As forças de segurança do Tocantins em conjunto com as polícias de quatro Estados – Goiás, Mato Grosso, Pará e Minas Gerais – mantêm o cerco aos bandidos que tentaram assaltar uma empresa de valores em Confresa (MT), no último dia 9, e que teriam se refugiado na altura da Ilha do Bananal. As polícias contam com efetivo de mais de 300 homens, viaturas e helicópteros.

As buscas acontecem desde o dia 10, nos municípios de Pium, Marianópolis e região. De acordo com dados divulgados pelo porta-voz da Polícia Militar do Tocantins (PM-TO), major Marcos Morais, seis suspeitos foram mortos em confronto com a polícia e um foi preso. Novo confronto, que levou a mais quatro mortes, aconteceu na área da Fazenda Vale Verde, próximo ao povoado de Café da Roça, na zona rural de Pium, no oeste do Estado. A ação envolveu militares do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) de Mato Grosso, que participaram da força-tarefa.

Segundo estimativa da PM, o grupo é composto por cerca de 20 homens fortemente armados que desembarcaram no Tocantins fugindo de Confresa, após tentativa de assalto a uma empresa de transporte de valores. No dia 10, houve o primeiro confronto, próximo ao Porto Canguçu, norte da Ilha do Bananal, fronteira do Cantão.

“Esses criminosos desembarcaram no Rio Javaés, afundaram as embarcações que estavam usando, roubaram veículos de proprietários de fazendas e já estavam deslocando nas estradas vicinais da região na zona rural de Pium. Numa tentativa de abordagem, o bando evadiu e se dividiu. Um grupo menor partiu em direção à Fazenda Agrojam e fizeram reféns membros da família. Outro grupo entrou na mata”, contou o porta-voz da PM.

O major Morais relata que, a partir daquela data, as forças de segurança começaram a fazer o cerco. “Delimitamos um raio de 50 quilômetros e a partir do Projeto Canguçu começamos a fazer este cerco. Recebemos apoio de quatro Estados e agora nos últimos dias, também de Minas Gerais. A Polícia Civil do Tocantins e de Mato Grosso também estão presentes conosco, unidas no mesmo propósito”, ressalta.

Balanço
Segundo relatório da PM, um suspeito foi capturado vivo e está preso, tendo sido ouvido pela Polícia Civil. “Dois já haviam sido capturados mortos, porque entraram em confronto e infelizmente vieram a óbito. E apreendemos uma quantidade significativa de armamentos, equipamentos, temos inclusive metralhadora ponto 50, armamento próprio para derrubar avião”, comenta o porta-voz que relata que grande quantidade de munições de diversos calibres foi apreendida, incluindo capacetes balísticos, coletes balísticos, motores de popa (barco) e combustível estocado para usar na fuga, além de pertences pessoais.

“Realmente é uma quantidade muito grande de material apreendido. Isso está sendo catalogado para depois ser apresentado à sociedade. A Polícia Civil vai se debruçar sobre isso, bem como a Polícia Federal, que também está atuando no caso, para levantar as informações que há nesses materiais sobre essas pessoas. São informações que vão nos ajudar a identificar inclusive as pessoas que podem não ser localizadas”, defende o porta-voz, Major Moraes.

Entrega de material apreendido
No início da semana a Polícia Civil do Tocantins (PC), por meio da 1ª Divisão de Combate ao Crime Organizado (Deic/Palmas), esteve em Confresa para fazer a entrega à Polícia Civil de Mato Grosso de material apreendido durante o cerco aos criminosos. Na oportunidade foram entregues ao delegado-regional, Bruno Gomes Borges, dois fuzis calibre ponto 50, um fuzil calibre 762, alguns coletes balísticos, capacetes táticos, motores de barco, centenas de munições de calibres diversos, 556, 762 e ponto 50, além de outros apetrechos que estavam em poder do bando fortemente armado.

De acordo com o delegado-chefe da 1ª DEIC, Evaldo de Oliveira Gomes, a ação foi designada pelo secretário da Segurança Pública, Wlademir Mota Oliveira, em cumprimento de determinação judicial da Vara Criminal da Comarca de Cristalândia, que determinou que o material apreendido com os criminosos fosse encaminhado à PC de Mato Grosso, responsável pela investigação do caso.

“A entrega desse farto material também tem como objetivo dar mais celeridade e robustez às investigações, que estão sendo realizadas pela Gerência de Combate ao Crime Organizado, uma vez que isso fortalece a cadeia de custódia, na tentativa de identificar e responsabilizar todos os envolvidos no crime”, frisou o delegado.

As armas entregues já estão sendo periciadas pela Polícia Científica de Mato Grosso. As ações policiais que visam localizar e prender todos os integrantes do bando criminoso seguem em vários pontos do interior do Tocantins.