“Marcelo Miranda não terá dificuldade para fazer a presidência da Assembleia”

Deputado estadual eleito, Valdemar Júnior (PSD) afirma que o o prefeito de Palmas, Carlos Amastha, terá de fazer parceria com o novo governador para o bem da capital

Gilson Cavalcante

Foto: Gilson Cavalcante

Foto: Gilson Cavalcante

Um dos dois vereadores da capital eleitos a deputado estadual, Valdemar Júnior (PSD) acredita que o prefeito Carlos Amastha (PP) fez uma opção errada ao apoiar o governador Sandoval Cardoso (SD) nas eleições passadas. Na entrevista exclusiva ao Jornal Opção, revelou que tinha aconselhado o prefeito a não participar diretamente do processo sucessório majoritário, devido a um contencioso com o presidente regional do PP, deputado federal Lázaro Botelho, ainda no período das convenções. Valdemar Júnior acredita, no entanto, que o prefeito aprendeu muito com a derrota e que tem condições de recuperar o seu espaço político. O apoio do prefeito a Sandoval foi concretizado em troca de obras do governo estadual para a cidade. Amastha não conseguiu eleger os dois candidatos de sua preferência à Assembleia Legislativa e à Câmara federal – Major Negreiros e Thiago Adrino, respectivamente. “Agora, institucionalmente, deve dialogar com o governador eleito Marcelo Miranda (PMDB), a partir de janeiro. Estado e município são parceiros, vão trabalhar juntos e terão que dar um resultado prático para a cidade de Palmas.”

Como o sr. vislumbra esse novo cenário politico estadual, com a eleição de Marcelo Miranda?
Acho que, independentemente das coligações, existia e existe um sentimento muito grande de mudanças no To­cantins, a população queria mudar e tinha no Marcelo Miranda o nome certo para isso. Marcelo foi vitimado, passou por um processo jurídico complicado desde a sua cassação, em setembro de 2009, a sua eleição para Senado, em 2010, que não se tornou efetiva, ele não tomou posse. Tudo isso o transformou na cabeça do eleitor numa pessoa merecedora de um novo crédito. E por tudo que houve nestes três anos e meio de governo do Siqueira Campos, a renúncia coletiva do governador, do vice-governador e a maneira como o atual governador (Sandoval Cardoso) chegou ao poder fortaleceram a candidatura do Marcelo Miranda, que não conseguiu construir uma grande aliança política. Do outro lado (governista) eram diversos partidos e do nosso lado, apenas quatro (PMDB, PT, PV e PSD), todos com muito poucos recursos, mas com uma vontade de trabalhar muito grande. Resumo: o resultado das urnas foi uma demonstração dessa necessidade urgente de mudanças. A responsabilidade do Marcelo, com isso, é muito grande, não só dele, mas dos quatro partidos coligados, para fazer um governo organizado, economicamente viável, para restabelecer a credibilidade do empresariado tocantinense no governo, para que o funcionário público possa enxergar um horizonte positivo lá na frente e para que a classe política possa voltar a ter um pouco de credibilidade no Estado. Com todos esses governos-tampões que tivemos nos últimos sete anos, principalmente a Assembleia Legislativa ficou desacreditada, votando e elegendo governadores-tampões, de mandatos curtos, o que chegou a ser cogitado também nesse pleito eleitoral, de que, mais uma vez, daqui a três anos, ocorreria isso novamente.

Então, fica um sentimento ruim na cabeça do eleitor. O governador Marcelo Miranda está muito mais maduro e mais ciente de suas responsabilidades. A Assembleia não foi renovada dentro daquilo que a sociedade talvez esperasse, prova disso é que os 14 deputados que saíram para a reeleição 11 ganharam novamente o mandato. A gente não pode contabilizar aqueles que não disputaram a reeleição, outros que desistiram e outros que postularam o Senado ou a Câmara Federal. A sociedade espera um parlamento com um posicionamento diferente nos próximos quatro anos.

A próxima legislatura poderá ser mais dinâmica, mais eficiente que a atual?
Acredito que sim. Pelo próprio resultado das urnas, a sociedade mandou o recado e isso vem ocorrendo desde 2012, com as eleições para prefeitos e vereadores. E agora manda outro recado não só em nível estadual, mas no Brasil inteiro. A presidente Dilma, que fez um grande trabalho, ganhou a eleição com parcos 3% de diferença. Isso demonstra que se não trabalhar certo, direito, se não fizer o dever de casa, não teremos por que acreditar em outro mandato, a possibilidade de outro mandato. Então, o político moderno hoje tem que fazer uma leitura correta do que as urnas estão dizendo. Não adianta você só juntar dinheiro e apoio político se você não souber fazer essa leitura que a sociedade está demostrando através do voto. Portanto, acho que a próxima legislatura será mais dinâmica, mais prudente e ais efetiva.

O governador eleito Marcelo Miranda não terá dificuldades na eleição da nova mesa diretora da Assembleia, uma vez que a coligação que o fez vitorioso não conseguiu eleger a maioria dos deputados?
A coligação oposicionista elegeu apenas 8 dos 24 deputados. Mas, até talvez pela própria trajetória política, oriundo que é do parlamento, alguns que foram reeleitos ou foram secretários do Marcelo Miranda em suas gestões como governador ou tiveram convivência parlamentar lá atrás, muitos que estão hoje na oposição foram líder do Marcelo, foram de sua base política de 2002 a 2006 ou de 2006 até 2009. Portanto, não acredito que o governador eleito terá dificuldade com a Assembleia, até porque o intuito de todos é fazer um grande trabalho pelo Marcelo Miranda, que não terá nenhuma dificuldade em eleger o próximo presidente da Assembleia.

Vamos agora para a esfera municipal. O sr. sempre foi um aliado do prefeito Carlos Amastha no Legislativo municipal, chegou inclusive a ser seu líder na Casa. Politicamente, o prefeito, que é do PP, e em nível nacional é da base da presidente Dilma, juntamente com o PMDB e PSD, não deu um tiro no próprio pé ao se aliar ao governador Sandoval Cardoso?
Eu fui líder do prefeito Carlos Amastha, fui um de seus secretários por acreditar em um governo diferente de todos aqueles que o município de Palmas já teve. Amastha não era um político tradicional, era um empresário que ganhou uma eleição em 2012 por um recado mandado pela população, através das urnas. Eu acreditei e acredito que possa fazer uma grande diferença administrativa na capital. Sabia da sua limitação e dificuldade política, até pela falta de experiência de mandatos. Eu fui um dos que deram conselhos a ele lá no início, antes das convenções, durante o episódio que houve com o PP em Brasília, quando Amastha saiu de Palmas para conversar com o presidente nacional do seu partido, Ciro Nogueira, mas não foi atendido no seu pleito, a pedido do deputado federal Lázaro Botelho, presidente regional da sigla. Quando Amastha chegou a Palmas no dia seguinte, eu disse a ele: “está provado que agora você tem que cuidar da eleição de seus proporcionais, você tem que eleger o seu deputado estadual (vereador Major Negreiros) e o seu deputado federal (Thiago Andrino); você não tem por que se envolver na política de Estado”. Ele é prefeito da capital, quem ganhasse a eleição para o governo, para ele, tanto faz. Mas ele não acatou o conselho e entrou de corpo e alma na campanha do Sandoval Cardoso. Em um primeiro momento eu não entendi, mas pelo volume de obras que foram definidas numa parceria entre o município e o governo estadual em troca desse apoio, o que não foi ruim para a cidade, o prefeito prestou o seu apoio a Sandoval. Agora, para o cidadão Carlos Amastha, prefeito de Palmas e que tem uma reeleição a disputar daqui a dois anos, foi o pior negócio da vida dele. Evidentemente que a prefeitura da capital vai, institucionalmente, dialogar com o governador eleito Marcelo Miranda, a partir de janeiro. Estado e município são parceiros, vão trabalhar juntos e terão que dar um resultado prático para a cidade de Palmas. Agora, politicamente, eu tenho a convicção de que o prefeito Carlos Amastha fez uma opção errada ao apoiar o Sandoval.

O sr. acredita que, politicamente, há tempo de ele recuperar o seu espaço enquanto líder que vai disputar a reeleição?
Tudo vai depender dele (Amastha), suas ações vão mensurar o que pode acontecer daqui a dois anos. Eu tenho certeza que ele aprendeu muito com essa eleição.

Amastha não conseguiu eleger os dois candidatos de sua preferência a deputado estadual e federal. São derrotas que podem oferecer riscos à reeleição dele?
Realmente, Amastha não conseguiu eleger nem Major Negreiros (estadual) nem Thiago Andrino (federal). Acredito que essa eleição ensinou muito ao prefeito. Até as convenções, ele vinha batendo na tecla que iria fazer um governo estritamente técnico e agora percebeu que precisa fazer um governo também político para poder ter sucesso à frente da gestão. Eu não tenho dúvida nenhuma que, administrativamente, o prefeito está fazendo e vai continuar a fazer um brilhante trabalho, prova disso é que a cidade está bem arrumada, limpa, as contas estão redondas. Agora, politicamente, o nosso prefeito demonstrou falta de habilidade.

A reforma administrativa que está fazendo seria uma estratégia para tentar ganhar visibilidade politicamente?
Sim. O que Amastha está fazendo agora, com a junção de várias secretarias numa pasta só, até para poder fortalecer o Thiago Andrino, é um dos pontos fundamentais para que ele possa, nesses próximos dois anos, além de fazer o dever de casa, também fazer a parte política. Agora, como ele aprendeu, e aprendeu da pior maneira possível, com a derrota, deve priorizar a ação política, que é o que garante o sucesso ou não para ter um novo mandato.

Nessa reforma administrativa, o prefeito Amastha já dá sinais que está disposto agir mais politicamente, ouvindo os vereadores individualmente, mesmo tendo maioria absoluta na Câmara?
O prefeito tem ouvido cada vereador da base, que hoje são 16 dos 19, e coletivamente. Nós fizemos uma reunião recentemente e ele admitiu que precisa fazer política para que daqui a dois anos possa tentar uma possibilidade de reeleição. Isso ficou claro e é evidente que vai colocar essa postura em prática dentro dos próximos dias.

Já que o prefeito ficou de lado oposto ao do sr., isso significa que há a possibilidade de ser oposição a ele no restante de seu mandato como vereador?
Não posso ser oposição a Palmas. Existem pontos que eu divirjo dele e também há pontos que ele discorda de mim. Existem ideias que ele não comunga comigo e eu também tenho pontos de vista que o prefeito não aceita. Mas eu acho que a arte da política é isso, é você respeitar os contrários e chegar num entendimento comum.

t1Qual será o nível de participação do PSD no governo Marcelo Miranda?
Eu não discuto a participação do PSD, eu discuto a minha participação no novo governo na condição de deputado que fará parte da base do governo. O povo me confiou o mandato de deputado e eu vou procurar representar bem cada voto recebido. Marcelo tem em mim um companheiro e um parceiro que nunca vai lhe fazer pressão ou lhe colocar a faca no pescoço. Agora, com relação ao PSD, eu não sou presidente do partido. Portanto, essa participação do partido no governo do Marcelo quem discute é o presidente do partido no Estado, que é o deputado federal Irajá Abreu.

O sr. não arriscaria, pelo menos, dar algum palpite de como a questão deve ser conduzida?
Não, porque não fui consultado ainda. Se for consultado, darei tranquilidade ao presidente em discutir o assunto, de utilizar qualquer nome do partido para a formação da equipe do novo governo.

Um novo embate político vai ser travado para a eleição da nova mesa diretora da Assembleia Legislativa. Como deputado estreante na Casa, como o sr. imagina que será essa disputa?
Como toda eleição. A disputa será muito difícil, acirrada. A questão da presidência da Assembleia eu não discuto. Meu voto tem nome e sobrenome. Chama-se Mar­celo Miranda. Eu já fui, inclusive, procurado por outros deputados me pedindo apoio e eu disse a eles que o meu candidato é aquele que o Marcelo indicar.

O deputado Toinho Andrade, que é do seu partido, já manifestou interesse em disputar a presidência. O sr. não o apoiaria?
O deputado Toinho An­drade foi um dos que me procuraram e eu disse a ele que o meu voto seria o indicado por Marcelo Miranda. Mas disse ao Toinho que se o governador Marcelo Miranda trouxesse dois nomes para mim — o dele e de outro — o meu voto era dele, principalmente por ser do meu partido e eu não votaria nunca contra o meu partido. Só vou falar sobre presidência da Assembleia a partir do dia 20 de janeiro.

O PT, dentre os partidos que fazem parte da coligação vitoriosa, quer apressar a discussão sobre a formação do secretariado do governo Marcelo Miranda, sem o processo da transição de governo ter sido ainda definida. O momento é oportuno?
Eu vi pela imprensa que o PT se reuniu recentemente para discutir a possibilidade de o partido indicar nomes para quatro secretarias. Acho que é um direito do partido de requerer aquilo que ele entender que é merecedor. Tem que analisar o que o governador eleito vai enxergar e atentar. Eu tenho acompanhado também pela imprensa que o Marcelo Miranda vai dar oportunidade aos partidos aliados, mas não disse que tamanho terá essa participação. Então, solicitar é uma coisa e ser atendido na postulação é outra bem diferente. Eu sempre trabalho com o pior cenário para que eu não fique decepcionado lá a frente com o que vier parar nas minhas mãos. Eu não posso pensar em quatro secretarias se eu realmente quero só uma. Eu prefiro achar que não vou ter nenhuma e se vier uma ou duas, o resultado é positivo. A gente não pode criar expectativas com base no que eu acho. Até quem define é o próprio governador. É ele que vai indicar os nomes de sua equipe. Agora, eu acho que ele tem que fazer um governo austero e organizado. Financeiramente, o Marcelo vai encontrar grandes dificuldades no governo do Estado, porque o Estado está quebrado. E não sou eu que estou dizendo, é o próprio governador atual, que cancelou empenhos, demitiu servidores e tomou uma série de medidas, mostrando para todo contabilista e para quem é leigo também que o Estado precisa de um ajuste fiscal e financeiro. Marcelo Miranda vai assumir um Estado que não está bem financeiramente. Ele vai ter que fazer uma reforma administrativa muito ampla, precisar reduzir o número de secretarias, fazer fusões de órgãos, trabalhar com um número mínimo de servidores comissionados. E não vai poder ficar fazendo gracinha com o dinheiro do povo, não, porque se não ele não consegue fechar as contas do Estado daqui a quatro anos. Serão uns dois anos de vacas magras, de muito controle financeiro, de muito controle fiscal e de muito ajuste, para poder sonhar com a possibilidade de crescimento daqui a dois anos. Então, o governador eleito vai enfrentar uma barra pesada. E nós, que somos parceiros, aliados, não podemos fazer isso com ele (Marcelo) agora, pressionando-o por cargos, sabendo que o Estado passa por dificuldades. Fomos para a eleição sabendo que o Estado do Tocantins não estava bem, que enfrentava dificuldades nas áreas da saúde, da educação, da infraestrutura e da segurança pública. Em resumo: o Estado é bem maior do que qualquer participação no governo.

Que bandeiras o sr. vai hastear em sua ação parlamentar?
A minha prioridade número um é a questão da saúde. Precisamos recuperar a saúde do Tocantins. E na condição e deputado todo o meu esforço será para ajudar Marcelo Miranda a fazer essa recuperação. Saúde só tem dois jeitos: dinheiro e gestão. Então, tem que se alocar recursos e cobrar competência do gestor da pasta e dos diretores. Precisamos melhorar a estrutura dos nossos hospitais regionais para descentralizar a nossa saúde. Temos que dar condições para que os hospitais de Dianópolis, Porto Nacional, Gurupi, Paraíso, Araguaína e Agustinópolis, que são cidades-polo. Assim, vamos desafogar o Hospital Geral de Palmas, que não tem condições de atender mais a demanda, por mais que se construam mais leitos. Vou valorizar também a questão da educação, para melhorar o nosso ranking no Ideb. Outra questão que quero atacar de frente e fazer gestões junto ao governo estadual é interligar Palmas aos três municípios vizinhos (Porto Nacional, Paraíso e Lajeado), com a duplicação das rodovias que os ligam à capital.

Uma resposta para ““Marcelo Miranda não terá dificuldade para fazer a presidência da Assembleia””

  1. Avatar José Roberto disse:

    Parabéns pela excelente mensagem que deixa aqui , em sua sabias palavras amigo, desejo muito sucesso nesse seu novo embate.

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