“Precisamos de políticas públicas direcionadas ao empoderamento feminino”

Vereadora Iolanda Pereira fala sobre o fomento a luta das mulheres no engajamento político

Filiada ao PROS, Iolanda Pereira foi eleita vereadora de Palmas | Foto: Divulgação

Iolanda Pereira Castro é tocantinense de Porto Nacional. Visando ampliar conhecimentos, migrou para Goiânia, a capital dos tocantinenses antes da separação dos Estados. Graduou-se em direito pela PUC/GO e farmácia pela UFG. Atuou nas duas profissões, em Goiânia, até 1997, quando retornou ao Tocantins, fixando residência em Palmas. Foi empresária no ramo da manipulação de fármacos. Após isso, tornou-se professora na Universidade Luterana – Ulbra, tornando-se, posteriormente, coordenadora de curso.

Durante o exercício dessas funções, a Professora Iolanda Castro apaixonou-se pela política. Estudou profundamente sobre o tema entre 2010 e 2012. Candidatou-se ao cargo de vereadora em 2012 pelo PSB, mas não obteve êxito. Continuou engajada nos movimentos estudantis, através da docência, como também movimentos sociais. Também ajudou fomentar a luta das mulheres no engajamento político, trazendo muitas delas para participarem do debate. 

Em 2016, candidatou-se novamente ao cargo de vereadora pelo PSDC, quando obteve 1.045 votos. Em que pese a boa votação, novamente não foi eleita. Já em 2020, migrou para o PROS e tornou-se vereadora em Palmas após o pleito ocorrido em 15/11/2020. 

Qual foi a maior dificuldade encontrada na eleição de 2020?
Sem dúvidas, a pandemia da Covid-19, que acabou com todo planejamento prévio que havíamos elaborado com nossa equipe e nossos colaboradores voluntários. Não foi possível organizar grandes reuniões e o pior: em razão do período pandêmico, o forte do meu eleitorado – alunos e professores que poderiam ser abordados nas universidades – não estavam disponíveis, porque as instituições estavam fechadas. Portanto, enfrentar uma eleição em plena pandemia foi, realmente, uma árdua tarefa. 

E qual foi a alternativa?
Internet e redes sociais, naturalmente. Eu mesmo, exatamente por estar isolada em razão da pandemia, coordenei a distribuição do material e ajudei na elaboração dos “cards”. Fizemos nossas mensagens chegarem aos nossos eleitores, pela internet, redes e pelo telefone. Fizemos pouquíssimas reuniões na reta final da campanha, mas conseguimos, enfim, levar nossa mensagem ao eleitorado que era possível construir um mandato popular, consciente, pela força do povo. O fato é que formou-se uma rede e, graças a Deus, isso nos ajudou muito. 

Porque a Sra. decidiu se filiar ao PROS?
O deputado estadual Professor Junior Geo tem minha admiração e tornou-se meu líder político. Nossas conversas para filiação iniciaram há tempos. Um amigo em comum nos aproximou em 2019, logo após ele tomar posse como deputado. Temos uma linha de pensamento próxima, quer seja no que concerne à educação, quer seja no que diz respeito a forma austera de fiscalizar os gastos do poder executivo. Além do mais, ele havia garantido que não permitiria a filiação de vereadores detentores de mandato, permitindo que os candidatos do nosso grupo disputassem em igualdade de condições. Ele cumpriu o trato e tem meu respeito por isso. 

A Sra. tem obsessão pela política?
Não. Na verdade eu nasci e cresci vivendo política social, dentro da minha própria casa. A vontade de ser vereadora em Palmas é resultante da necessidade de retribuir a essa cidade, tudo de bom que ela já proporcionou. 

Aqui eu me livrei de uma depressão pós-parto, constitui minha família, adquiri bens, me estabeleci profissionalmente. O mínimo que eu posso fazer por essa cidade e para esse povo é servir e retribuir com trabalho no parlamento da capital. Portanto, minha bandeira é o próprio município, de norte a sul, de leste a oeste.  

Evidentemente, é natural que a Sra. tenha estudado as regras e regimentos do parlamento palmense. Em termos de Comissões, quais estariam sob o seu crivo?
Cada uma delas tem sua importância. Caso eu venha participar de alguma, posso lhe garantir apenas que o farei com todo empenho possível, pois os temas ali tratados dizem respeito ao bem estar da sociedade e esse é um tema que defenderei sempre.

Como a Sra. acredita que as políticas para inclusão das mulheres na política poderiam ser fortalecidas?
Aqueles que comandam os partidos precisam ter essa visão e se engajar com a causa. Sermos mais de 51% do eleitorado não é suficiente para convencê-las. Há crenças e dogmas que nos coloca como únicas detentoras de algumas obrigações. É como se fosse exclusivamente “papel feminino”. As mulheres, então, são tão absorvidas por esses “papéis” que acabam não tendo tempo de entrar na política. 

É necessário primeiro inserir as mulheres na sociedade em si, no mercado de trabalho, etc, antes de inseri-las na política. Muitas delas estão subjulgadas, sofridas, totalmente fora dos padrões que a sociedade estabeleceu como ideal. Precisamos, portanto, de políticas públicas mais direcionadas ao empoderamento feminino. 

Qual sua reflexão quanto ao fato de duas mulheres terem assumido duas importantes prefeituras no Tocantins – Palmas e Gurupi – sendo esta última pela ex-deputada Josi Nunes, filiada ao seu partido?
Vejo como extremamente importante essa participação. Estamos imersos numa sociedade altamente patriarcal e nós precisamos romper com esses rótulos, que somos apenas reprodutoras ou donas de casa. Nada contra, mas além disso, nós somos capazes de fazer inúmeros trabalhos importantes para o bem estar da sociedade. Essa inserção na política é de grande valia e muito mais do que necessária. 

Veja: as mulheres, prefeitas, vice-prefeitas e vereadores que obtiveram êxito no último pleito travaram lutas, pode ter certeza. As vitórias estão relacionadas a verdadeiras batalhas que elas travaram anteriormente, muito antes de pensarem em exercer tais cargos. Não podemos desistir. Podemos integrar esse espaço e fazermos com que a nossa contribuição seja extremamente positiva e agradável para o desenvolvimento social.

Em relação às duas prefeitas de Palmas e Gurupi, é motivo de orgulho a ascensão delas. Elas ocuparam esses espaços de poder e decisão depois de muitas lutas, não vamos romantizar. Elas quebraram rótulos e estou feliz que essa luta secular está, aos poucos, se consolidando. Parabéns, não apenas às duas prefeitas, mas sim a todas mulheres que conquistaram cargos nas últimas eleições. 

Suas considerações finais… 
Fiz uma caminhada linda, com resultado legítimo. Foi uma construção popular, elaborada com base na força do povo. Não sou vereadora da comunidade estudantil, mas sim de todas as pessoas que vivem na nossa capital. Minhas condutas e posicionamento nas votações terão esse viés: o projeto tem espirituosidade e vontade popular? Então, deverá que ser abraçado por mim. 

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.