“Quero ajudar Palmas a ser uma cidade ainda melhor

Bem-sucedido empresário que chegou à capital com a família na carroceria de um caminhão é pré-candidato à Prefeitura e prega política com honestidade

Dock Junior

Fabiano "Parafuso" do Vale | Foto: Divulgação

Fabiano “Parafuso” do Vale | Foto: Divulgação

Proporcionar melhor qualidade de vida à população palmense. É esse o confessado maior desejo do pré-candidato a prefeito de Palmas pelo PRB, Fabiano do Vale. Novato na política, ele enveredou pelo empreendedorismo aos 21 anos e diz que bom senso, caráter, dignidade, honestidade e confiança são elementos cruciais para a nova safra de políticos que pretendem comandar o município, o Estado e a nação nos próximos anos.

Ao Jornal Opção disse que as discussões acerca das possíveis coligações com outras siglas estão em andamento, mas que ele se comporta como um soldado, “um guerreiro à disposição do partido” e, caso seja convocado para a guerra, aceitará de bom grado o desafio de disputar a Prefeitura da capital.

Fabiano Roberto Matos do Vale Filho, popularmente conhecido como Fabiano “Parafusos”, é empresário, 41 anos e casado há 23. Graduado em administração de empresas pela Faculdade Objetivo de Palmas/TO, pós-graduou-se em MBA, gestão empresarial, pela Fundação Getúlio Vargas. Foi presidente da Acipa entre 2011 e 2015.

O sr. se transformou num próspero comerciante em Palmas, talvez um dos mais bem-sucedidos na história da cidade. A capital tocantinense, terra de oportunidades, é mesmo o último eldorado no país?
Toda minha família migrou de Minas Gerais para Palmas em 1992, quando eu ainda era adolescente. Meu pai acreditava muito no potencial econômico e financeiro da cidade. Viemos em condições precárias, trouxemos apenas o básico, todos “embarcados” na carroceria de um caminhão coberto por uma espécie de toldo e colchões espalhados pelo tablado. A viagem durou três dias.

Meu pai sempre trabalhou com caminhões, fazendo fretes, e chegando aqui não foi diferente. Ele transportava materiais básicos para construção, como areia, seixo, tijolos, etc. Em fevereiro de 1995, ele percebeu uma grande carência na cidade relativa à oferta de parafusos e ferragens. As pessoas se dirigiam a Porto Nacional, Paraíso ou Miracema para adquirir esses produtos. Eu e meu pai resolvemos montar uma loja neste ramo, a Fabiano Parafusos, o nome do meu saudoso pai. Com o decorrer dos anos, agregamos naturalmente – face às necessidades do mercado – outros produtos, como materiais elétricos e equipamentos de proteção individual. Eu acabei ficando na loja, enquanto meu pai continuou com os caminhões e uma pequena empreiteira que atuava no ramo de instalações elétricas. O negócio deu certo, cresceu e hoje é basicamente administrado por minha esposa, mesmo porque, posteriormente, inauguramos uma loja de pisos e revestimentos. Mais recentemente, em 2007, após aliança com alguns parceiros, entre os quais meu tio paterno, engenheiro há mais de 30 anos, criamos uma construtora.

E quanto a presidência da Associação Comercial de Palmas (Acipa), que exerceu por cinco anos, como foi essa experiência?
Em 2010, um grupo de amigos empresários estava com a chapa pronta para concorrer à presidência da Associação. Eles me convidaram para fazer parte do grupo, me senti lisonjeado. Sempre fui filiado, porém, nunca havia ocupado cargos diretivos. Todavia, qual não foi minha surpresa ao ser informado que, por unanimidade, eles desejavam que eu concorresse como presidente da chapa. Aceitei o desafio, após o grupo me garantir um suporte, e presidi a Associação por cinco anos, de 2011 a 2015. Fizemos, com sucesso, vários eventos, como o Fenepalmas, além de implantação de vários projetos visando ajudar os micros e pequenos empresários estabelecidos no município. Sempre visei fortalecer o comércio, de forma que criasse uma identidade e Palmas deixasse de depender do serviço público, que naquela época era responsável por 60% dos empregos diretos ou indiretos. Hoje, é responsável apenas por 40% face a expansão do comércio, pequenas indústrias e prestação de serviços. Creio que fiz um bom trabalho e isso foi muito bem visto pela comunidade empreendedora, bem como pela população, de uma forma geral.

Resta claro a crescente vocação agrícola do Tocantins, que vem se desenvolvendo a cada dia. Destaca-se a chegada de novas indústrias, concessionárias, além de outros comércios que se instalaram no Estado e também em Palmas, gerando emprego e renda. Como o sr. avalia a expansão meteórica desse segmento e também a influência da instalação do pátio multimodal da Ferrovia Norte-Sul?
Achei ótimo, fantástico, excelente. Com o Matopiba a nossa esperança de sermos fortes está diretamente ligada ao agronegócio, que abre várias possibilidades. A transposição dos produtos até o pátio multimodal da ferrovia gera emprego e renda, e a comercialização traz receita para as cidades e o Estado. Não há dúvidas que o agricultor e o pecuarista em atividade geram divisas, fomentando os mais variados ramos do comércio. Nesta linha de raciocínio, a Agrotins, por exemplo, deve ser ainda mais valorizada. É ali que estão as novas tendências e tecnologias, experimentos, projetos, etc., que contribuirão para que o agronegócio fique cada vez mais forte no Tocantins.

Na condição de comerciante e ex-presidente da Acipa por cinco anos, como o sr. viu e classificou a implantação do estacionamento rotativo em Palmas e sua consequências – positivas ou negativas – para o comércio?
É algo necessário e natural a todas as grandes cidades. Palmas não é diferente. Algumas situações poderiam ser melhoradas, todavia, não se pode negar que o fato de o cliente encontrar uma vaga para estacionar disponível quase sempre, merece destaque. A operacionalização do serviço é que é ruim. A empresa contratada não conseguiu fazer com que as pessoas assimilassem o processo digitalizado. É fato que nem todas as pessoas possuem smartphones, sabedoria para baixar o aplicativo nem tampouco internet de boa qualidade em seus celulares para fazer o check-in com rapidez. Inobstante a isso, as multas de 10 reais, aplicadas como forma de advertência, causou um celeuma desnecessário junto à população. Outro detalhe: a cobrança do estacionamento rotativo deveria ser apenas no horário bancário, ou seja, das 10 às 16 horas. Não há necessidade de cobrança fora deste horário, mesmo porque o movimento daquela avenida fica reduzido quando as instituições financeiras estão fechadas. O estacionamento tem que atrair o cliente e não espantá-lo. Assim sendo, entendo que alguns ajustes são necessários.

O fato de o prefeito Carlos Amastha ser oriundo do comércio trouxe resultados para os empresários da capital?
Na verdade, há dois anos o país passa por uma crise sem precedentes. Não é apenas em Palmas. A queda do comércio não é local e sim nacional. O prefeito apresentou sim algumas alternativas para o comércio local, porém, é necessário compreender que a crise, a instabilidade política, essa desconfiança desestabilizou não apenas os consumidores que retraíram e diminuíram os gastos, como também os comerciantes da nossa cidade, além dos fornecedores estabelecidos em outros Estados da Federação. A crise no comércio não é, verdadeiramente, um problema da gestão municipal, no meu modo de ver.

Quanto à sua filiação ao PRB e as suas pretensões políticas, o primeiro questionamento é a escolha dessa sigla e o segundo se o sr. é pré-candidato a prefeito de Palmas.
Eu senti segurança e tranquilidade no gestor do partido no Estado do Tocantins, o deputado federal Cesar Halum, e também na equipe dele. Eles me passaram confiança e constatei que temos ideias convergentes e falamos, por assim dizer, a mesma língua. A proposta deles, que eu gostei, me identifiquei e adotei, foi de fazermos nosso trabalho e apresentar propostas, sem, no entanto, falar mal, criticar ou xingar os adversários políticos. Eu sempre pensei que se um dia eu entrasse para a política, que fosse dessa forma, uma vez que não sou adepto de baixarias e troca de ofensas. Se for para fazer política, que seja limpa e sadia, mesmo porque estamos todos fartos das condutas politiqueiras praticadas atualmente no País, no Estado e no município.

Quanto à candidatura à prefeitura, o PRB tem essa pretensão, mas ainda estamos em fase de estudos e análises. Recebi o convite sim, gostei de saber que meu nome foi bem aceito nas ruas, nos comércios, nas igrejas, mas ainda depende de conjecturas políticas com outras siglas dispostas a firmar uma parceria conosco. Sou favorável a lançar o nome do pretenso candidato que seja fruto de um consenso, que todo o grupo apoie e que esteja melhor colocado nas pesquisas. Se o melhor nome for o meu, aceitarei o desafio.

O sr. se considera nova opção para o eleitorado, uma vez que nunca exerceu cargos públicos, e por isso mesmo com baixos índices de rejeição?
Não ter rejeição é realmente um bom começo. Tenho visto isso nas ruas ao conversar com as pessoas e ser abordado por elas, que anseiam por novos nomes na política. As pessoas depositam confiança se há um trabalho prestado na cidade e eu tenho isso para oferecer. A simpatia pela minha possível candidatura tem crescido assustadoramente. Eu mesmo fiquei impressionado com isso.

Contudo, é necessário muita reflexão. A vida privada é completamente diferente da vida pública. Aqui no comércio, viso lucro, dinheiro. Na vida pública, terei que visar a satisfação e o bem-estar da população que votou em mim ou não. Já tenho consciência disso, mas necessito aprender e me adaptar a isso.

Minha intenção é retribuir e proporcionar à cidade qualidade de vida. Sinto-me um cidadão palmense e quero dedicar meus conhecimentos e experiência para ajudar Palmas a ser uma cidade ainda melhor para se viver. Não almejo benefícios próprios, graças a Deus eu não preciso. Entretanto, desejo melhorar as condições de vida da população, em todos os aspectos.

Ser uma liderança entre os empresários pode angariar votos?
Eu defendo a classe com unhas e dentes. O empresário hoje no Brasil é um desbravador e o primeiro a sentir os impactos das crises. A competitividade vem aumentando, as margens de lucro diminuindo. Desde aqueles com 1 ou 2 funcionários até aqueles com 80 ou 100, são pessoas lutadoras, diferenciadas, que se reinventam todos os dias. Não é fácil hoje, em nosso país, manter uma empresa por cinco anos, a maioria fecha as portas antes deste prazo.

Muitas vezes fiquei triste ao ministrar palestras em faculdades aqui na cidade e perceber que 80% dos acadêmicos querem prestar concurso público, em vez de empreender. Deveria ser o contrário, o foco deveria a abertura de novas empresas que poderiam gerar empregos, rendas e contribuíssem com o poder público, através do recolhimento de impostos.

Eu creio que muitos comerciantes da cidade gostariam que alguém — assim como eles — assumisse a Prefeitura de Palmas. É possível que muitos deles comprem a ideia e me apoiem, por conhecerem o meu trabalho e minha índole. Por outro lado, alguns apoiarão outro candidato por questões pessoais e outros se manterão neutros por receio de exposição. Isso é natural, compreensível. Infelizmente o coronelismo do Tocantins ainda não acabou.

"O empresário tem de se reinventar todo dia. Não é fácil, em nosso país, manter uma empresa por 5 anos, a maioria fecha as portas antes deste prazo.” | Foto: Divulgação

“O empresário tem de se reinventar todo dia. Não é fácil, em nosso país, manter uma empresa por 5 anos, a maioria fecha as portas antes deste prazo.” | Foto: Divulgação

No final de 2015, foram promulgadas novas regras eleitorais e dentre elas, a mais polêmica consiste na determinação expressa de que os candidatos não recebam doações de pessoas jurídicas, com o propósito de igualar as campanhas no que se refere aos gastos. Qual sua posição?
Eu gostei, achei que demorou muito. Campanhas políticas deveriam estar vinculadas ao histórico, ao currículo do cidadão na cidade ou no Estado, e não no poder aquisitivo dele ou de seus financiadores. Deveria ser avaliada a conduta do sujeito, como empresário, como funcionário, como profissional liberal, como pai de família, como membro da comunidade. O fato de ter estudado e sua formação superior ser utilizada para beneficiar as pessoas e a cidade, sua conduta moral e ética, enfim, um cidadão digno de respeito.

Essa história do vencedor do pleito ser o sujeito que contratou mil carros para rodar na cidade adesivados ou 3 mil ou 4 mil cabos eleitorais, tem que acabar. A força do poder econômico tem que ser objeto de fiscalização mesmo, eu concordo com a proibição. Eu sou a favor do financiamento público da campanha eleitoral: o tribunal eleitoral destina aos partidos os valores que cada qual faz jus de acordo com sua representação política e as siglas administram essa verba visando a eleição de seu candidato. E digo mais: essa seria a primeira prova para saber se o candidato é um bom gestor e sabe conduzir a administração financeira. Uma primeira avaliação ímpar, visto que se ele demonstra não saber gerir os recursos da campanha eleitoral, certamente também não saberá gerir os recursos públicos.

No que concerne aos vereadores, aliados tão necessários à base de sustentação de um prefeito, há negociações no sentido de lançarem novos nomes no PRB, que é relativamente pequeno no Tocantins?
Há vários nomes dentro do PRB, pessoas sérias e íntegras, que vamos lançar como candidatos a vereador. Não vou citar nomes, sob pena de esquecer algum e cometer injustiças. Há outros nomes também em outros cinco ou seis partidos que pretendem se coligar conosco nessa jornada, que também são muito bons. Não podemos nos omitir. Se as pessoas de bem desistirem da política, não vamos evoluir e melhorar nunca.

Como o sr. classifica suas habilidades para lidar com adversidades, principalmente políticas?
Eu sou declaradamente a favor do bom senso. Para isso, a primeira coisa a fazer é ouvir. Não existe dono da verdade, e todos nós temos pontos de vista que devem ser respeitados. O diálogo é o melhor caminho para tudo e creio que sou capaz de fazer isso, quando necessário, junto ao parlamento municipal.

Um gargalo, verdadeira questão que deve ser debatida pelo futuro prefeito de Palmas é o distrito de Luzimangues. Aquela população está vinculada ao município de Porto Nacional, no entanto, em razão da reduzida distância, está intimamente ligada à cidade de Palmas, suas facilidades, serviços públicos, etc., mas sem recolher impostos para a capital. Qual a saída para essa questão?
A emancipação – que seria o mais viável – é quase impossível, por enquanto. Neste caso, só restaria uma espécie de gestão compartilhada. Os novos prefeitos dos dois municípios devem sentar com o governador do Estado e discutir soluções para os problemas. O quadro é irreversível, as pessoas já foram para lá, estão construindo suas casas porque foi autorizado pelo poder público, não há loteamentos ilegais.

Havendo o desequilíbrio, há que se apelar para o bom senso, fazer uma roda de negociação entre os gestores com a finalidade de encontrar soluções. A população tem que ser atendida e não há estrutura de limpeza pública, saúde, educação, segurança. Isso precisa ser revisto.

Quanto aos possíveis adversários, por ora, é possível enumerar: Marcão Poggio (DEM), Raul Filho (PR), Dep. Gaguim (PTN), Dep. Zé Roberto (PT), Dep. Wanderlei Barbosa (SD), Claudia Lellis (PV) ou deputado Valdemar JR (PMDB) pelo Palácio Araguaia, além do próprio prefeito Amastha (PSB). Qual sua avaliação deles?
Será, verdadeiramente, uma disputa muito difícil. Cada um deles tem suas particularidades, seu público e não deve ser desprezado. Ninguém dessa sua lista é desconhecido, todos têm passado político. Talvez o que pese em meu favor, em relação a eles, seja a ausência de rejeição. O eleitor palmense, ao meu ver, está muito desiludido, anseia pelo novo e há uma característica que não deve ser desprezada: quando o eleitorado de Palmas vira para um determinado lado, parece uma manada, vão todos juntos e a maior prova disso foi a eleição inesperada por muitos, do atual gestor.

Vale ressaltar que a existência de vários candidatos – em razão de ser uma cidade sem segundo turno – beneficia o atual gestor, detentor da máquina administrativa. Assim sendo, penso que muitas coligações devem ser realizadas entre os citados e acredito que o ideal seriam três ou quatro candidatos, no máximo.

É possível coligação com algum deles?
Sim, perfeitamente. Vamos conversar e alinhar pensamentos convergentes. Se todos os citados registrarem candidaturas, infelizmente ficará fácil para Amastha. l

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