“O plano de retomada para Palmas passa pelos pilares da educação, saúde e turismo”

O vereador Tiago Andrino explica as condições e razões pelas quais quer ser prefeito de Palmas e expõe alguns pilares do seu plano de governo

O vereador Tiago Andrino foi o escolhido pelo grupo político do ex-prefeito Carlos Amastha, para ser o candidato a prefeito da capital no pleito de 2020. Graduado em direito e natural de Itajubá-MG, migrou de Florianópolis para Palmas em 2009. Foi secretário Municipal de Governo a partir de 2013. Em 2014 foi candidato a deputado Federal pelo PP, alcançando 36 mil votos e a suplência na Câmara dos Deputados. Já em 2016, foi eleito vereador em Palmas, pelo PSB, com 2.499 votos. Em 2018, candidatou-se, pelo mesmo partido, a deputado federal e, após obter 22.538 votos, tornou-se primeiro suplente da chapa Renova Tocantins. 

Considerado um dos melhores vereadores de Palmas, pela postura, consistência nas ações e legalista na essência, o agora Tiago “Amastha” Andrino destaca, nesta entrevista, suas posições no parlamento, explica as condições e razões pelas quais quer ser prefeito de Palmas e expõe alguns pilares do seu plano de governo. 

Há poucos dias, na condição de vereador, o Sr. e seus pares receberam representantes da Prefeitura Municipal para audiência pública de prestação de contas. Quais foram as suas impressões?
Naquela prestação de contas foi possível ver um retrato da condução que o Poder Executivo teve na pandemia. Falta de transparência, comunicação e uma maquiagem de dados. Quem vive a pandemia na pele, precisando dos serviços públicos, sabe que não houve acolhimento e nem preparos especiais para o enfretamento. Faltaram remédios, testagens, médicos, local específico para atendimento dos pacientes infectados, além da desvalorização dos profissionais da saúde, muitos dos quais em situação de estresse, em razão da pandemia. Não houve diálogo e sim isolamento administrativo. 

A prestação de contas demonstrou que, mesmo havendo muito dinheiro disponível para a Prefeitura de Palmas, as medidas adotadas para o enfretamento da situação de calamidade foram ruins, pois não priorizaram a ciência e, nem tampouco, se preparam a contento. Não houve, por exemplo, blitz nos portais de entrada da cidade, como a rodoviária e aeroporto, como também, não se preocuparam com a superlotação dos ônibus que fazem o transporte público urbano. 

Proporcionalmente, considerando o tamanho da cidade e o número de habitantes, Palmas foi a capital que mais recebeu recursos para serem utilizados no combate à Covid-19. Contudo, os resultados foram desastrosos. Aliado a isso, a gestão sacrificou o comércio – ao copiar o governador de SP – “matou” vários CNPJ e acabou com inúmeros empregos, decretando um “lockdown” que, no momento, não era a melhor alternativa. 

Quando o Sr. fala em “maquiagem de dados”, baseia-se em que, especificamente?
O número de pessoas por km quadrado em Palmas é muito inferior ao das outras capitais. Quando se fala que a proporção de mortos de Palmas e Florianópolis, em relação às outras cidades é infinitamente menor, é uma tentativa grotesca de maquiar dados. A capital catarinense tem sete vezes o número de habitantes por km quadrado que Palmas, recebeu menos recursos federais por habitante e, por fim, redirecionou muito menos recursos do próprio orçamento para o combate à pandemia. É uma questão científica, afeta à geografia e à densidade demográfica. Ao fazer essa comparação para justificar os gastos, restou demonstrada a falta de transparência. 

Se verificarmos no Portal da Prefeitura de Palmas, por exemplo, há pouquíssimos casos de infectados, porque a não há atualização de dados há 60 dias. No jardim Aureny III, o Portal diz que são apenas 270 casos, mas sabemos que já ultrapassa 1.500 ocorrências. Ao deixar de atualizar esses números, passa à população uma sensação de segurança. Contudo, há uma verdadeira maquiagem desses dados. 

O Sr. prepara-se para a sua terceira campanha eleitoral, mas neste ano, de forma diferente, pois o contato físico com o eleitor estará limitado. Como fazer suas ideias chegarem ao eleitor numa eleição praticamente cibernética?
Com certeza será muito diferente em razão da preocupação com saúde de todos, mas ao mesmo tempo, um pleito importante, que definirá os rumos desse município. As pessoas estão refletindo e, ao mesmo tempo, se questionando acerca da manutenção dessa gestão à frente da Prefeitura da cidade. 

Existe um medo declarado, por parte do eleitorado, em razão do isolamento administrativo e por não existir um plano de recuperação pós-pandemia. O orçamento municipal é bilionário, mas o quê tenho visto nas ruas são pessoas reclamando que os recursos estão sendo mal investidos. Há um sentimento forte, por parte dos eleitores, que querem participar do processo, fiscalizar os gastos e mudar o rumo da história. Faremos grande parte da campanha eleitoral de forma virtual, contudo, também faremos pequenas reuniões nos bairros, respeitando o distanciamento social, utilizando os EPIs e obedecendo as demais regras que visam evitar a proliferação do coronavírus. 

É sabido que lutar contra a máquina administrativa é um entrave. Os U$ 60 milhões de dólares que estão sendo utilizados nas obras infraestruturantes de Palmas foram obtidos exatamente pelo seu padrinho político, o ex-prefeito Carlos Amastha, junto à CAF (Cooperativa Andina de Fomento). Como o Sr. pretende agir para que esses recursos não pesem tanto a favor da atual prefeita? 
Se a gestão pública tivesse dado continuidade ao nosso trabalho, pesaria muito. Mas a gestão é composta por início, meio e continuidade. Não pode ter fim. A prefeita optou pela interrupção das nossas políticas públicas e uma delas foi a infraestrutura. Diferente do que ela diz, esses recursos já estavam disponíveis há algum tempo, mas ela preferiu usar apenas no ano eleitoral. A Câmara debateu e aprovou a regularização fundiária em tempo recorde, mas a prefeita não fez a parte dela. Chegou até mesmo a trocar o presidente da Comissão de Licitação, um profissional de carreira excepcional, por um outro com pouca experiência, o que acabou por atrasar todo o processo. 

Eu não sei se foi inconsequência ou oportunismo. Ou se foi os dois. O fato é que as obras só foram liberadas para serem iniciadas muito perto da eleição, certamente para assumir a autoria e angariar votos. Contudo, creio que as pessoas estão muito antenadas, todos sabem como foi todo o processo, o protagonismo do ex-prefeito – que melhorou a liquidez do ente municipal e sua capacidade de endividamento – como também, da própria Câmara de Vereadores. Creio que o eleitorado conseguirá enxergar tudo isso. 

Uma vez eleito, como seria o seu relacionamento com o parlamento?
Totalmente diferente do que se vê atualmente, que não dialoga, se isola, é cheia de improvisos e ineficiente. Antes mesmo da pandemia, a gestão já capengava, pois os resultados da educação já apresentavam queda, por várias razões, além do número de vagas na educação integral terem sido diminuídos. Já a saúde pública, como já foi dito, também não atende as expectativas, não apenas no que diz respeito à Covid-19, mas também em relação a cirurgias eletivas e funcionamento das UPAs. 

O relacionamento da prefeita com o parlamento é péssimo. Não existe diálogo e nem convergência de ideias. Durante a pandemia, os vereadores da base não tinham argumentos para defendê-la e acabaram se esquivando do debate, ficando em silêncio. 

Precisamos fazer essa retomada e vamos organizá-la de forma participativa, juntamente com a co-prefeita Nilmar Ruiz e com o embaixador de Palmas, o ex-prefeito Carlos Amastha, que ajudará muito nessa tarefa. Traremos novos investimentos e projetaremos Palmas para o Brasil e para o mundo. Precisamos retomar o emprego e a renda, focar no desenvolvimento econômico e na indústria do turismo, focando também na melhoria dos serviços públicos como educação, segurança e saúde pública. 

Quais são os eixos do seu projeto de governo?
Certamente o “Cidade Educadora” é o primeiro, apresentando um plano de retomada para o fortalecimento das instituições de ensino em Palmas, desde o fundamental até o superior. Atrairemos pessoas num raio de 1000 km, desde a Bahia até o Mato Grosso, passando pelo Pará e Maranhão. O segundo, o “Destino Saúde”, com conceitos inovadores para a área de saúde, tornando-se referência com selo de qualidade, um modelo que funciona muito bem na cidade de Barcelona que é plenamente possível implantar por aqui. Isso também vai retomar o desenvolvimento econômico. O terceiro, o turismo de eventos públicos e privados, elaborando um calendário forte para o ano todo, começando com a grande festa de réveillon, Palmas – Capital da Fé Internacional, Páscoa, aniversário da cidade, Arraial da Capital, temporada de praia com shows e eventos, Festival Gastronômico e, por fim, o natal. Mas isso não é suficiente, pois ainda há outras possibilidades dentro do “trade” turístico que a capital pode oferecer, como uma etapa do “Iron Man”, por exemplo, ou a instalação de um parque temático na beira do lago, preenchendo as lacunas e gerando, ainda mais, emprego e renda. A gente já fez, sabemos como fazer. Vamos retomar! 

Sua candidatura está vinculada – positiva ou negativamente – ao ex-prefeito Carlos Amastha. Há alguns questionamentos como o “Shopping a Céu Aberto”, o IPTU progressivo e o escândalo do PreviPalmas. Como lidar e superar essas críticas?
A avenida Tocantins é o metro quadrado do Tocantins que mais vende. Já fiz um compromisso com os lojistas e eles dirão a forma como preferem a revitalização da avenida. A ideia do “Shopping a Céu aberto” talvez fosse complexa demais e a ideia não foi entendida e não foi aceita. É preciso consertar, reorganizar o trânsito, a ciclovia, a iluminação e a faixa de ônibus. Mas afirmo que tudo isso será de forma participativa e será feito da forma como os comerciantes acordarem entre si. 

Quanto ao IPTU, minha defesa é que a Prefeitura de Palmas tinha sérios problemas com sua gestão fiscal, que não atualizava a planta de valores e que o ex-prefeito Amastha cumpriu seu papel para reorganizar isso. Creio que este momento é de ajustes e digo que, em momento de pandemia é possível até mesmo reduzir a carga tributária (IPTU e ISS) para alguns setores. 

As alianças com a senadora Kátia Abreu e seu filho Irajá, como também com o deputado federal Vicentinho JR também foram severamente criticadas… 
Nosso grupo político pensa que a atual gestão do Estado do Tocantins não responde aos anseios da sociedade. Quem concorda conosco, foi procurado para essa convergência oposicionista. O deputado Vicentinho é um deles, esteve conosco na eleição passada, é combativo e, estrategicamente, foi muito interessante, porque essa aliança nos trouxe nossa vice, Nilmar Ruiz. 

Já o senador Irajá não estava vinculado a nenhum grupo político e também não havia consolidado sua chapa de vereadores, por isso, declarou apoio. Já o Progressistas, comandado pela senadora Kátia Abreu, sempre foi um aliado. Disputei a eleição de 2014 por esse partido e creio que a executiva nacional/estadual acertou ao acreditar que a minha candidatura era mais viável. 

Diferente das outras chapas que negociaram as candidaturas de vice, nós fomos muito felizes na escolha, pois não houve quaisquer conchavos. Eu e a Nilmar temos projetos para a cidade e, além das fichas limpas, estamos preocupados em resolver os problemas pós-pandemia do município.

As pesquisas qualitativas indicam que Nilmar Ruiz e Carlos Amastha foram os melhores prefeitos de Palmas e eu tenho os dois na minha chapa. Tenho o legado das duas gestões, o respaldo da sociedade e a certeza que seremos capazes de enfrentar o desafio e recolocar Palmas onde ela merece. 

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