“O Republicanos definiu que serei candidato a prefeito de Palmas em 2020”

Empresário acredita que rejeição do eleitor a políticos tradicionais pode levá-lo a vencer a disputa pela prefeitura da capital

Gil Barison: [A prefeita Cinthia Ribeiro] é uma gestora padrão, que está estagnada no “mais do mesmo” | Foto: Arquivo pessoal

Gil Barison é paulistano, empresário, odontólogo e pioneiro da capital tocantinense. Por ser, segundo ele, apaixonado pelo projeto arquitetônico, fixou residência em Palmas ainda em 1992. Montou um dos primeiros consultórios odontológicos da cidade e revolucionou a radiologia e a ortodontia no Tocantins. Outras clínicas foram abertas em outras cidades e Estados, sempre com matriz em Palmas. Também fez investimentos no segmento imobiliário, agropecuária, produção de leite, mineração de areia, e ajudou, por fim, a erguer a capital.

Nesta entrevista, ele relata sua trajetória e suas expectativas, como também noticia que será pré-candidato a prefeito de Palmas, pelo partido Republicanos, ex-PRB, como também apresenta projetos, ideias e soluções para os gargalos do município.

Na condição de pioneiro da cidade, o sr. viu o município crescer e prosperar, mas, o que lhe convenceu que a capital do Tocantins se tornaria um celeiro de boas oportunidades?

Naturalmente o planejamento da cidade – mesmo que ainda no esboço – demonstrava que daria certo. Àquela época Palmas já tinha a vocação para se tornar a melhor cidade para se morar, em todo o país. Atuei no ramo da radiologia odontológica e ortodontia e, graças a Deus, fui muito bem sucedido. Montei consultórios em São Paulo e até no Estado do Amazonas. Porém, hoje tenho consultório apenas em Taquaralto, Paraíso e no Plano Diretor da capital.

Em 1993, já prevendo a construção da usina em Lajeado e a formação do lago, adquiri 5 quilômetros na área que seria a orla. Eu já acreditava no projeto e pensava, por consequência, em organizar loteamentos. Assim foi feito e hoje nosso grupo conta com o Residencial Caribe Golfe, com o Polinésia, Caribe e Parque das Águas.

Meu entusiasmo com essa cidade é tamanho que hoje, além das atividades imobiliárias, também fiz investimentos no comércio gastronômico e food park, com pizzaria, hamburgueria, restaurante italiano e japonês, etc. Palmas não cansa, enfim, de me proporcionar grandes oportunidades.

E por que resolveu se enveredar pelos caminhos da política?

Todos nós reclamamos muito que Palmas não tem indústrias, capazes de gerar empregos para a população. Notadamente, isso depende da política e do poder público. Não adianta dizer que não gosta de política só porque a forma como os caciques políticos agem lhe desagrada. É que se os bons não entrarem na política, os maus entram e acabam por nos governar.

Relutei por muito tempo, porque realmente não gostava do que via e do “modus operandi” deles. Achei que não era possível prosperar na política, porque tenho princípios, ideais, honro meus compromissos e cumpro minha palavra. Todos diziam que isso não vale muito na política e isso me desestimulava. Mas o tempo passou e agora sinto que preciso rever posições, por isso me filiei e pretendo disputar as próximas eleições municipais.  

O sr. é um empresário bem sucedido na capital, mas nas vezes que seu nome surge no cenário político, os eleitores se lembram que já elegeram um empreendedor para salvar a cidade em 2012 e acabaram sofrendo decepções. Como se livrar desse paradigma?

Há uma enorme diferença nos dois perfis: eu tenho vínculo com essa cidade desde 1992. Eu não caí de paraquedas. Não é difícil verificar que nunca me aproximei do poder público para facilitar o sucesso dos meus empreendimentos. Tudo foi realizado de forma independente. Basta comparar esses históricos.

Contudo, há um desafio adicional: desmistificar essa ideia, provando que o planejamento empresarial pode sim – com responsabilidade – ser aplicado ao poder público. Mas também posso dizer que – depois de 27 anos dizendo que não toparia entrar na política – as pessoas agora não acreditam que eu realmente aceitei o desafio. Vou ter que convencê-las que estou pronto para esta tarefa e que, se elas quiserem, posso dar minha parcela de contribuição para essa cidade.

O que pode ser diferente?

Independente do que houver, sou pré-candidato a prefeito de Palmas e vou até o final. Diferentemente do empresário que já foi prefeito, penso que devemos aumentar a arrecadação, mas não com o aumento de impostos, e sim com o crescimento da escala da arrecadação. É necessário diminuir taxas e impostos para viabilizar o crescimento e evitar a inadimplência.

É preciso revitalizar o setor industrial no que diz respeito à infraestrutura, atraindo empresas e investimentos. Uma política de vantagens tributárias e fiscais aplicadas com coerência é capaz de modificar essa realidade.

Além disso, é necessário priorizar a regularização fundiária, mesmo porque esse mesmo empresário pode dar o imóvel em garantia, caso financie recursos para outros investimentos ou mesmo para capital de giro. Também é possível firmar parcerias com o Sistema S para gerar qualificação de mão-de-obra para atender as empresas que se instalarão no município.

A atual gestora não tem esse perfil?

Não vejo ela com essa vontade e capacidade de gerir de forma tal que dê resultados. Ela é uma gestora padrão, que está estagnada no “mais do mesmo”. Não vi nela esse empenho durante o tempo que permaneceu à frente da Prefeitura.

E quanto à logística que a cidade oferece, como ser melhor aproveitada?

Temos que observar que a Ferrovia Norte-Sul, localizada apenas a 25 quilômetros de Palmas, permite que a cidade exporte tanto para o Porto de Itaqui, no Maranhão, quanto ao Porto de Santos, por meio do entroncamento em Estrela D’oeste [em São Paulo]. Esse fator pode transformar a capital do Tocantins, mas não vejo ninguém incentivar e explorar essas oportunidades únicas para a nossa cidade.

Além disso, a construção civil também está desprestigiada. Hoje há um déficit de 17 mil habitações. As pessoas estão cadastradas, mas não conseguem receber suas casas. Podemos viabilizar material de construção mais barato, além de uma série de outros incentivos, para que as construtoras venham para Palmas e se interessem em se fixar aqui. Há um enorme mercado e, ainda, potencial a ser explorado na capital do Tocantins. O orçamento dessa cidade é de R$ 1,4 bilhão, mas não é bem investido e nem tampouco bem aproveitado.

Por quais etapas passou esse processo de amadurecimento e decisão de se candidatar?

Entusiasmei com a ideia de que o pessoal não quer mais políticos profissionais. Baixei a guarda – não poderia continuar omisso – e comecei a pensar no assunto.

Depois da eleição do Bolsonaro, verifiquei que as coisas mudaram, pois as pessoas acreditaram num sonho e alteraram uma realidade.

Para tanto, contratei uma empresa de pesquisas e queria analisar o cenário de forma qualitativa. O resultado? As pessoas querem gestores com comprovada capacidade, abominam políticos profissionais e seus parentes, além de almejar gestões de transparente. Por fim, elas querem que o candidato tenha vínculos com a cidade.

Além disso, é lógico que as prioridades da população são saúde, educação, segurança, asfalto e mobilidade urbana. Contudo, a pesquisa mostrou que as pessoas querem que os gestores viabilizem trabalho, emprego e geração de trabalho e renda. Então, essa será a bandeira da minha campanha, após registrar minha candidatura.

E como se deu a escolha do partido e a formação da nominata de pré-candidatos a vereador?

Na minha concepção era necessário encontrar um partido de centro-direita, uma vez que minhas ideias não coadunam com os pensamentos esquerdistas. Conversei com dirigentes de várias siglas. Me filiei ao Republicanos, que praticamente substituiu o Aliança pelo Brasil, que não foi possível ser criado antes das eleições. Pois bem, me tornei presidente metropolitano do partido, mas concomitantemente, firmei alianças com o DC e PRTB, o partido do vice-presidente da república General Mourão.

O presidente nacional do partido, deputado federal paulista Marcos Pereira, já gravou vídeos e reafirmou o compromisso do partido com minha candidatura. Importante enfatizar que conseguimos 29 pré-candidatos a vereador pelo Republicanos, enquanto os outros dois partidos da base também conseguiram filiar 29 pretensos pré-candidatos. Neste caso, vamos para as eleições com 87 candidatos a vereador apoiando minha candidatura.

Além disso, o presidente estadual do partido, Cesar Halum, o atual Secretário de Política Agrícola do Ministério da Agricultura – um sujeito altamente capacitado para o encargo – também têm apoiado minha pretensão. Penso que conseguimos formar um grupo coeso.

O partido Republicanos já conta com um vereador no exercício do mandato em Palmas, o pastor Rogério Santos. Qual a sua avaliação do trabalho parlamentar desenvolvido por ele?

Considero o pastor Rogério um sujeito coerente, que defende nossos valores e vota de acordo com sua consciência e convicções. Por isso permaneceu no time. Aliás, foi o único, pois outros vereadores detentores de mandato que estavam filiados aos partidos aliados, preferimos que saíssem, para dar oportunidade para outras lideranças. Precisamos mudar o Poder Executivo, com novas práticas, mas precisamos mudar também o legislativo. 

Nas suas empresas, o Sr. tem total autonomia para deliberar, mas na condição de prefeito, caso eleito, teria que contar com a chancela do parlamento. Para tanto, vai ser obrigado a negociar. O Sr. está preparado para a tarefa, como também para enfrentar “senões” e “porquês”?

Tenho debatido profundamente sobre esse tema com os meus líderes e correligionários. Minha experiência – nos mais diversos setores que empreendi – demanda uma capacidade de liderança e de gestão. Na gestão pública, é necessário administrar contando com pessoas concursadas, que possuem estabilidade e, neste caso, o estímulo para elas aderirem ao projeto é sua capacidade de persuasão e liderança. No parlamento não é diferente. É necessário ter esse conhecimento, diálogo, convencimento e capacidade política para implantar novas ideias e projetos.

E quanto as verbas para a campanha eleitoral?

Gil, na filiação ao Republicanos | Foto: Arquivo
pessoal

Adianto, desde já, que não tenho interesse em barganhas ou “compra de votos”. Não farei acordos espúrios e nem tampouco campanha milionária. Quero ser eleito sim, mas não vou vender minha alma. Não posso colocar minha índole em jogo para ser eleito a qualquer custo.

Ratifico que sou, particularmente, contra o fundo partidário, no entanto, a regra vigente é essa. Não são mais permitidas doações empresariais e, por isso, devemos nos adequar às regras. Inobstante a isso, tenho um certo respaldo financeiro para investir na minha campanha, todavia, não vou fazer loucuras e nem tentar desequilibrar o pleito. 

Logicamente é impossível, neste momento, falar sobre todo o plano de governo, mas qual seria a mola mestre da sua administração?

Além das balizas da geração de emprego e incentivo à indústria, ao comércio e ao empreendedorismo, há outras prioridades no plano de governo, que vem sendo debatido e elaborado, como o prestígio à agricultura familiar, por exemplo. São propostas dinâmicas para a cidade de Palmas.

Também estarão contemplados neste projeto, o planejamento familiar, a valorização da mulher, dos idosos, da família, das minorias, etc. A gestão da capital tem que encontrar mecanismos para enfrentar problemas sociais, visto que há mulheres e crianças em extrema vulnerabilidade. Faltam creches e escolas de tempo integral que realmente desenvolvam os alunos. O modelo atual destas escolas não tem funcionado a contento. Recebi, inclusive, o apoio da ministra Damaris Alves, ressaltando que – caso eu vença as eleições – Palmas se tornará referência nacional, neste particular.  

Com o advento da pandemia o comércio enfrentou sérios problemas e permaneceu fechado por longos dias. Houve, inclusive, demissões e quando foi autorizada a reabertura, 30% deles não conseguiram retomar suas atividades. Como o Sr. vislumbrou esse acontecimento? Vi com muita tristeza, pois os órgãos representativos da classe não estavam engajados. Organizei movimentos e atos independentes em defesa do comércio. Financiei a gravação de um vídeo em que os comerciantes faziam um protesto silencioso, apenas com cartazes nas portas dos seus estabelecimentos, solicitando providências no sentido de não quebrarem por completo. O poder público havia errado na dose, o comercio estava castigados e não conseguia mais sobreviver. Só então a Prefeitura, ao que parece, acordou e resolver flexibilizar a reabertura do comércio. Mas já era tarde, pois 1/3 deles não conseguiu reabrir.

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