Adesão a nova greve dos caminhoneiros esbarra em receio ao apoio da CUT

Líderes sindicais expõem posições diversas, mas que se complementam na desconfiança que a categoria está encarando em razão da greve marcada para o dia 16 ter apoio da entidade de esquerda

Foto: Marcelo Camargo/ Agência Brasil

Com convocação feita a partir de mensagens de Whatsapp, a possibilidade de uma nova greve dos caminhoneiros, marcada para a próxima segunda-feira, 16, ganhou força. De um lado, líderes afirmam que o movimento já está confirmado, do outro, desconfiança com relação ao apoio recebido da Central Única dos Trabalhadores (CUT) coloca em xeque a adesão ao protesto.

Ao Jornal Opção, o presidente do Sindicato dos Transportadores Autônomos de Cargas (Sinditac), em Catalão, Esmeraldo Alves Barbosa, afirma que a entidade não tem posicionamento sobre o movimento. Segundo ele, na busca por apoio ao movimento dos caminhoneiros, os líderes autônomos teriam encontrado na CUT o amparo para a greve e, por isso, há divisão entre a categoria.

O presidente explica que entre as pautas solicitadas por caminhoneiros manifestantes estão o marco regulatório e o piso mínimo. “Se acontecer uma mobilização em todo o País nesse momento eu acredito que pode colaborar para acelerar esses processos”, afirmou o líder, que pondera não conseguir prever se haverá adesão.

Ainda segundo Esmeraldo, a morosidade em decidir pelas solicitações da categoria, que se arrastam desde o Governo Temer, de fato agita os caminhoneiros, mas diz que o atual governo se mobiliza nas negociações. “Se a tabela de preço mínimo for publicada até o dia 15 de janeiro, como está previsto, acredito que esses ânimos se dissolvam”, afirmou o sindicalista.

Associação Brasileira

À reportagem, a Associação Brasileira dos Caminhoneiros (Abcam) se posicionou ainda mais antagonista à mobilização. Segundo a entidade não há ligação e nem apoio entre a Abcam e o movimento. A posição contrária se dá, segundo o sindicato, tanto em razão do apoio da entidade de esquerda, quanto pelo caminho encontrado para demonstrar o descontentamento.

A associação deve publicar nesta terça-feira, 10, posicionamento oficial contrário ao movimento. Segundo a Abcam, é necessário buscar um caminho mais técnico para atender as pautas dos caminhoneiros. “O caminho político pode culminar em não resolução, como ocorreu com últimas mobilizações”, afirma a Abcam.

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