Operação Catarse da Polícia Civil fecha o cerco contra funcionários fantasmas

 

Foto: SSP-TO

A Polícia Civil do Tocantins deflagrou na quinta-feira, 20, mais uma fase da Operação Catarse. Segundo o delegado José Lucas Melo da Silva, servidora concursada em 2010 na Secretaria da Saúde com carga horária de 40 horas, também seria concursada na Prefeitura Municipal de Paraíso, além de possuir outras três empresas de estética na cidade.

“Não só a carga horária dela no Estado quanto no município eram incompatíveis muito menos com as empresas onde ela divulgava procedimentos estéticos nas redes sociais”, afirmou.

Ainda de acordo com o delegado, no mandado de busca e apreensão, foram recolhidos documentos, computadores e telefones celulares. “Ela será ouvida nesta tarde. Posteriormente faremos as análises dos materiais recolhidos e vamos encaminhar à equipe responsável pela operação para saber se existe uma interrelação entre ela e os demais investigados”, afirmou.

Porto Nacional

Já as delegacias especializadas de Palmas, com o apoio do Grupo de Operações Tática Especiais (GOTE), deflagraram a mesma Operação na cidade de Porto Nacional. Os alvos são possíveis irregularidades na Câmara Municipal.

Segundo o delegado Wagner Siqueira, responsável pela operação, um casal e demais familiares e amigo são suspeitos de montar empresas para concorrem em processo licitatório na sede do Poder Legislativo daquele município. Foram realizadas buscas na Câmara de Municipal de Porto Nacional e nas empresas e escritórios dos suspeitos.

Foram presos temporariamente Marcelo Ribeiro Dias em Porto Nacional, Ubirajara Martins Leite Júnior e Eva Pollyana Dantas em Paraíso do Tocantins e Melissa Martins Santos em Palmas.

“O grupo possuía quatro empresas com o objetivo supostamente de fraudar o caráter competitivo, participando das licitações de equipamentos de informática e de telefonia. Na ocasião, eles provavelmente combinavam os preços para sagrar-se vencedores nas licitações”, afirmou o delegado. A suspeita é que o grupo tenha causado um prejuízo ao patrimônio público na ordem de R$ 700 mil.

Assembleia Legislativa

A Operação Catarse também investiga a existência de pelo menos cinco servidores fantasmas no gabinete do deputado Valdemar Júnior (MDB). Há indicativos de que existem dezenas de servidores que recebem sem trabalhar na Assembleia Legislativa.

Segundo o delegado Cassiano Oyama, responsável por essa fase da operação, existe uma organização criminosa atuando e os servidores fantasmas são obrigados a devolver a maior parte dos salários que recebem. Essa fase da operação ocorreu na quarta-feira, 19, com a prisão do chefe de gabinete do deputado Valdemar Júnior e dois assessores.

Segundo o delegado, as investigações começaram após uma denúncia anônima feita com riqueza de detalhes. Os assessores presos estariam coagindo e instruindo testemunhas sobre o que deveriam contar à policia. “Diante disso começaram a instruir testemunhas e até, em um nível mais avançado, fazer ameaças a essas testemunhas. Isso deu ensejo a prisão preventiva.”

O delegado contou que o esquema funcionava da seguinte maneira: os servidores fantasmas recebiam, em média, R$ 2,5 mil por mês e eram obrigados a devolver a maior parte do salário. Os assessores parlamentares agiam como coletores destes recursos. A investigação conta com gravações telefônicas e comprovantes de transferências bancárias.

“Temos comprovados cinco fantasmas nesse gabinete, mas existe indicativo de dezenas de fantasmas desse mesmo esquema de devolução do salário na Assembleia inteira. Não se dirige a apenas um gabinete. Porém, ainda não há ligação de parlamentares com os crimes”, disse o delegado.

“A investigação aponta que há uma organização criminosa. Ela tem níveis hierárquicos e uma escala organizada de tarefas de cada membro. O fantasma deve assinar pontos falsos, receber o salário, sacar a grande maioria e devolver para os coletores, que estão dentro dos gabinetes. A Polícia Civil chegou até os coletores, por enquanto. O objetivo é chegar até o destinatário final”, enfatizou o delegado.

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