“Retirei a candidatura porque a pluralidade de candidatos inviabilizava as chances da oposição”

O deputado federal Vicentinho Junior explica a retirada de sua candidatura a Prefeitura de Palmas e suas razões para se aliar ao grupo de Carlos Amastha

Politicamente conhecido como Vicentinho Junior, o deputado federal Vicente Alves de Oliveira Junior é natural de Goiânia-GO. Foi eleito deputado federal pela primeira vez em 2014, com apenas 29 anos, pelo PSB, após obter 51.069 votos. Foi reeleito em 2018, pelo PR, atual PL. Neste último pleito, foi o terceiro mais votado, com 49.868 votos, demonstrando força política, uma vez que a eleição de 2018 foi mais disputada que a anterior.

O parlamentar liberal é combativo e aguerrido em seus discursos na Câmara Federal, como também nas redes sociais. Na ampla maioria das vezes, tem encarado sozinho a árdua tarefa de denunciar o que considera como mazelas do Governo do Estado do Tocantins. Exatamente por isso, tornou-se a personificação da oposição.

Nesta entrevista, ele expõe acerca da retirada de sua candidatura a Prefeitura de Palmas, suas razões para se aliar ao grupo de Carlos Amastha, como também suas expectativas para a eleição de 2020. Ele exalta ainda sua luta como fiscal dos recursos públicos e do atual governo do Estado do Tocantins, além de sua atuação parlamentar municipalista.  

Porque o Sr. retirou a candidatura a Prefeito de Palmas, uma vez que as perspectivas eram relativamente boas?
Vi a oposição se perder em Palmas. Um grande número de candidatos que inviabilizava as chances de vitória na disputa. Um duelo de egos com o qual não compactuo, além de políticos sendo candidatos de si mesmo. Fiz a minha parte, recuei e resolvi apoiar o grupo do ex-prefeito Carlos Amastha, com quem caminhamos em 2014 e 2016. 

Acredito, piamente, que o Andrino pode liderar os companheiros e lutar o bom combate, além de discutir as ideias e proposições para Palmas, com grande sabedoria. Por isso, acreditei no projeto e levei o partido que presido no Estado do Tocantins (PL) para compor a chapa.

Mas o Sr. enfrentou resistências dentro partido, como o afastamento do presidente Cesar Simoni?
Não, o Dr. Cesar – que há mais de ano havia assumido o comandar o diretório metropolitano – havia sinalizado, ainda em agosto de 2020, que desejava deixar a presidência. Ele alegou incompatibilidade dessas atividades com a advocacia. Eu solicitei que ele aguardasse as convenções e assim foi feito. Logo após as convenções ele manifestou seu desejo de entregar o cargo e, após avaliar suas razões, aceitei a renúncia. 

Não vou dizer que o relacionamento do Simoni com a Katia Abreu é um mar de rosas, pois não tenho costume de “tapar o sol com a peneira”. No entanto, sua saída da presidência não tem absolutamente nada a ver com a aliança com o PSB, corroborada pelo PSD, presidido pelo senador Irajá e Progressistas, ora comandado pela senadora. 

Ele se desfilou do partido?
Em absoluto, de forma alguma. Ele apenas não é mais o presidente metropolitano, mas continua filiado. Aliás, temos projetos políticos comuns para um futuro breve. A história retilínea do Dr. Simoni lhe credencia, por si só. 

Em razão da renúncia, assumiu a presidência do diretório metropolitano, a ex-prefeita de Palmas e ex-deputada federal, Nilmar Ruiz, que também foi indicada para ser candidata a vice-prefeita na chapa liderada por Tiago “Amastha” Andrino.

O Sr. acredita que o PL consegue eleger quantos vereadores?
Tenho esperança que faremos o vereador mais votado desta capital e, em efeito cascata, elegeremos mais um ou dois vereadores. 

O Sr. está confiando no potencial do pré-candidato Pastor Nelcivan?
Não apenas no dele, que acredito que será um fenômeno eleitoral, mas há vários outros candidatos na nominata do PL com grande potencial. Surpreenderemos muita gente após a abertura das urnas. 

No que concerne às suas reiteradas denúncias sobre ações do Governo do Estado do Tocantins, qual a sua avaliação sobre a recente operação na Secretaria da Saúde, que investiga a compra de camas hospitalares superfaturadas?
Não apenas essa conduta fraudulenta no processo licitatório, como também a compra de máscaras e outros equipamentos de EPI com sobrepreço, foram denunciadas por mim, lá no início da pandemia. Levei aos órgãos de controle os documentos que comprovavam as fraudes e a ações espúrias. 

Ainda há muito mais para ser investigado. Há uma série de outras barbaridades e desmandos desse governo, que venho denunciando dia após dia, inclusive em obras de recapagem de rodovias. Tenho documentos e provas que comprovam os delitos. Não tenho qualquer receio de expor essas mazelas para as autoridades, porque sou um deputado que foi eleito pelo povo tocantinense para representá-lo e fiscalizar as ações do executivo.

Pelas dificuldades que a população do Tocantins já enfrentou em razão de outras cassações, sinto muito em informar ao povo, que a história se repetirá. Podem anotar: o governador Mauro Carlesse será cassado antes de acabar o seu mandato e, quiçá, não sairá preso do Palácio Araguaia, assim como ocorreu recentemente com o governador do Rio de Janeiro. 

Como conviver com esta situação disparatada, uma vez que o Sr. é praticamente obrigado a direcionar emendas para que seu desafeto, o governador do Tocantins, faça a gestão dos recursos?
Eu direciono minhas emendas e luto por benefícios para o povo do meu Estado. É minha obrigação tentar melhorar a vida da população, independente de quem esteja governando. Se é função do atual governador administrar essas verbas, ele também tem que responder pela boa gerência delas. Eu confio desconfiando e, exatamente por isso, fiscalizo a aplicação dos recursos detidamente e o farei até o último dia do meu mandato. 

Qual é o atual andamento da PEC dos Pioneiros do Tocantins, que tramita no Congresso Nacional?
No momento oportuno no Senado Federal, quem apresentou a “PEC dos Pioneiros” foi meu pai, o ex-senador Vicentinho Alves. Aprovada em dois turnos, foi remetida à Câmara dos deputados, da qual sou o relator da matéria. Estou lutando para tentar convalidar os atos de criação do Estado, porque o Tocantins não era como o Amapá e Roraima, por exemplo, que já eram territórios e possuíam estrutura de Estado.

O Tocantins começou do zero. O que eu venho tentando fazer é justiça para algumas dezenas de servidores públicos pioneiros que, na época, foram penalizados por perseguições políticas. Neste limbo jurídico/político eles ficaram desamparados. São pioneiros do FISCO e da Segurança Pública e, o que eu tento, é preservar e resgatar direitos deles, corrigindo um erro histórico ocorrido no Tocantins. O projeto já está apto para ir ao plenário e ser votado. Tenho cobrado, insistentemente, do presidente Rodrigo Maia para que isso ocorra.

Fico triste quando o governo do Tocantins , erroneamente, considera esses pioneiros apenas como um impacto orçamentário. Mais errado ainda é considerar que, para corrigir esse equívoco, se gastará cifras bilionárias, pois não é verdade.

Em relação ao seu mandato, quais os avanços que o Sr. considera como preponderantes?
Tenho dificuldades para falar de mim mesmo ou me exaltar. O que eu tenho a dizer para o povo tocantinense é que estou pronto para lutar o bom combate. Minha vida pregressa não tem “senões e porquês”, nem tampouco processos por corrupção ou improbidades. 

Tenho lutado pelos munícipes tocantinenses, direcionando recursos para serem aplicados nas cidades. Desempenho meu papel parlamentar com todo zelo e afinco e estou pronto para servir o meu Tocantins – Estado do qual tenho muito orgulho. Estarei sempre onde o povo me colocar, disposto a cumprir minha missão e continuar meu trabalho, quer seja como deputado federal, quer seja como senador ou governador.

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