“O avião da nossa economia está decolando novamente”

Dirigente classista aposta em campanhas para alavancar as vendas no comércio de Palmas, principalmente em datas especiais, como Dia das Mães e Dia dos Namorados

Goiano de Cromínia que migrou para Goiânia em 1967, Davi Goveia graduou-se em jornalismo pela Universidade Federal de Goiás (UFG). Está radicado no Tocantins desde 1977, quando assumiu a gerência-geral da Organização Jaime Câmara, regional de Gurupi, onde permaneceu até 1992. Foi secretário de Comunicação do Estado do Tocantins no segundo mandato de Siqueira Campos como governador, entre 1995 e 1996. Atualmente é empresário no segmento de cine-foto-ótica. É membro da Associação Comercial e Industrial de Palmas (Acipa) e compõe a diretoria do clube de Dirigentes Lojistas (CDL) de Palmas há mais de 20 anos, assumindo a presidência no biênio 2016/2017.

Goveia é um tipo simples, sem arroubos que o poder aquisitivo e a ascensão aos cargos costumam provocar nas pessoas. Dono de um cabedal de histórias hilárias e marcantes, o presidente do CDL Palmas recebeu o Jornal Opção para essa entrevista, em que abordou os entraves, como também o crescimento do comércio na capital, a expansão industrial e comercial do entorno da cidade e, por fim, as perspectivas pela aproximação de datas importantes para o comércio.

Vêm aí o Dia das Mães e o Dia dos Namorados, importantes para alavancar as vendas no comércio. Qual a sua perspectiva para essas duas datas, em que o CDL encaixou uma campanha que está em curso, denominada “Amor de presente em dose dupla”?
Muito positiva. Creio que haverá margem de crescimento próximo a 5%, se comparado às vendas do ano passado. 2015 e 2016 foram anos que trouxeram muita recessão e a expectativa para 2017 é que esse cenário comece a se modificar.

Nessa campanha, os associados compram os kits, de acordo com o tamanho e movimento de cada comércio, e distribuem cupons na proporção dos valores das compras dos clientes. Ao final da campanha serão sorteados vários prêmios entre os cupons participantes, dentre os quais, uma motocicleta zero-km, televisores e vale-compras.

No tocante ao Clube de Diretores Lojistas (CDL) de Palmas, o sr. sempre esteve engajado como membro da diretoria da Acipa e agora exerce a presidência. O associativismo faz parte do seu perfil?
Sim, sempre participei das atividades dessas entidades, desde quando residia em Gurupi. Quando fixei domicílio comercial em Palmas, trilhei o mesmo caminho. Na última eleição, me tornei vice-presidente. Entretanto, com a saída da presidente Cleide Brandão para assumir uma secretaria de governo na Prefeitura de Palmas, assumi o encargo no CDL.

No final do ano teremos novo pleito e eu sempre deixo aberto, em nossas reuniões, que qualquer associado que se habilitar e quiser exercer a presidência, para mim, será prazeroso transmitir-lhe o cargo. Sempre criamos chapas de consenso, não há muitas divergências na entidade, mas poucos querem assumir cargos na diretoria ou mesmo como presidente ou vice, uma vez que exige zelo e dedicação – sem remuneração – e muitos deles têm muitos afazeres e seus próprios comércios para cuidar.

Como é a parceria que o CDL/Palmas mantém com a Acipa? Não há confusão já que ambos defendem os mesmos interesses?
Os associados, na maioria das vezes, participam das duas entidades, que diga-se de passagem, são muito afins. A diferença básica é que o associativismo promovido pelo CDL visa mais a proteção do crédito, enquanto que a Acipa o faz de forma a proteger os interesses dos próprios comerciantes.

Há, também, várias parcerias entre as duas entidades com o Sebrae, que promove palestras motivacionais e cursos visando a qualificação de mão de obra, voltadas para o comércio. Promovemos, também, campanhas com finalidade de incentivar as vendas, como por exemplo, esta que se encontra em curso: Amor de presente em dose dupla, em referência ao Dia das Mães e ao Dia dos Namorados. São duas datas importantes para o comércio, e por isso fizemos apenas uma campanha que engloba as duas datas festivas. Logo após, virá a campanha do Dia dos Pais, emendando com o Dia das Crianças, e por fim, o Natalzão CDL, que é o grande momento do comércio em que, geralmente, sorteamos um automóvel.

Estrategicamente, em novembro de cada ano, costumamos promover o “Feirão seu nome limpo”, uma oportunidade ímpar para os consumidores reabilitarem o crédito. Mobilizamos empresas comerciais dos mais variados segmentos, Bancos, concessionárias de água, energia e telefonia, entre outros. Reunimos todas apenas num local, cada qual com seu balcão, que tem por finalidade negociar débitos e resgatar os clientes, retirando-lhes da condição de inadimplentes. Isso gira, movimenta e fomenta o comércio e é exatamente esse um dos papéis do CDL.

Enfim, há uma parceira forte entre o CDL e a Acipa, havendo participações recíprocas nas campanhas promocionais de cada uma delas. A associação, por exemplo, está sempre presente na campanha do final de ano, promovida pelo CDL, enquanto este faz todos os esforços para ajudar a Acipa em eventos como a Fenepalmas. Essa união de forças contribui para o crescimento de ambas as entidades.

O país passa por uma crise financeira sem precedentes e o comércio, naturalmente, é o primeiro a ser atingido. Esses índices são comprovados pelo CDL, consulta após consulta, de CPFs ou CNPJs. Até que ponto esse funesto estágio da economia atingiu a capital tocantinense, comercialmente falando?
Vejo a economia do país como um avião que decolou no ano 2000 e voou em céu de brigadeiro até 2012. A partir daí, iniciou-se uma vertiginosa queda, que entrou por 2013 e permaneceu até 2015. Quando pensávamos que o solo era o limite, eis que o avião caiu tão forte que adentrou no solo. Fomos, literalmente, ao fundo do poço em 2016. As derrocadas econômicas, as constantes denúncias de corrupção, o processo político que culminou com o impeachment da presidente Dilma Rousseff, entre outros fatores, contribuíram para isso. Em 2017, estamos, por assim dizer, nos organizando para, em breve, fazer o avião decolar novamente. O comércio é uma peça preponderante dessa aeronave.

Palmas, como o resto do país, sofreu significativo abalo. O segmento imobiliário e a construção civil, por exemplo, que giram o comércio e proporcionam empregos, são muito importantes no processo econômico, contudo, quase foram a pique. A avenida JK há pouco tempo, estava repleta de placas de “vende-se” ou “aluga-se”, num cenário aterrorizante. Atualmente, vislumbro boas perspectivas de melhoras econômicas, visto que a capital, de certa forma, reagiu e se reergueu rapidamente.

Qual é o termômetro para essa afirmação?
O número de consultas eletrônicas ao SPC, através do CDL. Quando o comércio paralisa, nem perspectivas de compras – com consultas ao sistema restritivo – acontecem. No mês de abril já houve um significativo avanço no número de consultas, e isso não quer dizer que houve vendas, entretanto, significa que os recursos estão circulando pela cidade. Há, sem dúvida, uma expectativa que haverá melhoras nas vendas.

Outro fator preponderante é a queda da inadimplência. Posso lhe garantir que a liberação dos valores retidos em contas inativas do FGTS, autorizada há pouco tempo pelo governo federal, foram utilizados pelos brasileiros, na sua ampla maioria, para quitar dívidas. Isso, evidentemente, fortaleceu o comércio.

Como comerciante há mais duas décadas, qual é a receita para superar a crise?
O primeiro passo é estar – literalmente – dentro do comércio. Não falo das grandes redes, que possuem organogramas gerenciais, me refiro ao pequeno e o médio lojista, que deve administrar com rédeas curtas. O segundo passo, é estar antenado com as inovações e tendências do mercado. A estagnação comercial é o primeiro passo para a falência. O terceiro e último passo é acreditar que o amanhã vai ser sempre melhor.

Comercialmente a cidade de Palmas ainda depende muito da injeção de recursos advindos dos governos estadual e municipal, ou este tempo já passou?
Ainda é dependente e não tem como ser diferente. Palmas é uma cidade governamental em sua essência e surgiu exatamente para ser sede dos órgãos públicos federais e estaduais, instituições, autarquias, etc.

Os salários desses servidores públicos – concursados ou não – como também os empregos indiretos que os governos geram, contribuem muito para alavancar, de forma preponderante, o comércio da capital do Tocantins.
Além disso, há o turismo de negócios e, também, a instalação de novos hotéis e universidades em Palmas, que acabam, por sua vez, injetando verbas na economia local.

Quanto ao fato da capital do Tocantins estar geodesicamente localizada num centro estratégico e logístico em relação ao resto do País, quais os frutos que poderiam ser colhidos em virtude dessa particularidade?
Viajo com certa frequência, face às atividades que exerço. Posso dizer, sem medo de errar: todos os aviões que decolam ou pousam em Palmas estão sempre lotados. Palmas é um polo de referência para o Oeste da Bahia, Sul do Pará e Maranhão, como também, Norte de Goiás. São investidores, funcionários de empresas ou órgãos, empresários, palestrantes, industriais. Essa cidade é um mundo de oportunidades, com muito potencial para ainda ser desenvolvido e explorado. O chamado “formigueiro” que se criou logo após a ponte sobre o lago, às margens da rodovia que liga Palmas a Paraíso, é simplesmente impressionante. Em breve, Lu­zimangues será emancipado. Não há alternativa, não apenas em razão do crescimento populacional, mas também do comércio e da geração de emprego e renda naquela região.

A Ferrovia Norte-Sul trouxe muitos comerciantes para aquela região. É apenas o começo. Quando a ferrovia estiver funcionando a todo vapor, impulsionará ainda mais a economia de Palmas, como também do Estado do Tocantins. Creio que essa ferrovia será uma mola propulsora para o Tocantins nesta década, assim como foi a BR-153 na década de 70. Um verdadeiro marco de desenvolvimento para toda região.

A sua história se confunde com a própria história do Tocantins, uma vez que o sr. chegou por aqui antes mesmo da criação do Estado. Como isso se deu e devido a quais circunstâncias?
Vim para esta região ainda em 1977, a convite da Organização Jaime Câmara, para coordenar e implantar o canal de TV, afiliada da Rede Globo, na cidade de Gurupi, que englobava mais 22 cidades, entre as quais Porto Nacional, que contavam com repetidoras do nosso sinal.

Em 1992, me aconteceu algo sui generis: por um amigo em comum, Leomar Quintanilha, fui convidado pelo então governador Siqueira Campos a ser candidato a prefeito de Gurupi, sob o argumento que meu nome tinha boa aceitação na cidade, que gozava de conceito, prestígio e confiança da população, após uma pesquisa de intenção de votos, e que, finalmente, ele precisava de uma pessoa assim naquela cidade.

Por mais incrível que possa parecer, eu aceitei o desafio. Fizemos uma convenção partidária e meu nome foi aprovado. Quase “apanhei” do diretor do grupo Jaime Câmara, Luiz Fernando Rocha Lima, quando expus a ele a minha decisão e pedi demissão (risos), visto que, na época, eu já era funcionário havia mais de 20 anos daquela empresa.

Enfrentei e abracei o projeto. Considero que foi uma boa experiência, em que pese minha falta de traquejo com os bastidores da política. O candidato indicado pelo então prefeito João Cruz, o presidente do partido, Raimundo, ganhou a eleição, por uma pequena margem de votos, superando a mim e a Dolores, ex-secretária de Ação Social do ex-governador de Goiás, Henrique Santillo, e ex-primeira-dama da cidade. Enfim, eu era o único novato na política. Contudo, considero a experiência de grande valia, e, hoje, se qualquer político me pedisse um conselho eu diria: tente articular e compor uma chapa que se aproxime do consenso, antes de registrar a sua candidatura. Quanto mais a oposição se dividir, mais fácil ficará para a situação. Eis a lição.

O projeto político foi encerrado? O sr. se desvinculou totalmente desse universo?
Não, exatamente. Em 1994, Siqueira Campos ganhou a eleição para governador, assumindo no ano seguinte. Fui convidado para assumir a Secretaria de Comunicação. Aceitei e exerci o cargo por dois anos, época em que me mudei, definitivamente, para Palmas. Todavia, não disputei mais nenhuma eleição, graças a Deus (risos).

E como ingressou no ramo comercial?
Ainda em 1992, eu já tinha projetos de constituir uma empresa familiar, que seria gerida pela minha esposa e, posteriormente, pelos nossos filhos, como de fato, o fiz, ainda em Gurupi. Após determinado tempo, transferi a sede da empresa no ramo de fotografias para a capital.

Quando se trata do segmento fotográfico, houve mudanças significativas nos últimos anos. As empresas do ramo tiveram que se “reinventar”. O acesso a máquinas digitais e smartphones se popularizou. Especificamente na minha empresa, em que pese ainda trabalharmos com revelações fotográficas, diversificamos muito, para atuar, também, na venda de acessórios, como óculos e relógios. A globalização foi avassaladora e nos forçou a encontrar outros nichos de mercado, nos readequarmos, enfim.

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Joanismar

Temo que este “avião” seja um “teco-teco”!