“O empresariado precisa entrar na política”

Empresário de sucesso, atualmente secretário de Produção, Cooperativismo e Meio Ambiente de Gurupi, ex-governador admite disputar cadeira na Câmara dos Deputados em outubro

Tocantinense de Araguacema, Tom Lyra migrou para o Estado de São Paulo na década de 1980, com a finalidade de se graduar e ter melhores expectativas, visto que o território que hoje é o Tocantins era uma região esquecida pelos governantes goianos. Ele é graduado em óptica e optometria, com especialização em ótica física, química, geométrica e fisiológica.

Além de ter escrito quatro livros na área de ótica, tem mais de 180 artigos publicados e proferiu mais de 1.200 palestras entre 1997 e 2015. É empresário no ramo de óticas e foi vice-governador do Estado Tocantins em 2010. Atualmente é secretário municipal de Produção, Cooperativismo e Meio Ambiente de Gurupi.

Nesta entrevista, Tom Lyra aborda os avanços da gestão municipal do prefeito Laurez Moreira (PSDB), do qual é um dos mais importantes colaboradores, como também, ressalta suas pretensões políticas e as condições para que isso ocorra nas eleições de 2018.

O sr. é oriundo do comércio e pos­­sui várias óticas espalhadas por diversas cidades tocantinenses, como Palmas, Gurupi, Porto Na­­cional, entre outras. Contudo, hou­­ve uma espécie de migração do empreendedorismo para a po­lí­tica, mesmo porque o sr. já exer­­ceu o cargo de vice-governador do Tocantins. Como foi essa ex­periência?

Gratificante. Foi um coroamento da minha vida profissional. Nasci no Tocantins, migrei na dé­ca­da de 80 para São Paulo para me graduar e pude voltar ao meu Es­tado e empreender de forma sig­nificativa, gerando emprego e renda. Na condição de vice-go­ver­nador, consegui atrair várias in­dústrias do polo ótico para se ins­talarem em Palmas, como a Ke­nerson, que emprega mais de 300 pessoas, além da central de dis­tribuição das Óticas Carol, en­tre outras. Somando todas, tive uma influência direta na criação de mais 800 empregos em Palmas.

Pude perceber naquela empreitada, que havia e ainda há uma ne­ces­sidade do empresariado se in­filtrar na política e trazer sua ex­pe­riência para esse meio, caso con­trário, esses mesmos empresários serão governados por pessoas que só têm experiência política e não de gestão. Nossa visão de de­sen­volvimento econômico, tributação e gestão de recursos econômicos e humanos é muito diferente dos políticos classificados co­mo profissionais.

O sr. é pré-candidato a deputado federal neste ano?

Me sinto preparado para qualquer embate, inclusive este. Posso di­zer que tenho capacidade para con­tribuir com a gestão pública, até porque contribui muito na ges­tão privada. Mas a minha vontade, por si só, não basta. É ne­ces­sário haver composições. Hoje es­tou filiado ao PSD e estou avaliando com o partido esse cenário, en­tretanto, tenho conversado com o prefeito Laurez Moreira, com os senadores Ataídes Oli­veira (PSDB), Vicentinho Alves (PR) e Ká­tia Abreu (sem partido), dos quais recebi convites de filiação e pro­postas para aprofundar nesse projeto.

Vejo com uma boa possibilidade, contudo, jamais aceitaria pagar pelo mandato ou comprar votos, gastando até R$ 7 milhões em uma campanha, como já vi acontecer. Considero isso como um acinte, uma indecência e acho que a população tem que romper com esse ciclo. Se for para ser candidato, que seja dentro de uma proposta nos limites da moralidade e da honestidade, sem jamais me locupletar. Sempre tive princípios éticos e já estive no subcomando do Palácio Araguaia, contudo, muitos que estavam ao meu lado, posteriormente, foram conduzidos para delegacias para serem interrogados e até mesmo presos. Isto nunca aconteceu comigo e enquanto político, não há quaisquer manchas no meu histórico, quer seja como vice-governador, quer seja co­mo secretário municipal. É ne­ces­sário ter responsabilidade e respeito com o dinheiro público, porque como o próprio nome diz, é pú­blico, e não dos agentes políticos.

Portanto, estou estudando com muita responsabilidade e ca­ri­nho, a possibilidade de me candidatar a deputado federal no próximo pleito. Se for para entrar nesse projeto, que a sociedade ganhe com minha eleição, mesmo por­que ao assumir um cargo pú­bli­co, os projetos pessoais devem ser deixados de lado, tornando-se prioridade o bem-estar da população.

Quais foram suas impressões acerca do 1º Fórum de Gestão na Roça, que a secretaria que o sr. comanda promoveu em Gurupi?

O fórum nasceu de uma necessidade que havia dos produtores compreenderem como vender seus produtos para o Estado e o município. Fizemos vários apon­tamentos e detectamos que eles sabiam plantar, cultivar e colher, mesmo porque há um bom suporte do Senar, Ruraltins, etc., mas eles não sabiam comercializar, fazer a composição de cus­tos e gerir as questões fiscais.

Nas minhas andanças pelos assentamentos, percebi que havia uma necessidade de realizar um fórum que discutisse os temas. En­tão, fiz parcerias com o Ru­ral­tins, Senar e o Sebrae, que disponibilizaram, gratuitamente, palestrantes que falaram aos agricultores de forma simples e direta. Hou­ve também uma pequena ex­posição externa de tratores, equipamentos, sementes, defensivos, etc.

Três aspectos podem ser destacados. O primeiro, o interesse de­les no aprendizado, que para mim foi gratificante, na medida em que eles puderam compreender como comercializar seus produtos e receber, através de emissão de notas fiscais, que para eles era um grande entrave. O segundo aspecto, o convencimento de que eles detêm tesouros em suas pro­priedades, que sequer sabem ex­plorar. As palestras abriram aquelas mentes para novas oportunidades, como também, novas perspectivas. E, enfim, as orientações no que concerne à obtenção de financiamentos bancários. Para se ter uma ideia, no município de Gu­rupi em 2017, cerca de R$ 4 milhões, oriundos do Pronaf, voltaram para a União, por não ter sido utilizados.

O prefeito Laurez Moreira sugeriu, e eu acatei, a ideia de uma parceria com estudantes universitários de agronomia. Eles elaboram os projetos de agricultura fa­mi­liar e os agricultores, paralelamente, apresentam aos bancos. Uma vez aprovados, todos ga­nham, uma vez que esses estudantes serão comissionados por esse ser­viço, após a conclusão da transação bancária. O Banco do Brasil, a Caixa Econômica e o Ban­co da Amazônia, Sicred, Sicoob participaram do fórum e também prestaram informações sobre captação de recursos e ob­tenção de crédito.

Quais os outros avanços da sua gestão à frente da Secretaria Municipal de Produção, Coope­ra­ti­vismo e Meio Ambiente de Gu­ru­pi?

Sem dúvidas, a sala do em­pre­en­dedor, instalada nas dependências da prefeitura, com dois servidores prontos para atender pessoas que desejam investir e em­pre­ender na cidade. Em 2017, essa sala atendeu mais de 4 mil pes­soas que acabaram por criar 483 empresas MEI – cabeleireiros, eletricistas, etc., – que se regularizaram e permitiram criar, cada uma delas, um emprego. Nes­te caso, foram mais 800 pessoas que saíram da informalidade. Além disso, nesta sala são emitidas notas fiscais e os servidores au­xiliam na contabilidade, na confecção e preenchimento dos formulários do imposto de renda e fornecem, também, suporte na organização fiscal, trabalhista, tributária e de gestão para os em­pre­en­dedores individuais.

Essas pessoas, com toda certeza, estão confiantes na economia da nossa cidade. Os dados da Se­cre­taria Estadual da Fazenda de­mons­tram que a arrecadação de ICMS de Gurupi cresceu aproximadamente 15%, enquanto Ara­gua­ína tem porcentuais negativos próximos a 4% e Palmas, também ne­gativo, em torno de 6%. Es­ta­mos, portanto, retomando o crescimento econômico da cidade.

E quanto ao distrito industrial, encontra-se em pleno funcionamento?

Apoiamos a instalação de grandes e médias empresas em Gu­rupi. O distrito está todo regularizado e hoje possuímos 389 terrenos disponíveis para doação, sem praticamente qualquer burocracia, bastando apenas que a em­pre­sa esteja constituída e regularizada. O acesso à escritura se dá, no máximo, em 90 dias e esse mes­mo imóvel pode ser utilizado co­mo base de crédito para captação de recursos e capital de giro.

Exemplificativamente, conseguimos trazer e instalar em nosso município, empresas como a Agro e a Foco-Agro, esta última uma das maiores “trading” de grãos, que geram em torno de 70 empregos atualmente. Foram 253 em­pre­sas de grande porte criadas em 2017 e 483 microempreendedores individuais. Temos um saldo positivo de 287 indústrias em Gurupi, o que, proporcionalmente, se comparado a Araguaí­na e Palmas, é algo considerável pa­ra nosso parque industrial. Es­tamos, sem dú­vida, em franco de­senvolvimento.

 Na condição de secretário da Produção, suas visitas a Brasília são constantes, visando trazer novas perspectivas e investimentos para a cidade de Gurupi. Na sua última viagem, no final do mês passado, quais foram os temas tratados e com quais parlamentares?

Estive em reunião no gabinete do senador Vicentinho Alves, juntamente com empresários do município, para tratar de demandas junto ao DNIT, relacionados às obras em andamento de pavimentação da BR-242 – que começa na Bahia e vai até o Mato Gros­so, passando pelo Tocantins –, como também para tratar da duplicação da BR-153, de Aná­po­lis (GO) até Aliança, no nosso Es­tado, na formação de um novo con­sórcio que vai substituir a Quei­roz Galvão. A nossa proposta é beneficiar e inserir empresários da nossa região na prestação des­ses serviços. Esse foi o principal objetivo da visita ao gabinete do senador e ao chefe do DNIT.

Mas o sr. também fez articulações em outros gabinetes parlamentares?

Sim, fui muito bem recebido no gabinete do senador Ataídes Oli­veira (PSDB), com o qual tratei sobre as perspectivas da reforma tributária que tramita no Con­gres­so Nacional, incentivos fiscais, entre outros temas. Uma vez esgotada qualquer hipótese de pro­mover a reforma da Previ­dên­cia neste ano, o foco agora é re­for­ma fiscal e tributária. Pre­ten­demos fazer algumas reformas e im­plementações no Código Tri­bu­tário Municipal e elas devem estar em consonância com as regras a serem inseridas no novo Có­digo Tributário Nacional.

O projeto visa unificar o ICMS, para criar o IVA [Imposto so­bre o Valor Agregado]. Dentro des­se contexto, era necessário me in­teirar sobre o andamento e emendas do projeto entre outros de­talhes, visto que tentaremos im­plan­tar novos mecanismos na co­brança do ISS, em Gurupi.

Também houve tratativas com a senadora Kátia Abreu?

Sim, com ela tratamos sobre os aspectos e crescimento da agricultura familiar. Apresentei um re­la­tório do Fórum de Gestão na Ro­ça que reuniu dezenas de agricultores, uma vez que ela apoiou o projeto, através do Senar. Re­no­vei a solicitação para novos apo­ios à agricultura familiar, de for­ma tal que possamos difundir no­vas técnicas de gestão rural a se­rem implantadas no nosso município.

Como o sr. recebeu a notícia da ascensão da deputada federal Professora Dorinha como nova líder da bancada tocantinense no Congresso Nacional?

Penso que a deputada é uma das melhores parlamentares federais que o Tocantins possui. Trata-se de uma mulher atuante, articulada, comprometida e agrega mui­to na condução desta bancada. Ela conhece todos procedimentos e trâmites em Brasília e o To­can­tins ganha muito com isso. Além dis­so, ela é bem acessível e inteligente, o que, sem dúvida, facilita o andamento dos projetos que irão beneficiar o Estado.

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PAULO CESAR VIEIRA DE ALENCAR

E o povo precisa acordar e não votar em empresários, pois entram na política pra legislar em causa própria.