“Serei o primeiro vereador eleito pela região sul a ter um gabinete instalado na Avenida Tocantins”

O vereador eleito Lacerda do Gás expõe suas pretensões, como também, suas perspectivas para o mandato que se iniciará em 2021

Mauro Antonio Alvara Lacerda é tocantinense de Miranorte, mas cresceu em Arapoema. Em Palmas desde 2006 tornou-se um comerciante bem sucedido na capital. Tem seu codinome político relacionado com o ramo do seu comércio e, por isso, se tornou o Lacerda do Gás. 

Homem de fortes convicções religiosas, tornou-se empresário atacadista no ramo da distribuição de GLP (Gás Liquefeito de Petróleo) para Palmas e região. Sua atuação, mesmo sem mandato, no auxílio aos menos favorecidos está diretamente ligada à sua própria história de lutas e dificuldades. Sem dúvidas, uma vida de superação, marcada por fracassos comerciais, passando por tentativas de se reerguer em países europeus como Bélgica e Inglaterra, além de outros dissabores. 

Com o firme propósito de continuar ajudando os mais necessitados, Lacerda do Gás se enveredou pelos caminhos da política. Foi eleito vereador em Palmas, pelo PSB, nas eleições de 2020, após obter 1.161 votos. Nesta entrevista, ele expõe suas pretensões, como também, suas perspectivas para o mandato que se iniciará em 2021. 

O que te fez entrar no processo político?
Fui incentivado por um grupo de amigos. Todos os anos fazemos o natal solidário, arrecadamos cestas, brinquedos para as crianças, etc e outras ações sociais durante todo o ano. Não fazia isso pensando em política, mas sim no bem estar das pessoas, porque assim como a maioria daqueles que mais necessitam, eu também já havia passado por muitas dificuldades, antes de me consolidar como empresário. 

Depois, me convenci que era possível fazer ainda mais, se fosse detentor de um mandato eletivo. Minha referência nos palanques foi minha concorrência comercial. Eu disse em todos os discursos: perguntem aos meus concorrentes quem é o Lacerda do Gás. Se eles falarem mal de mim, podem votar em outros candidatos. 

Eu sou honesto, mas não acho que isso é algo que deve ser exaltado ou exibido como rótulo. Ser honesto e correto deveria ser obrigação de todos os brasileiros. Para mim, restou claro por fim que, se as pessoas bem intencionadas e honestas não entrarem na política, sempre seremos governados por aqueles que só pensam em si, ao invés da comunidade. Por tal razão, disputei a eleição e, graças a Deus, obtive êxito. 

Porque o Sr. escolheu o PSB?
Eu poderia escolher entre sete siglas. Nunca havia sido filiado a nenhum partido. Analisei uma a uma, os prós e os contras. Fui eliminando uns e rejeitando outros e conclui que no PSB eu teria possibilidades de eleição, porque sempre acreditei que nós faríamos dois vereadores, como de fato aconteceu. Depois da eleição fui fazer uma reflexão e constatei que caso eu houvesse escolhido o partido errado, não teria sido eleito. 

Vários concorrentes alegam que o Sr. fez uma campanha milionária. Isso procede?
Não, fiz uma campanha tranquila dentro dos limites da razoabilidade. Estou elaborando a prestação de contas, mas posso garantir que não gastei nem R$300 mil reais, quando o limite estabelecido pela justiça era R$ 962 mil. Não fiz gastos excessivos, não doei bujões de gás e nem outros benefícios. Fiz compromisso com a comunidade e não vou mudar da minha casa na região sul por medo de cobranças, após tomar posse. Não vou fugir de ninguém. Digo que se puder ajudar as pessoas, continuarei fazendo. Porém, se as demandas e solicitações estiverem além das minhas possibilidades, direi não e pronto. 

E sua linha de prioridades como parlamentar?
Eu vou votar a favor do povo, como disse, já fiz o compromisso. Se o projeto beneficiar a população, conte comigo. Se prejudicá-la, pode ter certeza do meu voto contrário. Isso não é discurso eleitoreiro, mas sim a verdade. Quem votou em mim sabe o que estou falando. Sou favorável à redução da tarifa de esgoto, sou contra o aumento do IPTU, por exemplo. Se pautas como essa vierem a plenário, todos já saberão como votarei. Quero fazer uma política progressiva e participativa. 

E como seria esse mandato participativo?
Ele vai se basear em pilares. Primeiro é o trabalho social com a aquisição de três tendas. Todos os meses do meu mandato, exceto no período vedado pela lei eleitoral, farei uma espécie de gabinete itinerante, cada mês num bairro diferente da cidade. Vamos promover minicursos de cabeleireiro, pedreiro, eletricista, além de atendimentos básicos em fisioterapia, medicina, odontologia, além de um advogado para esclarecer dúvidas da comunidade. É minha obrigação lutar por qualificação e empregos. 

O segundo compromisso é instalar – onde foi o meu comitê eleitoral na avenida Tocantins em Taquaralto – o gabinete número dois. Quando eu não estiver em sessões na Câmara de Vereadores, estarei atendendo no gabinete que ficará perto do povo, evitando o deslocamento das pessoas até o plano diretor, onde está localizada a Câmara.

Terceiro, pretendo transformar uma área que possuo no jardim Aureny III num clube social. Vamos ceder para as associações, pequenas empresas ou sindicatos que não podem pagar por espaço para fazer suas reuniões. Penso em promover casamentos comunitários e ceder, também, o espaço para festas. Enfim, dar vez à comunidade mais carente. 

O Sr. vai adotar uma postura oposicionista à prefeita reeleita, Cinthia Ribeiro?
Me elegi pela oposição, então, é natural que eu me mantenha lá, obedecendo meus princípios. Vou manter a fidelidade partidária. Contudo, é preciso ressaltar que será um oposição com inteligência e de forma responsável. Não para ser contra tudo e insano. 

Não concordo com muitas ações da atual gestão, entre os quais o enfrentamento à pandemia. Muitos comerciantes quebraram pela insistência dela no “lockdown”, quando na verdade hoje sabemos que poderia ter havido flexibilização, observando alguns protocolos. Porque as verbas que entraram não foram utilizadas em barreiras sanitárias nas entradas da cidade?

Também não concordo com o fato dela não baixar o decreto para baixar a tarifa de esgoto de 80% para 40%. Se a iniciativa deve partir do Executivo, porque ela não propõe o projeto? Não sou contra a pessoa da prefeita, mas sim contra os atos da gestão.

E quanto à revitalização da avenida Tocantins? Qual a sua percepção?
Acredito que o projeto denominado “shopping a céu aberto” não atendeu as expectativas dos comerciantes. É preciso ser revisto, imediatamente. Mudar o lugar da ciclovia, reprogramar as faixas de ônibus, entre outras melhorias. A prefeitura precisa se conscientizar que se equivocou e partir para as reformas. Eu creio que a melhor alternativa é ouvir, primeiramente, os comerciantes da região para saber – de fato – o que eles querem. O projeto que a maioria deles aprovar, terá também o meu apoio, enquanto vereador. 

Na região sul também precisamos elaborar projetos e requerimentos para reestruturar o Setor Industrial de Taquaralto. Impossível atrair novas empresas sem infraestrutura, como asfalto, galerias pluviais, esgoto, iluminação pública, etc. Essa será uma das minhas bandeiras. 

O Sr. vai se dedicar totalmente ao mandato ou ainda continuará exercendo, em paralelo, suas atividades comerciais?
Não digo que vou abandonar de vez o comércio, pois ele é o meu sustentáculo. Mas para fazer bem feito é necessário dedicação. Desta forma, minha pretensão é dedicar cerca de 80% do meu tempo para o mandato de vereador, deixando minha empresa nas mãos de pessoas da minha mais absoluta confiança. Eu sei exatamente como funciona o ramo e, por isso, basta olhar os balancetes e o relatório de vendas para saber se tudo está caminhando como deveria ou não. Neste comércio, vende-se apenas um produto, portanto, não há muitas dificuldades. 

Este espaço está aberto para suas considerações finais…
Quero agradecer imensamente ao eleitorado que apostou em mim, que resultou na expressiva votação em 15/11. Os compromissos do palanque estão de pé. Vou retribuir com trabalho, inteligência e educação. Não vou mudar minha essência. Continuarei sendo o mesmo “Lacerda do Gás” de sempre. A partir de 2021, não serei vereador dos 1.161 eleitores que votaram em mim, mas sim de todas as 200 mil pessoas que moram em Palmas.

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