“Minha campanha é livre e não está atrelada a caciques ou grupos políticos”

Marcelo Lellis expõe suas impressões sobre Palmas e aponta os seus planos e ideias para a capital, caso seja eleito

Goiano de Inhumas, Marcelo Lelis é um dos pioneiros de Palmas e do próprio Tocantins. Sempre pelo PV, elegeu-se vereador na capital em 2004 e deputado estadual em 2006, após obter 11.857 votos. Em 2010 foi reeleito ao parlamento estadual com a expressiva votação: mais de 24 mil votos. Já disputou a Prefeitura de Palmas em 2008 e 2012, contudo, não obteve êxito. Em 2020, Lelis vai para sua a terceira tentativa, mas desta vez, garante que tudo será muito diferente.

Nesta entrevista ele avalia o cenário político, expõe suas impressões sobre Palmas, bem como revela seus planos e ideias para a capital, caso seja eleito prefeito da capital tocantinense.

O seu ressurgimento no cenário político decorre de um apelo popular, mas também consubstanciado por uma série de fatores, entre os quais o adiamento da eleição para 15/11, o que lhe proporcionou elegibilidade. Qual é sua visão e perspectiva sobre essas ocorrências?
Essa volta foi um processo que foi maturando, aos poucos, na minha cabeça. Analisando todas as intercorrências que já havia vivido, decidi que só valeria a pena se um fosse um projeto totalmente diferente. Sem medo do fiasco e sem entabular composições com grandes grupos políticos ou caciques desse meio, decidi enfrentar o desafio. Sou apaixonado por Palmas, posso contribuir com o debate e apresentar ideias inovadoras. Por isso, expus a ideia para o meu partido e houve sim, por parte dessas pessoas e de várias outras, vários incentivos para isso fosse retomado. 

Sou um pioneiro da cidade, cheguei aqui para fazer os primeiros jardins da cidade. Na condição de Secretário, implantei o Projeto AMA, construí as praias e o parque Cesamar, como também, o projeto turístico de Taquaruçu. Enfim, transformei a paisagem cidade e, agora, quero ter a oportunidade de comandar, pela primeira vez, o nosso município. 

A atual prefeita enfrentou uma certa dificuldade para dialogar com todos parlamentares, quer seja, vereadores, quer seja deputados e senadores. O Sr. já exerceu o cargo de vereador e deputado estadual, é oriundo do parlamento, portanto. Como seria a sua relação com a câmara de vereadores, caso eleito?
Vamos fazer mudanças – e estamos conscientes que serão, num primeiro momento, impactantes e nada fáceis – mas garanto que trataremos com muito respeito os parlamentos. São pessoas que foram, democraticamente, eleitas pelo povo e são os representantes legítimos da população. Faremos um trabalho em conjunto, com diálogo e parceria, e haveremos de encontrar o melhor caminho para governarmos a cidade. 

E quanto aos servidores públicos?
O trato também será diferente no que concerne aos servidores públicos concursados, sempre rotulados como acomodados e responsáveis pelo consumo de grande parte dos recursos públicos. A história não é bem essa. Vamos trazê-lo para o nosso lado para que possamos trabalhar em conjunto. Preciso fazer uma gestão diferenciada nestes quatro anos e jamais vou conseguir sem os servidores públicos – efetivos e comissionados – ao meu lado. Os diretores de escola, por exemplo, serão servidores de carreira escolhidos por pelas comunidades estudantis. 

Os comandantes das UPAs e unidades de saúde também serão servidores concursados, técnicos que tenham competência para o exercício das funções. Assim também faremos no PreviPalmas: o gestor do instituto será um servidor concursado, minimizando o risco de investimentos temerários com as verbas previdenciárias dos nossos servidores. 

Por fim, o Procurador Geral do Município também será funcionário de carreira, pois não vou precisar que ele aprove ou desaprove pareceres ou relatórios, “faça jeitinhos”, para me beneficiar. Não quero corrupção no meu governo e por isso não pretendo interferir na atuação da PGM, porque entendo que a aplicação da letra da lei é necessária. Esse é o meu compromisso. 

Uma candidatura sem amarrações, grandes grupos ou políticos de renome, não lhe parece um tanto quanto utópico, considerando a forma como se faz política no Brasil?
Eu também pensava que poderia ser, contudo, ao contrário, quando exponho minhas ideias e os conceitos da campanha e da gestão, as pessoas aderem ao projeto. Estamos em condições reais de vitória e de apresentar para a cidade uma gestão completamente livre. Não há governadores ou vice-governadores, senadores ou deputados federais por trás da gente. Não há patrões, somos eu o meu vice, Milton Neris, aliados a um grupo de pessoas unidas e interessadas em fazer diferente e que fortalecem e acreditam no nosso projeto. 

Este é o conceito da campanha, por fim. Neste ambiente em que as pessoas estão desesperançosas, sem acreditar em políticos e nem tampouco na política em si, só há um antídoto: a verdade. Quando contratei minha equipe de comunicação a primeira coisa que disse foi: não quero a criação de um personagem, pintado, maquiado ou construído. Vou expor o cidadão Marcelo Lelis, com seus defeitos e virtudes, contando a história como ela é. 

Tudo isso tem o objetivo de criar um mandato livre, sem amarras, onde técnicos compromissados estarão à frente da gestão, ao invés de apadrinhados. Para mim, só dá para fazer política se for desse jeito. É preciso entender que os tempos são outros. 

A pandemia lhe trouxe a elegibilidade com o adiamento das eleições, mas ao mesmo tempo, também trouxe o risco de haver uma alta abstenção no dia do pleito. Isso não te preocupa?
Com toda certeza sim, mas a minha visão é que – independente de todas as candidaturas serem mantidas ou não – o eleitor palmense quer mudanças e, provavelmente, fará o voto útil. A população está insatisfeita com a forma como a cidade vem sendo administrada, eu sinto isso por onde passo. Falta comprometimento e conexão com o município. As nossas praias, por exemplo, quer seja do Caju, quer seja da Prata ou das Arnos, estão abandonadas. Isso também ocorre com o Rodoshopping, com o CAIC da região sul, com o bairro Bertaville, que sofre com o mau cheiro decorrente do esgoto lançado diretamente no lago. É um descaso completo da concessionária e a prefeitura não faz absolutamente nada. 

Desta forma, acredito que as pessoas querem um prefeito presente, atuante, que saia do gabinete e vá para ruas viver a cidade, entender como funciona e ter o diálogo como a primeira ferramenta da gestão. Isso, infelizmente, não acontece hoje. 

Por quais razões o Sr. se comprometeu a não tentar a reeleição em 2024, caso chegue ao cargo em 2020?
Firmei o compromisso público, registrado em cartório, no primeiro dia de campanha. Pensei muito sobre isso, se apenas quatros anos seria suficiente para eu não deixar promessas sem cumprir. Minha reflexão envolveu todos os aspectos das contribuições que posso dar à cidade que amo. 

Entendi que se o cidadão é eleito já pensando na reeleição, no primeiro dia de mandato já sofrerá uma série de pressões de políticos, líderes, entre outros, para que faça a cessão de cargos, secretarias e outros órgãos. Isso iria desvirtuar o projeto político que elaborei para Palmas. Dessa forma, entregarei oito anos em quatro, num mandato livre e sem amarras.

Quero fugir desse modelo perverso de gestão que visa acertar estratégias para obter a reeleição. A grande maioria dos discursos e condutas que visam esse objetivo, se resume em passar o primeiro ano “arrumando a casa”; no segundo e terceiro anos apenas mantém os equipamentos a máquina pública; somente no quarto – após as chuvas – soltam o maquinário na cidade para fazer todas as obras que não foram feitas durante o mandato. 

Ao contrário dos outros candidatos, o Sr. disse que a promessa de construir um hospital municipal imediatamente não era a melhor saída, porque demanda tempo e as pessoas estão precisando do atendimento imediato. Poderia explicar melhor sua lógica?
Não está descartado, no plano de governo, a construção de um hospital municipal. É preciso que isso fique claro. Porém, sendo realista, sem faltar com a verdade, computando-se o tempo para elaborar o projeto, captar recursos, licitar a obra, erguê-la e equipá-la, são dois ou três anos. Ocorre que a necessidade e as urgências médicas das pessoas são para hoje. Vários palmenses estão na fila de espera das cirurgias eletivas há meses ou anos. Eu não posso concordar com isso e, por tal razão, após assumir a gestão da Prefeitura de Palmas, vou catalogar a fila de espera – que conta com as mais diversas patologias. Junto à rede privada hospitalar, vou adquirir as cirurgias e os exames de alta complexidade – dentro da legalidade e pelo preço justo – que a população necessita. É possível fazer porque há verbas do governo federal disponíveis para subsidiar a compra desses serviços, na ordem de 70% e contrapartida do município de 30%. Originalmente, é uma obrigação do Estado, mas as capitais tem essa prerrogativa e podemos oferecer, sim, esse serviço de forma concorrente. Vamos, portanto, zerar a fila de espera. 

O que o Sr. pensa sobre a construção de um Centro de Parto Normal, visto que está entre as atribuições do município a atenção básica?
Creio que não seja tão complicado fazer um Centro com essas especificações e, realmente, aliviaria o fluxo de pacientes no Hospital e Maternidade Dona Regina. Penso que podemos avançar neste campo, com muito diálogo, e proporcionar à população essa benfeitoria. Se o projeto desta obra for relativamente simples, porque não colocá-lo em prática já nos primeiros meses? Não vejo problemas em relação a isso. 

E quanto a outras propostas?
Para a juventude vamos reimplantar o projeto AMA (Amigos do Meio Ambiente), com cinco mil vagas e bolsa de R$ 500,00 por mês para cada adolescente. O AMA será tecnológico, ensinando programação e criação de “start-ups”, com essa cara digital, preparando os nossos jovens para o mercado de trabalho. 

Também vamos promover o “Obra de Mestre” dentro do projeto “Palmas Trabalha”. Neste caso, aproveitaremos a mão-de-obra local – do próprio bairro – para levar asfalto e drenagem, por exemplo, àquelas pessoas. 

É possível, ainda, implantar o passe livre estudantil, existente em várias capitais do país e que vai incentivar, ainda mais, os jovens nas suas respectivas formações, como também, suas famílias. Fizemos as contas, isso custará aproximadamente R$ 17 milhões por ano e a Prefeitura de Palmas tem condições de subsidiar esse benefício.

Além disso, haverá ações como internet de alta velocidade para as escolas localizadas nos bairros mais longínquos, proporcionando acessibilidade aos alunos da rede pública. 

São várias propostas para Palmas, que devem receber investimentos infraestruturantes nas regiões sul e norte. Não que o centro não mereça, mas é que essa região da cidade já está consolidada em outro patamar. Precisamos fortalecer as regiões, onde as pessoas que mais necessitam da gestão pública, residem. 

O que pode ser feito para incentivar o turismo e melhor aproveitamento do lago?
As praias deveriam ser cartões postais, já que possuem infraestrutura, mas necessitam de manutenção. Isso não está ocorrendo na atual gestão. É preciso construir a avenida orla que ligará todas as praias, das arnos, graciosa, prata e caju e, por fim, entrando pela Avenida Teotônio Segurado. 

Em Taquaruçu é preciso fragmentar os eventos ao longo de todo ano. Gasta-se milhões com o festival gastronômico, mas no resto do ano, não há incentivos para atividades turísticas. Pretendo mudar isso, porque reconheço que a estrutura do distrito, a via que chega até lá e, mesmo os restaurantes e pousadas, não comportam tantas pessoas na mesma semana. O turismo é uma grande indústria e precisa ser incentivado com inteligência.  

A secretaria de esportes da minha gestão será fortalecida, porque a população de Palmas é esportista. A cidade chama para isso: plana, com um lago em uma das margens e uma serra do outro. Há um enorme potencial que pode ser explorado dentro desse contexto, como maratonas, provas ciclísticas, pesca esportiva, canoagem, a travessia a nado do lago, o turismo de aventura nas trilhas da serra, entre várias outras. 

Finalizando, o espaço está aberto para suas considerações finais…

Agradeço a esse grande veículo de comunicação, que sempre acompanhou e contribuiu com o crescimento e desenvolvimento do Tocantins, além de sempre ter aberto o espaço democrático para a discussão de ideias no período eleitoral. 

Quero chamar os palmenses para refletirem sobre as eleições, entenderem as propostas e se posicionarem. Gravei um vídeo sobre as pesquisas eleitorais que, infelizmente, tem sido objeto de comércio, impulsionando os candidatos que encomendaram a consulta pública ou puxando para baixo, os adversários. Não quero participar de nada disso, não tenho interesse em “comprar pesquisas” e nem tampouco manipular o processo democrático. 

O voto deve ser consciente, analisando propostas, preparo do candidato, histórico, etc. Nada de ser induzido por falsas pesquisas, vote de acordo com seus princípios e convicções. 

Não tenho interesse em continuar na vida pública após o mandato de prefeito, quer seja como deputado, senador ou governador. Quero dedicar-me a esta cidade por quatro anos e, ao final, fazer com que cada palmense se orgulhe de ter me dado essa oportunidade. 

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