Opção Online, em setembro de 2013 ele apresentou denúncia no Ministério Público de Goiás, alegando que os cinco vereadores Augusto dos Anjos (PR), presidente da Casa, Sival Alves Borges (PTB), Availdo Riacho (PT do B), Leonor Santos (PTB), conhecido como Nono, e Geraldo Santos Júnior (PV), conhecido como Júnior do PV tentaram extorquir João Neto, pedindo o valor de R$ 250 mil para aprovar os projetos do gestor. “Eu confirmei, e no ia que fui repassar, filmei tudo e denunciei”, disse João.

De fato, em setembro do ano passado, Augusto, Júnior do PV e Sival foram presos após serem flagrados em um vídeo recebendo uma maleta com R$ 20 mil. Na época, a Polícia Civil confirmou que o dinheiro seria parte dos R$ 250 mil que os parlamentares pediram ao prefeito. João e seu filho, Wolney Neves, denunciaram o caso e a polícia prendeu os três em flagrante. Os outros dois não estavam no local, mas também foram afastados de seus cargos pela Justiça.

Entretanto, um tempo depois todos voltaram aos seus cargos. Desde então, as vereadores estariam tentando inviabilizar João no município. O prefeito diz que no mês de novembro sofreu um acidente de carro, e ficou em Goiânia por alguns dias fazendo exames. “Não foi nem uma semana, e eu já voltei para Cavalcante. Tenho provas de que eu estava aqui no período que disseram que eu não estava”, garantiu.

A Câmara Municipal de Cavalcante possui nove vereadores, sendo cinco envolvidos na denúncia de extorsão, sendo portanto, maioria na Casa. O advogado de João disse ao Jornal Opção Online que o vereador Jorge Chein é esposo da vice-prefeita Maria Celeste Cavalcante Alves, e também votou a favor da cassação do mandado de João. Outros dois vereadores votaram contra, e um se absteve.

Rômulo afirma que entrou com um pedido para apresentar fatos e defesa, mas os vereadores desconsideraram e nomearam o advogado Aldir Avelino Costa — que segundo Rômulo é adversário político do prefeito — para defender João.

De acordo com ele, já está tomando as medidas cabíveis para restabelecer o direito de João. “Na segunda-feira vou protocolar na comarca de Cavalcante um mandato de segurança”, e completou: “Temos vários provas de que ele nunca se ausentou da prefeitura pelo período que ele alegam que se ausentou.”

O Jornal Opção Online tentou contato com os vereadores  Jorge Chein (PSD), Augusto dos Anjos (PR) e Júnior do PV, mas os telefonemas não foram atendidos.