Prisão de presidente da Câmara de Palmas assusta o meio político

Folha Filho, do PSD, foi preso pela Polícia Civil e alega ser “inocente”

A segunda fase da Operação Jogo Limpo deflagrada pela Delegacia Especializada na Repressão a Crimes de Maior Potencial contra a Administração Pública (Dracma) continua repercutindo. Ao todo, a Polícia Civil cumpriu 26 mandados de prisão temporária e entre os alvos estavam o presidente da Câmara de Palmas, Folha Filho (PSD), e os ex-presidentes Rogério Freitas (MDB) e Major Negreiros (PSB), além do ex-parlamentar e suplente Waldson da Agesp.

Talvez exatamente em razão de sua proximidade com o ex-prefeito Carlos Amastha (PSB), a prisão do vereador Folha Filho foi a mais comentada. O parlamentar não estava em sua residência no dia do cumprimento dos mandados judiciais de prisão, mas sua imagem com uniforme de presidiário viralizou pelas redes sociais, causando bastante constrangimento.

Na primeira sessão da Câmara que compareceu após ser libertado, na quinta-feira, 9, o vereador socialdemocrata alegou inocência e disse apoiar o trabalho da Polícia Civil. “A Justiça me deu a oportunidade de esclarecer as coisas e com certeza sairei mais fortalecido de tudo isso, muito mais forte do que entrei.”

Folha Filho disse que teve a oportunidade de esclarecer todas as dúvidas da polícia. Porém, reclamou que a polícia “invadiu” o parlamento e causou danos na casa dele. “A polícia foi no meu apartamento, a minha esposa disse que eu estava viajando e foram lá e quebraram a minha casa toda. Tinha necessidade de quebrar as portas da minha casa, de quebrar o portão? Não tinha, mas eu tenho que respeitar o trabalho da polícia.”

Em relação às imagens com uniforme “cenourinha”, Folha Filho lamentou. “Eu pensava que era desnecessário tanta exposição da nossa imagem, mas observei que político que tem cheiro de povo não abaixa a cabeça e não se agacha”, disse o presidente durante a sessão.

O parlamentar recebeu apoio de diversos vereadores, que criticaram a ação da polícia ao expor a imagem do presidente da Câmara. “Com o fim da condução coercitiva fomos surpreendidos no Tocantins pela prisão preventiva para pegar vossa excelência como foi capturado […] fizeram questão de lhe colocar a roupa laranja e isso viralizou em todo lugar”,, disse o vereador Thiago Andrino.

É fato que se trata de uma autoridade, afinal ele é o presidente do Legislativo municipal, mas, antes de tudo, o vereador é um cidadão comum e ele pôde sentir como um contribuinte qualquer é constrangido ao sofrer uma abordagem policial que julga ser indevida. Entretanto, utilizando o paradoxo de um certo presidenciável em campanha: “…caso você não queira o tratamento dispensado aos presidiários ou não gosta das condições desumanas das cadeias, basta não cometer crimes que você não vai para lá. Simples assim”.

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