“Minha missão é defender o empresariado e não pretendo indicar secretários para governos”

O jornalista que se tornou um empresário poderoso frisa que os governantes são passageiros e que os empresários continuam gerando empregos e produzindo

Joseph Madeira: “Nós indicamos um secretário para a Prefeitura de Palmas, mas não faremos isto de novo” | Foto: Reprodução

Adepto do associativismo na essência, Joseph Madeira é o típico cidadão que transita onde quer que vá, em razão da diplomacia e convicção ao discorrer sobre os mais variados temas. Além de diretor-executivo do Grupo Jorima, é presidente do Sindicato das Empresas de Segurança Privada, de Transporte de Valores, de Cursos de Formação e de Segurança Eletrônica do Estado do Tocantins (Sindesp) e do Sindicato das Empresas de Asseio, Conservação, Limpeza Urbana e Terceirização de Mão-de-obra do Estado do Tocantins (Seac). Na terça-feira, 27, foi eleito, por aclamação, presidente da Associação Comercial e Industrial de Palmas (Acipa) para o quadriênio 2019/2022.

O maranhense Joseph Madeira é graduado em Jornalismo pela Universidade Federal do Maranhão e em marketing pelo Instituto de Ensino e Pesquisa Objetivo. Está radicado no Estado do Tocantins há mais de 20 anos e diz “amar” Palmas como se fosse sua terra natal. Na capital tocantinense, solidificou o Grupo Jorima, um conglomerado de empresas que atuam no ramo da vigilância privada e eletrônica, asseio e conservação. A holding iniciou, há pouco tempo, investimentos na energia fotovoltaica e se prepara para se solidificar neste nicho em 2019.

O empresário e líder classista afirma que se sente bem quando gera empregos.

 

O sr. chegou ao Tocantins para trabalhar como jornalista e se tornou um dos mais bem-sucedidos empresários do Estado. Como se ocorreu essa transição?
Em 1994, na rodoviária de Imperatriz (MA), com um diploma de jornalista debaixo do braço — pensando se meu destino seria Manaus ou Palmas —, acabei optando pelo Tocantins.

Por qual motivo decidiu pelo Tocantins?
Porque a passagem para Palmas era mais barata do que para Manaus [risos]. Há 24 anos, a capital tocantinenses estava se fortalecendo e consegui trabalho no jornal “Correio Tocantinense”. Para obter o emprego, mesmo sem conhecer nada e ninguém, fez uma reportagem sobre uma eleição na Acipa na qual concorriam Joeder e Sadi Cassol. Coincidência, não é? Dois anos depois, um novo presidente, Alan Divino, assumiu a Associação e me convidou para prestar serviços, voluntariamente, como assessor de imprensa. Aceitei o desafio, porque grato à instituição. Muitas portas se abriram e prestei serviços na área de comunicação para a Eletronorte, onde passei a verificar as atividades de terceirização de mão de obra. Logo identifiquei uma oportunidade de mudar de segmento e ingressei no ramo. Tenho a convicção de que todos nós devemos nos apaixonar por uma causa e ter uma razão para viver. A minha é cuidar bem das pessoas.

 O ingresso no segmento da terceirização começou com empresas de asseio e conservação?
Sim. Meu primeiro contrato foi com a Polícia Militar, para a qual ainda presto serviços. Após isso, servindo sempre com qualidade e excelência, outros e mais outros contratos foram surgindo e solidificando a empresa. Logo após, obtive autorização da Polícia Federal para atuar no ramo da vigilância e segurança e também entrei nesse mercado, que está intimamente ligado à segurança eletrônica, porque ambos se completam.

Quando e como se iniciou o seu ingresso no associativismo?
No constante exercício destas atividades, o conhecimento com empresários da área é mais do que natural. À medida que foram me conhecendo e se inteirando da minha paixão por tudo que faço, depositaram em mim a esperança de que poderia representá-los bem na presidência dos sindicatos patronais das respectivas categorias.

Como o sr. arruma tempo para o exercício de tantas atividades?
O segredo é delegar poderes às pessoas certas, nada mais. A centralização é um modelo mais do que ultrapassado. Além disso, ao confiar missões para seus auxiliares, o gestor faz com que eles se sintam úteis.

O sr. acaba de ser eleito para mais uma tarefa: presidente da Associação Comercial e Industrial de Palmas. Houve unanimidade entre os seus pares e a única chapa registrada foi a que o sr. liderou. Qual a sua expectativa para este desafio?
Primeiramente, quero dizer do meu sentimento de mais profunda gratidão. Pois foi por meio da Acipa que obtive o meu primeiro emprego em Palmas. Assim como Deus já havia me guiado tantas vezes, vejo de novo o seu dedo influenciando os destinos de minha vida. Recebi o convite da atual gestão e fiz esforços para que houvesse uma chapa de consenso. Assumirei o cargo de presidente no início de 2019 e terei o grande desafio de suceder o amigo Fabiano do Vale, que deixa, sem dúvida, um grande legado. A ele, todo o meu reconhecimento e gratidão por tudo que conseguiu realizar à frente da nossa entidade. Dirigir a Acipa me abre a possibilidade de representar muito mais empresas, porque os sindicatos dos quais sou presidente representam poucos empresários. O propósito, além da missão, é escrever um capítulo diferente e marcante na história da Associação.

O sr. atua no segmento de prestação de serviços. Não é muito diferente lidar com empresários e industriais que lidam com vendas e produção?
Será um grande desafio, mas o que importa é o foco. É necessário conhecer aquilo que se faz, querer fazer e dar sempre o melhor de si. Essa regra básica vale para qualquer atividade, empresarial ou corporativa. Vamos ouvir com atenção as necessidades dos empresários e articular ações para auxiliá-los. O fundamental é representá-los com a dignidade que merecem e estar preparado para o exercício do cargo. Além disso, vou delegar poderes aos vice-presidentes para que cada um desenvolva atividades inerentes ao seu perfil — estruturais, financeiros, institucionais, gestão, planejamento. Eles não podem ser e não serão figuras decorativas.

Qual é a sua expectativa com relação aos eventos que a Acipa promove anualmente, como a Fenepalmas e as campanhas promocionais em parceria com o Clube de Diretores Lojistas (CDL)?
É a melhor possível. Vou assumir a presidência da Associação num momento extremamente positivo. O Brasil votou em outubro e optou por mudanças, deixando para trás uma ressaca emocional e psicológica. Isso influi para que o trabalho seja realizado de forma sólida. O país respira a esperança do verde e amarelo. As outras edições da Fenepalmas foram boas e queremos melhorá-las ainda mais. Podemos, por exemplo, evitar equívocos. Tenho quatro páginas em branco — os quatro anos de mandato — e vou escrever nela a mais bela história da entidade.

O sr. fez uma visita institucional ao governador Mauro Carlesse (PHS), por ocasião do lançamento da sua candidatura à presidência da Acipa. Qual é a sua relação com o chefe do Executivo?
Apenas institucional. Durante minha trajetória, aprendi que as boas relações são necessárias. Entretanto, minha prioridade são os empresários que me alçaram à presidência da Acipa. Não são os políticos. O governador me parece uma pessoa de bem. Frise-se, porém, que o exercício do cargo é passageiro. Já os empresários continuam desenvolvendo e fomentando a indústria e o comércio — independentemente dos governantes. Não tenho nem quero ter bandeiras políticas. A minha bandeira é a do empresariado.

Antes mesmo de ser eleito, acompanhado de alguns empresários, o sr. fez uma visita à prefeita de Palmas, Cinthia Ribeiro (PSDB), quando indicaram o empresário Davi Gouveia, integrante do CDL e da Acipa, para o cargo de secretário municipal de Desenvolvimento Econômico. Até o momento, não houve qualquer nomeação.
Fizemos uma visita institucional à gestora e indicamos o colega, mas confesso que, se fosse hoje, não o faria novamente. Não por duvidar da capacidade do Davi, um homem honrado e bom empresário, mas porque os cargos em comissão, de auxílio direto do gestor, devem ser escolhas livres do prefeito e do governador. Como presidente da Acipa, não pretendo mais indicar nenhum empresário para cargos em quaisquer esferas de governo.

Consolidado nos ramos empresariais da vigilância e asseio e conservação, o sr. resolveu investir na área da energia solar. Qual é a sua expectativa sobre o empreendimento?
Em que pese algumas empresas oferecerem energia fotovoltaica aos tocantinenses, todo material utilizado é trazido de outros Estados. Nosso projeto visa construir uma usina e fabricar as placas em solo tocantinense. Minha preocupação é adquirir matéria-prima de empresas que estão solidificadas no mercado, mesmo porque é necessário fornecer aos clientes 25 anos de garantia do produto. Se os números do Sebrae mostram que a maioria das empresas, em média, não sobrevive após três ou quatro anos de atividade, como oferecer essa garantia? Não sou aventureiro, tenho um nome e uma marca conhecida no mercado há 17 anos, por isso é necessário essa retaguarda. Estou a me associando a indústrias brasileiras que estão neste segmento há várias décadas, com comprovada capacidade técnica. Reitero a máxima: “Quando alguém quer fazer algo, e quer fazer o melhor possível, os resultados serão os melhores”. Esta será a filosofia e o propósito da nova empresa que atuará no ramo de energia fotovoltaica.

Por que é importante a diversificação nos investimentos?
O Brasil dá mostras de que vai sair do caos com o novo governo, mas ainda é muito instável. A terceirização é um bom ramo, mas pode (porque não?) entrar em declínio com o decorrer dos anos. Por isso, é importante atuar em várias frentes. É aquela velha lógica: “Quem tem um tem pouco; que tem dois não fica na mão”.

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