“Represento a essência da oposição e há uma rejeição declarada ao candidato oficial”

Walter Junior concorreu a Prefeitura de Gurupi em 2016, perdendo a eleição por apenas 2,84% dos votos. Neste ano ele se coloca na disputa novamente e diz ter boa perspectiva

Walter Barroso Vitorino Junior é gurupiense e graduou-se em direito na cidade de Brasília-DF. Na gestão do prefeito Alexandre Abdalla, foi procurador geral do município e também esteve responsável pela Pasta da habitação. Deixou como legado seis projetos habitacionais na cidade. 

Ele exerceu o cargo de vereador em Gurupi entre 2013 e 2016, tendo o sido na ocasião, o candidato mais votado. Nas eleições de 2016, concorreu ao cargo de prefeito, obtendo uma expressiva votação, perdendo a disputa para o candidato Laurez Moreira – que disputava a reeleição – por apenas 2,84% dos votos. 

Em 2020 o advogado Walter Junior é novamente candidato ao cargo de prefeito de Gurupi e, nesta entrevista, expõe suas perspectivas e metas, caso consiga se eleger.  

Em 2016 havia um contexto diferente, logicamente, e o Sr. obteve uma expressiva votação. Foi uma espécie de voto de protesto, ou o Sr. se considera a solidificação da oposição em Gurupi?
Mesmo que tivesse sido protesto, a forma como me apresentei nos programas eleitorais trouxe à população uma ideia de como seria a gestão, caso fosse eleito. Se houve protesto em 2016, por insatisfação com a gestão do atual prefeito, creio que haverá muito mais agora em 2020, em relação ao candidato oficial. Há uma rejeição declarada a este candidato – parente do prefeito – e soa como a perpetuação de um reinado. A população tem abominado a familiocracia e esse tipo de conduta. A resposta, certamente, virá nas ruas. 

O partido pelo qual o Sr. disputou as eleições em 2016 (PSDB) agora é controlado exatamente pelo adversário daquele pleito. Como isso se deu e por quais circunstâncias se filiou ao PSD?
Depois da eleição o prefeito eleito começou se infiltrar pelo partido, na tentativa de assumir o diretório. Uma espécie de tática de guerra do tipo: não basta vencer, é necessário humilhar. Antevendo esse cenário e antes que ele se filiasse, sai da sigla. 

Eu não poderia continuar no partido, caso contrário, todo meu discurso contra a gestão dele cairia por terra, não é mesmo? Eu tinha compromisso com aqueles que votaram em mim e exatamente por isso, me desfiliei do partido. 

Por tais razões, me filiei primeiro no MDB, reformulei o diretório, fiz prestações de contas ao TRE-TO e organizamos alguns desajustes. Em 2018, coordenei a campanha dos deputados emedebistas em Gurupi e para a eleição de 2020, formamos um bom grupo. 

Ocorre que por razões políticas, mesmo tendo o MDB e todos os candidatos a vereador caminhando junto comigo, me filiei ao PSD – por afinidades com o Senador Irajá – para disputar a eleição de 2020. Entretanto, já está certo que o MDB, cujo líder maior é o senador Eduardo Gomes, caminhará conosco. 

Algum outro partido compõe essa aliança?
Ao contrário do prefeito atual, não trabalho com imposições ou cabresto. Algumas siglas, como MDB e o PT já sinalizaram que vão caminhar conosco. Creio que virão outros partidos, contudo, temos que aguardar a definição das convenções.

Modestamente, acredito que cada partido que esteja no nosso grupo consiga eleger dois vereadores. O coeficiente eleitoral vai ficar em torno de três mil votos, por isso, creio que a divisão entre partidos será dessa forma. 

E em relação ao PSL, que já havia definido que ficaria no seu palanque? Houve uma reviravolta?
O senador Irajá, presidente estadual do PSD, havia definido com a presidente regional do PSL, deputada Vanda Monteiro, essa composição. Entretanto, não sei por quais razões – se houve ingerência ou interferência do Paço Municipal ou do seu candidato – o PSL recuou e, ao que parece, vai compor o candidato situacionista. Isto, no entanto, ainda não está bem definido. Reafirmo-lhe que é necessário aguardar as convenções partidárias.  

O Sr. está consolidado com o único oposicionista com chances de ganhar a eleição?
Talvez se as eleições não houvessem sido adiadas, esse cenário já estaria definido. Mas veio o adiamento e logo depois, o mês de julho – período de recesso parlamentar para os vereadores, deputados e senadores – e por tal razão, ainda não está definido. Eu tenho certeza que registrarei minha candidatura para enfrentar o atual sistema, mas não posso falar pelos outros oposicionistas. 

Enquanto vereador, entre 2013 e 2016, qual foi o seu grande legado para cidade?
Quando tomei posse tentei caminhar junto com a gestão. Acreditava que se houvesse projetos unificados com o prefeito, a cidade ganharia muito mais. Fazer oposição por fazer é muito ruim e prejudicar a população pelo simples prazer de ser do contra, não é da minha índole. Por isso, no começo de 2013 até meados do mandato, apoiei o prefeito Laurez. 

Depois de um tempo, percebi que os planos dele divergiam dos meus, principalmente no que concerne a obras estruturantes, direcionamento e aplicação dos recursos. Ele não conseguiu estruturar e colocar o aeroporto da cidade em ponto funcionamento para receber aeronaves de médio e grande porte. Também deixou a desejar no que concerne a unir forças para ligar a BR-242 à BR-153 e, enfim, não contribuiu para que a cidade fosse industrializada, o que poderia gerar mais emprego e renda para o nosso povo. Por isso, rompi. 

No que concerne a projetos posso citar, por exemplo, a lei que reserva 10% das vagas da nossa faculdade municipal (UNIRG) para os estudantes de escolas públicas matriculados no município. É uma oportunidade ímpar para os menos favorecidos cursarem medicina, por exemplo. Vários foram outros projetos entre 2013 e 2016 que visavam o bem estar da população gurupiense. 

Porque o Sr. quer ser prefeito de Gurupi?
Eu e minha família construímos toda nossa história nessa cidade, e digo isso não apenas em relação aos meus pais e irmãos, mas também pela minha esposa e filho. Já consegui me estruturar profissionalmente, graças a Deus fui bem sucedido na advocacia. Tenho condições de dedicar meu tempo para a cidade nesse momento. Creio que cada um pode prestar esse serviço ao município que reside e ama. Eu estou me propondo a isso em 2020. Sou contra a eternização no poder, pois creio que essa oxigenação e alternância de poder contribui muito para a democracia. 

Quais os gargalos que a cidade enfrenta e o que o Sr. se propõe a fazer diferente? 
A obras não podem se resumir apenas a manutenção do que existe. É o quê vem ocorrendo na cidade. Precisamos fazer obras estruturantes de expansão, que atraiam novas empresas e indústrias, gerando riquezas, empregos e rendas. 

Há muitas ações que, mesmo sendo alçada estadual ou federal, um prefeito tem que encampar, comprar a ideia e fazer com que o fato de estar ocupando o cargo, traga benefícios para os municípios. Por exemplo, a transformação do aeroporto, a ligação da BR-242 com a BR-153, a revitalização do pátio modal da ferrovia norte-sul, estão prioritariamente a cargo do governo federal. Porém, logicamente, o prefeito da cidade tem que correr atrás, buscar influências e, junto aos parlamentares federais, conseguir fazer com que as obras sejam executadas. 

Como seria sua relação com a Câmara de Vereadores?
Orgulhosamente, reconheço a vereança como grandiosa. Queria que cada um deles fizesse um projeto e que Deus me abençoasse para eu concluir todas eles durante a minha gestão. O vereador é a voz das ruas, a voz do povo. Já fui um deles e, por isso, o parlamento vai contar com todo meu respeito, caso eu seja eleito. 

Como o Sr. viu o enfrentamento da Covid-19 na cidade de Gurupi?
O candidato oficial do prefeito – que até bem pouco tempo era secretário de saúde – teve a ousadia de dizer numa entrevista que Gurupi estava preparado para enfrentar a pandemia. Ora, se nem Nova York ou Londres estavam preparados, Gurupi estaria? Hoje estamos com mais 600 casos na cidade e ainda não há investimentos municipais na cidade. 

Enfim, a condução foi feita de forma muito empírica, como entrega de máscaras, por exemplo. Não posso precisar o quanto o município recebeu do Estado ou da União, mas o que posso dizer é que a aplicação dos recursos não chegou à população. 

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