Advogada da mãe relata momentos antes da morte de bebê de 9 meses: “Ela entregou ao pai e minutos depois recebeu a criança roxa”
17 junho 2026 às 19h33

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A mãe do bebê de 9 meses que morreu na manhã desta terça-feira, 17, em Goiânia, ainda tenta entender o que aconteceu nos poucos minutos em que a criança ficou sob os cuidados do pai. Em entrevista ao Jornal Opção, a advogada Fernanda Rocha, que representa a mãe, relatou os momentos que antecederam a morte do bebê e afirmou que a família está em estado de choque.
Segundo a advogada, a mãe acordou por volta das 5h30 para amamentar o filho antes de se preparar para o trabalho. Após alimentar a criança, ela a entregou ao pai para que ele a colocasse no berço, em outro quarto da casa.
“Ela acordou, deu de mamar para a criança e a entregou ao pai para que ele a colocasse no quartinho dele para terminar de dormir. Enquanto isso, ela foi trocar de roupa porque trabalha em uma confeitaria. Três ou quatro minutos depois, ele voltou com a criança nos braços, desesperado”, relatou Fernanda.
De acordo com a advogada, quando o pai retornou, o bebê já apresentava sinais graves. “Ela encontrou a criança roxa, convulsionando. Foi uma cena muito forte. Ela entrou em estado de choque e chegou a desmaiar ao ver o filho daquela forma”, contou.
A família tentou socorrer a criança imediatamente. Como a chegada do Corpo de Bombeiros poderia demorar, a mãe, acompanhada dos sogros, decidiu levar o bebê por meios próprios para atendimento médico. Apesar das tentativas de reanimação, a criança não resistiu.
Para Fernanda Rocha, a principal dúvida da família é justamente o que aconteceu durante o curto período em que o bebê permaneceu sozinho com o pai.
“O que ocorreu nesse intervalo entre ela entregar a criança para ele colocá-la no berço e ele retornar com o bebê naquela situação, só ele pode responder. É algo que a mãe também quer saber. Ela amamentou o filho, o entregou ao pai e, poucos minutos depois, recebeu a criança sem vida”, afirmou.
Casal não tinha histórico de violência
Segundo a advogada, a mãe relatou à polícia que não havia histórico de agressões ou conflitos graves dentro de casa. O casal também tem uma filha de dois anos.
“Segundo ela, eles estavam bem. Não havia histórico de violência. Pelo que foi relatado, aquele seria inclusive o primeiro dia dele em uma entrevista de emprego. Nada indicava qualquer problema fora da normalidade familiar”, explicou.
Fernanda também afirmou que, até o momento, a mãe é tratada como vítima no caso e colaborou integralmente com as investigações.
“Ela perdeu um filho de uma forma extremamente traumática. Tudo indica que ela é vítima dessa situação, assim como a própria criança”, disse.
Pai se apresentou à polícia
Após a criança ser levada para atendimento médico, o pai, identificado como Cauê Oliveira de Souza, deixou a residência e seguiu em direção à saída de Goiânia para Trindade.
Segundo informações que chegaram à família, ele teria sido localizado por policiais militares na rodovia e manifestado a intenção de se entregar às autoridades.
“Chegou para a família que ele estava chorando, muito atordoado, e que pretendia se apresentar. Mas essa é uma informação que ainda depende da confirmação oficial da investigação”, afirmou a advogada.
Cauê foi encaminhado à Delegacia Estadual de Investigação de Homicídios (DIH), onde prestou depoimento. A reportagem do Jornal Opção não localizou a defesa dele até a publicação desta matéria.
Investigação
As circunstâncias da morte do bebê seguem sob investigação. O corpo foi encaminhado ao Instituto Médico Legal (IML), que deverá apontar a causa da morte por meio dos exames periciais.
Enquanto aguarda respostas, a família busca compreender o que aconteceu dentro de casa naquela manhã.
“Ela também quer saber a verdade. Quer entender se foi um acidente, se houve alguma ação intencional ou o que realmente aconteceu. Essas respostas só virão com a investigação”, concluiu Fernanda Rocha.
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