“Maria é múltipla, prova a tridimensionalidade da fé Católica”

Arcebispo de Palmas organiza a Festa do Jubileu pelos 300 anos de aparição da imagem de Nossa Senhora, que vai do dia 3 até o dia 12 de outubro, com celebração de missas, novenas, quermesses e leilões, com a participação de toda a comunidade

Foto: Divulgação

Dock Júnior

Pedro Brito Guimarães nasceu em 1954, em Eliseu Martins (PI). Em 1976, ingressou no Seminário Menor de Oeiras (PI) e, em 1978, iniciou seus estudos no Seminário Maior de Fortaleza (CE), onde cursou Filosofia. A graduação em Teologia ocorreu na Pontifícia Universidade Gregoriana, em Roma (Itália), concluindo, após três anos, seus estudos preparatórios ao sacerdócio.

Foi ordenado diácono em 1985 na cidade de Floriano (PI) e, em 1986, na cidade de Eliseu Martins, foi ordenado sacerdote. Em 1988, retornou a Roma com a finalidade de fazer seu mestrado em Teologia Dogmática, na Pontifícia Universidade Gregoriana. Posteriormente, concluiu seu doutorado em Teologia Dogmática, pela mesma universidade.

Em 2002, o Papa João Paulo II o elegeu bispo da Diocese de São Raimundo Nonato (PI). Em 2010, foi nomeado arcebispo de Palmas, pelo Papa Bento XVI.

Nesta entrevista exclusiva ao Jornal Opção, ele trata da adoração dos católicos pela figura de Nossa Senhora Aparecida, a Padroeira do Brasil, feriado que se comemora no próximo dia 12 de outubro.

Em 2017, comemoram-se os 300 anos da aparição da primeira imagem de Nossa Senhora Aparecida no Brasil, quando será realizado o Festejo do Jubileu. Sabe-se que o catolicismo – baseado nos ensinamentos do Cristo – cresceu e tornou-se uma das maiores e populares religiões do planeta, contudo, há uma dicotomia dentro do seio da Igreja, uma vez que os católicos adoram Maria, colocando-a como uma divindade quase à altura de Jesus Cristo. Como explicar essa espécie de “confusão” para os não católicos?

A Mariologia universitária, teológica, é diferente daquela professada pelos fiéis, intimamente ligada às emoções, popularesca, sem racionalismos. Temos muito cuidado ao tratar do tema, com o intuito de não praticar heresias, mesmo porque estamos nesta batalha há 2 mil anos.

Entretanto, para simplificar, podemos dizer que tudo de Maria é mérito de Cristo, em função de ela ser a mãe dele, a depositária virginal do enviado de Deus, que encarnou na Terra, enquanto ser humano, como todos nós. Em virtude dessa condescendência de Deus, é que enaltecemos Maria, na medida em que Ela foi importantíssima para todo o processo. Jesus é divino, não Maria, que até receber o Messias em seu seio era, então, uma pessoa comum. Deus escolheu um seio virginal, sem a mancha do pecado, onde Jesus poderia ser formado e encarnar. Assim sendo, cabe a nós respeitar a escolha de Deus e exaltar Maria, por tudo que ela representa.

E quanto às mais diversas ramificações que foram surgindo ao longo do tempo, em torno da mesma figura, como Nossa Senhora Aparecida, Nossa Senhora de Natividade, Nossa Senhora de Fátima, entre outras?

Não há problema nenhum nisso, ao contrário, é uma riqueza. Maria é múltipla, é a prova da tridimensionalidade da nossa fé. Ligados a um dogma, podemos vê-la de várias formas: como mãe de Jesus; como Conceição, vez que nasceu preservada do pecado original; como Assunção, que subiu aos céus; como Aparecida, que apareceu como salvadora; como Natividade, protetora dos nascimentos; como Fátima; como Consolação, etc. Olhar de apenas uma forma, estaríamos empobrecendo o mistério. Não há unanimidade quando se fala de futebol, economia e política, por exemplo. Evidentemente, não é diferente com a fé, que depende muito das culturas de cada povo, cada tempo, cada lugar e, exatamente por isso, Maria pode assumir feições de índia, negra, salvadora, mãe, capaz de ajudar em partos, protetora, consoladora, enfim, várias feições. Cada um de nós se apega a ela por uma questão cultural ou uma necessidade. São simbolismos e devemos analisar todas as coisas – e não apenas a fé – de uma forma mais ampla, mesmo porque já dizia Nelson Rodrigues, “toda unanimidade é burra” (risos).

Em que pese a aparição da primeira imagem ter ocorrido há mais de 300 anos, o Brasil só reconheceu legalmente Nossa Senhora Aparecida como padroeira do país em 1981, instituindo o feriado de 12 de outubro a partir daquele ano. Quais os fatores preponderantes para que isso não ocorresse antes?

Creio que se fosse nos dias atuais, nem sei se essa lei seria aprovada, na medida em que os comerciários fazem grande pressão sobre os gestores, quando se trata de feriados religiosos. Oficialmente, se deu apenas em 1981, mas os costumes católicos prevalecem, existindo leis ou não. Vou dar um exemplo: não há um só dispositivo legal que preveja a terça-feira de carnaval como feriado, no entanto, está instituído no calendário religioso e as instituições, bem como as pessoas, respeitam a data. Então, a instituição do decreto legal apenas regulamentou o que os brasileiros tinham como prática e devoção.

E no que se refere a essa aparição da imagem da santa no Brasil, o que a história nos revela?

Ao contrário do que houvera ocorrido com as aparições espirituais de Fátima e, também, de Lourdes, no Brasil foi encontrada uma imagem da Santa, sem cabeça, no leito do rio Paraíba do Sul. É que um certo Duque empreendeu, à época, uma viagem do Rio de Janeiro (RJ) para Mariana (MG) – olha que coincidência o nome da cidade destino –, devendo passar pelo Vale do Paraíba e hospedar-se durante a viagem na cidade de Guaratinguetá (SP). Aos pescadores, foi encomendado que pescassem muitos peixes para servir o Duque e sua comitiva. Ao jogarem a rede, pescaram a imagem da Santa Aparecida. Toda a mística ganhou corpo e o simbolismo da imagem negra, na sua essência, representa a proteção aos negros, pobres, menos favorecidos enfim, mesmo porque vivia-se o período de escravidão no Brasil. Todo esse histórico, ligado à água, aos peixes, ao combate à fome, à luta contra o preconceito está representado pela doutrina Mariana e hoje, no Brasil, temos o maior santuário mariano do mundo.

Como o Papa Francisco vislumbra a fé dos brasileiros e qual a importância de sermos o maior país católico do planeta?

O Papa respeita esta história e no ano de 2013 visitou o Santuário de Aparecida em São Paulo e fez uma magnífica homilia, que pode ser facilmente encontrada na internet. Um trecho diz: “…venho hoje bater à porta da casa de Maria, que amou e educou Jesus, para que ajude a todos nós, os Pastores do Povo de Deus, aos pais e aos educadores, a transmitir aos nossos jovens os valores que farão deles construtores de um País e de um mundo mais justo, solidário e fraterno. Para tal, gostaria de chamar à atenção para três simples posturas: Conservar a esperança; deixar-se surpreender por Deus; viver na alegria…”

É com esse espírito que o Santo Papa vê a figura de Maria, tão idolatrada pelos brasileiros católicos e pela qual Ele tem um amor muito grande. Para nós, Maria é nossa mãe, nossa protetora, a personificação do papel maternal, assim como houvera ocorrido na Galileia.

E qual é a programação para esta data tão importante para os fiéis?

Vamos comemorar na Paróquia Matriz de Nossa Senhora Aparecida, em Taquaralto, a Festa do Jubileu. A proposta é envolver toda a Arquidiocese de Palmas neste ano jubilar, quando comemoram-se 300 anos de aparição da imagem de Nossa Senhora. A festividade vai do dia 3 até o dia 12 de outubro e terá a celebração de missas, após as novenas, como também quermesses e leilões, com a participação de toda a comunidade.

Particularmente, nesse ano vou até a cidade de Aparecida do Norte, em São Paulo, no dia 12 de outubro, na medida em que nunca estive por lá na época da festa e tenho grande interesse em me postar como peregrino e penitente.

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maria ta morta, nem sabe quem somos, o q é múltiplo é o diabo, aparece em várias formas

Jaqueline consagrada comunidade doce mãe de Deus

Paz e bem, saio desta leitura com o coração muito grato por cada palavra dita de nosso bispo Dom Pedro,por aprender um pouco mais de Maria ela que é nosso modelo de santidade, pois não houve quem servisse assim a Deus como Maria ,por seu sim fecundo que nos ensina todos os dias seguir a Deus

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