“Nós, mulheres, temos de ocupar o nosso espaço”

Deputada defende maior participação da mulher na política, fala sobre suas prioridades no mandato e cobra maior autonomia financeira para os municípios

Valderez: “Possuímos capacidade para sermos gestoras, legisladoras, enfim, tudo aquilo que nós quisermos”. Foto: Ulisses Holanda

A deputada estadual Valderez Castelo Branco (PP) foi reeleita, em 2018, para o segundo mandato na Assembleia Legislativa do Estado do Tocantins, após obter 17.790 votos. Ex-prefeita de Araguaína, por dois mandatos consecutivos, sendo a primeira mulher a administrar a cidade, a parlamentar tem se consolidado como uma das principais lideranças políticas da região norte do Tocantins.

Valderez tem um perfil conciliador, de articulação e mantém um bom relacionamento com os mais variados grupos políticos, tanto que assumiu a liderança do Governo Marcelo Miranda (PMDB) e foi alçada novamente ao posto pelo Governador Mauro Carlesse (PHS).

Nesta entrevista ao Jornal Opção, a deputada falou sobre suas prioridades, partidarismo, pacto federativo, perspectivas e participação da mulher na política, entre outros temas.

 A Região Norte e a cidade de Araguaína apresentaram vários candidatos a deputados estaduais em 2018, tais como Jorge Frederico (SD), Marcus Marcelo (PR), Olyntho Neto (PSDB), Luana Ribeiro (PSDB), Elenil da Penha (MDB), Issam Saado (PV), entre outros. Mesmo assim, a senhora foi muito bem votada, ficando na 11ª colocação entre os 24 eleitos. Como a senhora recebeu essa votação e quais foram as razões determinantes para que isso ocorresse? A senhora acha que está relacionada aos seus mandatos de prefeita ou ao primeiro mandato como deputada estadual?
Recebi cada voto com grande alegria e um profundo senso de responsabilidade, porque, como representante escolhida pela nossa gente, é meu dever honrar, não apenas meus eleitores, mas todo o povo tocantinense.

Acredito que uma das razões é o reconhecimento pelo trabalho realizado não só nos oito anos como prefeita e nos quatro como deputada, mas também pela minha vida pregressa. Como gestora, ajudei a mudar a economia de Araguaína, resolvendo o problema da inadimplência, fomentando o setor de indústria e comércio, restabelecendo a economia local e aumentando significativamente a quantidade de empresas em nossa cidade. O serviço prestado à população é a melhor forma de conquistar os votos.

A senhora foi líder do governo Marcelo Miranda (MDB) e agora também assumiu a mesma função no governo de Mauro Carlesse (PHS). A que a senhora atribui tanta confiança em seu nome?
Essa é uma atribuição que poderia ser exercida por qualquer parlamentar. Isso depende de disponibilidade, de representação e independe de sigla partidária.

A senhora está há muitos anos na política, quer seja como prefeita de Araguaína, quer seja como deputada Estadual. Percebe-se que suas preocupações prioritárias são: saúde, funcionalismo público, o social, além do municipalismo, principalmente com a Região Norte do Estado. Como a senhora avalia essas experiências e o seu próprio mandato?
Não considero apenas estas áreas citadas como importantes. Para mim saúde, educação, segurança pública, infraestrutura, funcionalismo público, meio ambiente, cultura, esporte e lazer, o social, geração de emprego e renda, enfim, tudo é prioridade. Durante minha gestão como prefeita, Araguaína foi destaque em todas as áreas, recebendo premiações e certificados de notoriedade nacional e internacional. Como deputada, trabalhei e trabalho dentro do mesmo objetivo. Assumi o compromisso de lutar diuturnamente para melhorar a qualidade de vida do povo tocantinense.

“Um novo pacto federativo poderá garantir que essas gestões tenham recursos para atender demandas básicas dos cidadãos.”

Qual é a atual situação do seu partido, o Progressistas, no Estado do Tocantins? Está consolidado na maioria das cidades?
Sim. Atualmente somos o segundo maior partido do Estado em números de filiados e vamos trabalhar incansavelmente para eleger um número maior de prefeitos e vereadores na próxima eleição.

A senhora é a favor da revisão do pacto federativo que majora as cotas dos Fundos de Participação dos Estados (FPM) e dos Municípios (FPM)? Em caso afirmativo, isso não abalaria as contas e compromissos já firmados pela União?
Sou a favor de que os Estados e os municípios tenham mais condições de desenvolver suas ações, obras e projetos. Sou defensora dos nossos munícipes e acredito na importância de dar autonomia às prefeituras, com uma distribuição justa de recursos. Um novo pacto federativo poderá garantir que essas gestões tenham recursos para atender demandas básicas dos cidadãos.

Face à sua comprovada experiência como gestora pública, na medida em que foi prefeita por dois mandatos, quais seriam as outras hipóteses de arrecadação para municípios como Araguaína? Há outras maneiras de não depender tanto dos governos estaduais ou Federal?
São muitas as formas de fomentar a arrecadação, como, por exemplo, os programas de incentivos fiscais. Esses programas servem como mecanismos para a readequação de empresas, para motivar o pagamento de impostos e consequentemente para o desenvolvimento econômico de uma região. Com esses incentivos é possível gerar mais empregos, gerar renda, fomentar a economia, atrair indústrias e fazer com que o empresário seja o maior empregador do Tocantins e não a máquina pública, como tem ocorrido nos últimos anos.

Quais são as suas perspectivas acerca do mandado legislativo que se inicia?
Iniciamos esta 9ª legislatura com satisfação e boas expectativas. Rogo a Deus que abençoe nosso mandato, para que os próximos quatro anos sejam frutíferos e que, com o Governo Estadual, possamos alcançar muitas conquistas em prol do desenvolvimento do Tocantins. Darei continuidade naquilo que de bom estiver sendo feito, como também vou inovar no que for possível. No que depender de mim, estarei sempre pronta para ajudar.

Dos 24 deputados estaduais, cinco são mulheres. Já dos oito deputados federais, apenas duas são mulheres. Dentre os três senadores, uma é mulher. Como a senhora classifica a participação da mulher na política? Ainda deixa a desejar?
Nós, mulheres, temos que ocupar o nosso espaço. Na Assembleia temos o respeito de todos os demais 19 colegas. É evidente que somos capazes e que devemos estar inseridas na política, assim como toda a população. Temos de buscar cada vez mais o nosso espaço e não apenas esperar. Possuímos capacidade para sermos gestoras, legisladoras, empresárias, cientistas, enfim, tudo aquilo que nós quisermos.

Qual a sua reflexão acerca do dispositivo legal que regulamenta as cotas de mulheres na política?
Importante para incentivar ainda mais a participação feminina na política, contudo, precisa ser aprimorado. Esse dispositivo legal ajudou, especialmente, mulheres que não enxergavam os espaços de poder como um lugar para si. Digo sobre a necessidade de ser aprimorado, pois a Lei foi instituída em 1997 e, embora nós mulheres representemos atualmente mais de 52% dos eleitores brasileiros, ainda somos minoria no que diz respeito à representação política.

Deixe uma resposta

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.