Por que Amastha não decolou?

Ex-prefeito de Palmas Carlos Amastha | Foto: Reprodução

O ex-prefeito de Palmas Carlos Amastha (PSB) é um homem preparado em muitos aspectos. Fala como poucos o que o povo quer ouvir. Tem domínio e sabe cativar o público em suas oratórias. Foi, inclusive, uma espécie de showman no debate da TV Anhanguera, afiliada da Rede Globo no Tocantins, ocorrido na última terça-feira, 2.

Mas por que a campanha eleitoral de Amastha não decolou? Porque os institutos de pesquisas apontam que o governador Mauro Carlesse (PHS), um ilustre desconhecido até poucos dias, será reeleito no primeiro turno?

É que, apesar de ter uma “boa palestra”, Amastha deixa transparecer muita demagogia, populismo e verborragia. Além de tudo, traiu seu eleitorado ao compor com os senadores Vicentinho Alves (PR) e Ataídes Oliveira (PSDB). Não que os senadores sejam inservíveis, mas é que eles representam, na essência, a “velha política que Amastha tanto criticou e disse que jamais se aliaria.

Pela fome de poder, o ex-prefeito rasgou o discurso. Até poucos dias, segundo Amastha, todos os membros do referido grupo de antigos políticos do Tocantins eram patifes, ordinários, aproveitadores e preguiçosos. Vários foram os outros adjetivos pejorativos utilizados e o eleitor se recorda muito bem.

Ocorre que a velha máxima “quem bate nunca se lembra e quem apanha jamais esquece” tem prevalecido. Além dos próprios políticos que fazem parte da velha guarda, os aliados municipais e os correligionários o rejeitam. Aliás, até mesmo os próprios eleitores daqueles políticos insultados não se sentem bem ao ver o deputado, senador, prefeito ou governador de sua preferência, sendo agredido de forma gratuita e verbal.

Em suma, Amastha ganhou duas eleições em Palmas e passou a acreditar que era “Rei do Tocantins”. Levou uma derrota acachapante na eleição suplementar. Demorou para assimilar o golpe, uma vez que reverberou que “não entendia por que a população tocantinense havia optado pelos mesmos políticos de sempre”, classificando-os, pela via indireta e transversa, de analfabetos eleitorais.

A verdade é que Amastha dificilmente teria adversários, caso não agisse de forma tão insana e bipolar. O colombiano, na realidade, perde campo político para ele mesmo, a cada vez que abre a boca. O próprio Amastha é seu maior adversário ao colecionar inimigos, tratar todos os pares com desdém e disparar infantilmente contra possíveis futuros aliados. Enfim, ao falar mais do que a própria língua.

Na segunda-feira, 1, por exemplo, o ex-prefeito foi extremamente infeliz ao tecer comentários desnecessários sobre o episódio dos R$ 500 mil em Araguaína, apreendidos na posse do irmão do deputado estadual Olyntho Neto (PSDB).

Em sua conta no Twitter, Amastha questionou: “Pega ladrãozinho… Novamente a mesma coisa. Até quando, Tocantins?? O braço direito do Carlesse com a mala padrão de 500.000 Reais… Churrasco da derrota ou compra de votos?? Vamos virar essa página. Agora ou nunca mais.”

Chega a ser cômico, para não dizer contraditório e incoerente. Teria esquecido o ex-prefeito que o PSDB de Olyntho faz parte da sua aliança partidária? Se o Olyntho decidiu apoiar o governador Carlesse, em razão do próprio comportamento insano e dos constantes impropérios de Amastha, é uma outra questão. Porém, desconsiderar que seu vice, Stival, e um dos seus senadores, Ataídes, são do mesmo partido de Olyntho foi uma falha pra lá de grotesca, já que o PSDB contribuiu com fundo partidário, além do tempo de TV e rádio para campanha eleitoral. Uma gafe impagável. Um verdadeiro “tiro no pé”.

Ao final, Amastha se assemelha muito a um avião de grande porte, poderoso, confortável, com o tanque cheio, reformado, ou melhor, maquiado, pronto para decolar. Contudo, além de alguns defeitos na fuselagem, incapazes de suportar uma despressurização da cabine, as duas turbinas das asas que lhe amparam também estão indefectivelmente combalidas, sem forças ou capacidade de propulsão.

É que não houve encaixe, mesmo porque as turbinas já foram anteriormente usadas em outros aeroplanos. Talvez apenas uma das turbinas ainda tenha força para um voo solo. Afinal, tem experiência por ter percorrido o Tocantins por longos oitos anos.

Entretanto, para tirar esse arquétipo do chão, é necessário muito mais que alianças ou turbinas. Para sair do chão, o que essa aeronave precisava mesmo era que o comandante ou cérebro exaltasse apenas sua experiência em conduzir bem-sucedidos voos anteriores, ficando calado quando o assunto dissesse respeito ao proprietário ou sócios da companhia aérea, aos controladores de voo ou mesmo aos comissários de bordo, seus colegas de jornada.

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