8 milhões de brasileiros estão 4 horas distantes do atendimento adequado para a Covid-19

No Amazonas, Pará e Mato Grosso, mais de 20% da população mora em áreas afastadas de equipamentos e pessoal especializado para doenças respiratórias graves 

Manaus, AM, Brasil: Comunidade de ribeirinhos no Amazonas, distante dos leitos de UTI | Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Cerca de 7,8 milhões de brasileiros estão a pelo menos quatro horas de distância de uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI). A informação foi publicada pelo Instituto de Comunicação e Informação em Saúde (Icict), da Fiocruz, que revela que apenas no Amazonas são 1,3 milhão de habitantes distantes das unidades de atendimento de alta complexidade, com equipamentos e pessoal especializado para doenças respiratórias graves e agudas provocadas pela epidemia de Covid-19.

O sistema Monitora Convid-19 indica que no Amazonas, Pará e Mato Grosso, mais de 20% da população mora em áreas com até quatro horas de deslocamento para chegar ao município mais próximo que ofereça condições de atendimento em casos graves de Covid-19. O interior do Nordeste, o norte de Minas Gerais e o sul do Piauí e do Maranhão são outras regiões com elevado percentual de população que leva mais de quatro horas de deslocamento até um município que ofereça atendimento especializado.

Para obtenção dos dados, as informações de hospitalização por problemas respiratórios do banco de dados do Sivep-Gripe, do Ministério da Saúde, foram cruzadas com os deslocamentos populacionais e as distâncias potencialmente percorridas pela população, considerando-se as Regiões de Influência das Cidades (IBGE, 2018) e as Regiões de Saúde (CIR) definidas pelas Secretarias Estaduais de Saúde.

A nota técnica constatou também a rapidez da interiorização da Covid-19. Apenas na semana de 9 a 16 de maio, nos municípios com população entre 20 e 50 mil habitantes, a cada dia seis cidades registravam pela primeira vez uma vítima fatal de Covid-19. Entre municípios menores, com população de 10 a 20 mil habitantes, na mesma semana cinco cidades a cada dia entravam na lista de municípios com óbitos por Covid-19.

A cada dia, em média, 15 cidades com menos de 50 mil habitantes apresentaram um novo caso de Covid-19. O primeiro caso de infecção por Covid-19 foi registrado em 227 municípios com população menor que 10 mil habitantes; em 197 com entre 10 e 20 mil habitantes; e em 112 com entre 20 e 50 mil habitantes. Até 16 de maio, 60% dos municípios brasileiros registravam casos da doença e 21%, óbitos. Nos municípios com população acima de 50 mil habitantes, 98% apresentavam casos e 58%, óbitos.

“Um dos grandes problemas para a rede de saúde brasileira é a acessibilidade geográfica. O Brasil possui dimensões continentais e, por isso, algumas regiões mais remotas impõem à sua população o deslocamento de enormes distâncias para busca de atendimento (…) É evidente que nem todos os municípios do país devem ter um centro de tratamento intensivo, mas é necessário definir serviços de referência e contrarreferência no atendimento à saúde, evitando vazios de atendimento, bem como deslocamentos longos, que podem afetar o estado de saúde do indivíduo”, diz a nota técnica.

Integração e diálogo entre municípios, estados e União nas políticas de contenção da Covid-19, bem como definição e utilização de regiões compostas por conjunto de municípios são o caminho para adoção de medidas de restrição ou relaxamento do isolamento social, segundo a nota técnica.

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