“Vamos prezar pela legalidade e transparência, mesmo que se for necessário remédios amargos”

Prefeito de Paraíso do Tocantins, Celso Morais, fala sobre sua eleição e os projetos que pretende colocar em prática na sua gestão

Prefeito de Paraíso do Tocantins, Celso Morais | Foto: Divulgação

Celso Morais foi eleito, pelo MDB, prefeito de Paraíso do Tocantins nas eleições de 2020, após obter expressivos 72% dos votos. Enquanto vice-prefeito da gestão anterior (2017/2020), por duas vezes, em abril e setembro de 2019, assumiu a gestão em razão de problemas de saúde do titular e foi muito bem avaliado.

Graduado em Ciências Contábeis pela Ulbra-TO, é descendente de tradicional família de emedebistas da cidade. Antes de entrar na vida pública, administrou a empresa familiar, ligada ao ramo da construção civil.

O Sr. considera que sua aclamação, após obter 72% dos votos na última eleição, está diretamente relacionada à sua atuação como vice-prefeito do Dr. Moisés Avelino (2017/2020)?
Sem dúvidas, houve grande correlação. Tive muita abertura naquela gestão e, na condição de Secretário de Desenvolvimento Econômico, pude conhecer a Pasta, além de outros setores da administração pública municipal. Em razão de um problema de saúde, o Dr. Moisés precisou se ausentar por 120 dias e eu assumi o cargo de prefeito nesse período. Outro grande aprendizado, sem dúvidas. Ele me deu autonomia e liberdade para conhecer a gestão, mas ainda assim eu respeitei muito as suas decisões e cheguei até a ir Barretos/SP despachar com ele, sobre assuntos que – por sua natureza – necessitavam do crivo dele. 

Não fiz mudanças no secretariado, naturalmente, mas despachei com todos e fiquei ciente das peculiaridades de cada Pasta. Atendi também grande parte da população, soube dos suas necessidades. Quando fui para as ruas pedir votos eu já sabia exatamente seus anseios, mas posso dizer que minha pré-campanha começou muito antes, exatamente por isso: esse atendimento aos munícipes e a busca por soluções dos seus problemas, contribuíram para que a campanha fosse exitosa. 

Outro detalhe: a juventude “comprou” a ideia que se eu fosse eleito, ela estaria representada. Como eu tenho dito: não em troca de nada ou por barganhas, mas é porque desde quando me candidatei a vice-prefeito, ainda em 2016, essa parcela da sociedade já havia acreditado no meu potencial e tinha esperança que poderíamos fazer diferente, tomar decisões e, acima de tudo, valorizá-la. 

E quanto à escolha da sua candidata a vice-prefeita?
Ela agregou bastante enquanto pessoa, visto que, em que pese não ter raízes na política, já desenvolvia um importante trabalho social na cidade, enquanto agropecuarista, assumindo a função de contribuir com o Hospital do Amor.

Não negociei nada com partidos para a escolha da vice, que se deu exatamente pelo histórico de vida dela. Optei por não nomea-la secretária de alguma Pasta e, por enquanto, ela está aqui – no gabinete ao lado – despachando junto e tomando ciência de todas as decisões da administração. Estamos dividindo as responsabilidades da gestão. 

Poderia discorrer sobre a grande novidade, a implantação definitiva do curso de medicina da UNIRG na cidade?
Um avanço sem precedentes o credenciamento do campus da UNIRG. O curso de medicina em nosso município não representa apenas o desenvolvimento na parte econômica, mas também a parte social, humana, educacional, etc. Acadêmicos e professores migrarão para a nossa cidade em razão deste curso. A ideia é criar o conceito de cidade universitária, uma vez que já contamos com a UNITINS, com a UNEST, além de polos telepresenciais. 

Para a região do Vale do Araguaia, o município de Paraíso é o referencial – porque abriga instituições financeiras, educacionais e as regionais da maioria dos órgãos públicos. A macrorregião tem cerca 140 mil habitantes e 95 mil eleitores. Fizemos nesta semana uma reunião em Divinópolis, em que estavam presentes 12 dos 17 prefeitos. O objetivo é reunir os gestores dessas cidades e, juntos, conseguirmos recursos para desenvolver a região. Já começamos a trabalhar em parceria. Na última eleição da ATM, por exemplo, já conseguimos nos articular e eleger cinco membros na chapa vitoriosa que comandará a Associação nos próximos anos. Além disso, tive a grata satisfação de receber o encargo de representar todos os prefeitos do Tocantins na CNM – Confederação Nacional dos Municípios. 

O Sr. fez parte da gestão anterior e já conhecia as pontencialidades e gargalos da cidade. Qual seria o maior deles?
A geração de emprego e renda para nossa população, não tenho dúvidas. Através da “força política”, vamos incentivar a instalação de novas empresas em nosso município e não estou falando apenas naquelas gigantescas. Não, nada disso. Incentivaremos também a instalação daquelas que, se não são tão grandes, são produtivas. A nossa população precisa disso e foi meu compromisso de campanha. 

Uma fábrica de ração de nosso município já planeja se expandir e o nosso desejo é que essa empresa consiga montar um abatedouro por aqui, uma vez que nossa produção tem sido abatida no Bico do Papagaio. Já uma outra grande empresa, no ramo da distribuição de combustíveis, também já se instalou em nosso município e, após investimentos na ordem de $ 15 milhões, em breve, vai gerar renda, emprego e dividendos para a cidade de Paraíso do Tocantins. 

E quanto ao gargalo da mobilidade urbana?
Em 2019, tive a oportunidade de participar de uma audiência com o general Santos, presidente do DENIT. Os estudos para reorganizarmos a travessia urbana (BR-153) da nossa cidade está em estágio avançado. Esclareço que a proposta do anel viário, que desvia esse trânsito da cidade, na minha visão, além de muito dispendioso, é inviável, pois o comércio da cidade necessita do movimento que a rodovia traz. É como se fosse nossa veia artéria. 

Um projeto que entendo como mais viável – que custaria algo em torno de R$ 146 milhões – seria a travessia urbana do eixo principal, como já foi feito em outros municípios do Tocantins. Em 2021, ocorrerá os trâmites e ajustes desse projeto por parte do DENIT. A previsão é que em 2022, o governo federal fará a execução da obra. A Prefeitura, logicamente, vai dar sua contribuição como a jardinagem e outros serviços afetos, porque o nosso interesse é revitalizar a via. 

Posso garantir à população que há todo empenho do poder executivo municipal, como também de toda bancada federal (8 deputados e 3 senadores) para que consigamos fazer tudo isso sair do papel. 

No tocante ao seu relacionamento com a Câmara de Vereadores, poderia expor como pretende conduzi-lo?
Fizemos maioria no parlamento, pois dentre os 13 conseguimos eleger 11. Penso que os poderes executivo e legislativo tem que caminhar juntos. Enquanto vice-prefeito (2017/2020) tive muito contato com os vereadores, pois fiz o papel várias vezes de interlocutor do executivo. Muitos deles foram reeleitos e creio que não haverá dificuldade de relacionamento. 

Na reunião que fiz com eles, praticamente acertei a vinda dos outros dois para a base de sustentação e sequer houve divergências para a escolha do presidente da Casa Legislativa. Há um dever dos dois poderes de representar bem a comunidade. Então, precisamos caminhar e debater as demandas do município juntos e se, por acaso, não tivermos conhecimento técnico suficiente, chamaremos os secretários responsáveis pela área pelo projeto, para esclarecer dúvidas. É assim que tem quer ser, na minha visão. 

É provável que nestes quatro anos o Sr. tenha que encaminhar ao parlamento projetos polêmicos ou, pelo menos, impopulares. Como lidar com esses entraves?
Em 2018, fizemos um convênio com a UFT, promovemos um estudo pormenorizado e atualizamos a planta de valores imobiliários da nossa cidade. A última atualização foi em 2005 e, logicamente, está defasada. Utilizamos drones, imagens e filmagens para verificar novas construções de edificações em lotes que, no sistema, são baldios, como também muros e calçadas. É necessário que a população compreenda que, para levar benefícios as Prefeituras precisam arrecadar, não existe milagres. 

Pois bem, acredito que por falta de diálogo ou outra razão que não vem ao caso agora, em 2019 o projeto foi rejeitado pela câmara. Os vereadores entenderam – erroneamente – que tratava-se de aumento de IPTU, o que não era a reflexão da verdade, pois a alíquota continuava a mesma. O que havia era a atualização dos valores venais dos imóveis da cidade. 

Agora em 2021, vou reformular esse projeto, atualizá-lo e propor novamente para que possa valer em 2022. Os valores dos imóveis estão totalmente desconexos daqueles constantes em nossos arquivos. Vou elaborar, ainda, um plano de descontos, de forma tal a fortalecer a arrecadação. Não estou fazendo isso logo no começo do mandato para que haja esquecimento, mas sim para que dê tempo de haver retornos para a população. 

E há outros remédios amargos?
A adequação da alíquota previdenciária dos servidores públicos municipais é, sem dúvida, outro projeto impopular, mas estritamente necessário. A lei nacional já aprovada e em vigor, exige que o menor percentual de recolhimento seja 14%. O Instituto previdenciário de Paraíso ainda desconta apenas 11%, mas para não desobedecer a lei, teremos que readequar. 

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