“A marca de governar do PSB é diferente”

Prestes a assumir mandato na Assembleia Legislativa, o suplente de deputado estadual e ex-reitor da UFT aposta na candidatura do prefeito Carlos Amastha ao governo em 2018

Foto: Fernando Alves/ Semades

Dock Júnior

Alan Kardec Martins Barbiero já exerceu o cargo de secretário estadual do Meio Ambiente e também secretário municipal de Planejamento, Gestão e Desenvolvimento Humano. Atualmente, é presidente do diretório metropolitano do Partido Socialista Brasileiro (PSB) e suplente de deputado estadual pela mesma sigla, vez que nas eleições de 2014 obteve expressivos 10.708 votos.

Goianiense, Alan Barbiero está radicado no Tocantins desde a infância. Tem 49 anos, casado há 20, pai de três filhas. Possui formação superior em agronomia pela Universidade Federal de Goiás, com mestrado e doutorado em Economia e Sociologia do Desenvolvimento (França-Canadá). Reside em Palmas desde 1996, quando assumiu a pró-reitoria de pesquisa, pós-graduação e desenvolvimento da Unitins. Após a criação da Universidade Federal do Tocantins (UFT), foi eleito seu primeiro reitor, assumindo o cargo entre 2003 e 2012, exercendo, concomitantemente, a profissão de professor universitário, vez que é concursado daquela instituição de ensino, desde 2003.

Com uma administração empreendedora e participativa, Alan Barbiero implantou a UFT colocando-a como a maior universidade do Tocantins e em uma das mais conceituadas instituições de ensino superior da região Norte do Brasil. Estruturas físicas, administrativas e de pesquisas foram criadas; cursos de pós-graduação, mestrado e doutorado, até então inexistentes, foram implantados; ele praticamente dobrou o número de cursos de graduação, antes de 25, para 48, incluindo a criação dos cursos de Medicina, Enfermagem, Nutrição, Engenharias Civil e Elétrica, Filosofia e Artes. Em sua gestão, foram estruturados os campi de Palmas, Araguaína, Tocantinópolis, Gurupi, Porto Nacional, Arraias e Miracema.

O sr. está no PSB há 11 anos e é presidente metropolitano da sigla. Nas eleições do ano passado, o partido elegeu dois prefeitos de cidades importantes no Estado, Palmas e Gurupi, além de três vereadores na capital: Tiago Andrino, Major Negreiros e Marilon Barbosa. Como o sr. vislumbra o fortalecimento, ascensão e crescimento do PSB no Tocantins?
Primeiramente é necessário frisar que saí do PT quando o partido estava no auge. Coordenei a campanha de reeleição do ex-presidente Lula no Estado e ele gozava de alta popularidade. Contudo, recebi um convite do então ministro de Ciência e Tecnologia, o saudoso Eduardo Campos, para ingressar no PSB. O Rodrigo Rollemberg, hoje governador do Distrito Federal, também estava engajado em fortalecer o partido pelo País e reforçou o convite. Sempre fui um sujeito de grupo e imaginei que poderíamos construir um caminho de centro-esquerda no Tocantins. Junto com o Dr. Neilton Araujo ingressei no PSB afim de estruturá-la no Tocantins. Numa parceria com o prefeito Laurez Moreira fizemos uma profunda reestruturação no partido, em termos regionais. Nas últimas eleições, o PSB foi o partido que mais cresceu no Tocantins e em Palmas, de uma maneira especial. Foi o partido mais bem votado no Estado como um todo. Além do prefeito de Palmas, elegemos também os prefeitos de Gurupi e o de Dianópolis, além do vice-prefeito de Araguaína. Enfim, o partido está muito bem representado nas grandes cidades.

Na primeira eleição, elegemos apenas um vereador, o Wanderlei Barbosa, que não se adaptou aos conceitos de grupo do PSB e hoje está no SD. Decidimos tudo coletivamente, após debates democráticos, e não há espaço para priorização deste ou daquele filiado ou candidato. Em 2012, elegemos dois vereadores em Palmas, Marilon Barbosa e Junior Geo, este último também acabou por se desfiliar do partido e atualmente está no Pros. Em 2016, trouxemos novos líderes, fortalecemos a chapa e elegemos o prefeito Carlos Amastha e três vereadores, Marilon Barbosa, Major Negreiros e Tiago Andrino. Fizemos uma coligação com o PMN, com o PSDB, que indicou a vice-prefeita Cinthia Ribeiro – um nome muito bem aceito dentro do nosso partido – e também com o PTC, que elegeu o vereador Juscelino Rodrigues. Em suma, o desempenho nas urnas em 2016 foi excepcional.

Como presidente metropolitano do PSB, evidentemente que sua primeira preocupação é Palmas. Após as eleições de 2016 e a posse dos diplomados em janeiro de 2017, quais são suas perspectivas para essa nova legislatura, como também o novo mandato do prefeito Amastha?
Acredito que ele vai superar o primeiro mandato, que foi, certamente, um governo de muitas realizações. Ele conseguiu organizar a cidade e colocar a casa em ordem, transformando a autoestima dos cidadãos palmenses. Vários projetos já estão em curso e vão ter continuidade. Temos que concretizar de vez esse modo PSB de governar em Palmas, assim como o Laurez vem fazendo em Gurupi e o Padre Gleibson fará em Dianópolis.

Contudo, além disso, temos outro grande desafio: no final do mês de janeiro faremos o Congresso Nacional do PSB, oportunidade na qual passarei o bastão da presidência metropolitana para um novo dirigente. Há vários líderes capazes de assumir a sigla, no entanto, já conversei com o prefeito Amastha e com o deputado Ricardo Ayres, no sentido de colaborar e implantar o projeto do PSB para o Tocantins nos próximos anos. Queremos discutir políticas públicas para o desenvolvimento do nosso Estado. Acreditamos que é necessário um olhar mais atencioso e novas atitudes para transformar o Tocantins, recolocando-o num lugar de destaque.

“O deputado Ricardo Ayres vai ajudar
no desenvolvimento da cidade de Palmas” | Foto: Divulgação

É possível perceber que o partido adota decisões de grupo, de modo que todos os líderes tenham oportunidade de expor suas ideias. Dentro deste contexto, o partido ensaia um possível pedido de licença do deputado estadual Ricardo Ayres para assumir umas das secretarias municipais, enquanto que o sr., por ser o primeiro suplente, assumiria a vaga na Assembleia Legislativa. O que há de verdade ou de boato nessa notícia de bastidores?
O deputado Ricardo Ayres é um jurista extremamente competente, além de ter uma atuação marcante no parlamento. Tem feito também um grande trabalho no que se refere às regiões metropolitanas, principalmente Palmas e Porto Nacional. Estudou profundamente o Estatuto das Cidades e luta cotidianamente por moradias populares. É um líder nato, com bom trânsito no governo do Estado do Tocantins, na As­sembleia Legislativa, com os prefeitos eleitos pelo PSB e também por outros partidos. Então, o prefeito Amastha acredita que a experiência do Ricardo vai ajudar muito o desenvolvimento da cidade de Palmas.

Ao mesmo tempo, caso tudo isso se concretize, terei a oportunidade de mostrar as minhas habilidades e qualidades no parlamento estadual. Isso demonstra o trabalho em equipe. Se em determinado momento, eu puder colaborar de alguma forma, o partido vai apoiar. Se em outro momento é o deputado Ricardo ou um vereador que pode colaborar, também terá o apoio de todos. Trata-se de um partido que prioriza o coletivo, em vez do individual.

O sr. conhece a maioria dos deputados estaduais. O parlamento estará sob o comando de um novo presidente, o deputado Mauro Carlesse (PHS). Como é a sua relação com o próximo mandatário e também com os demais parlamentares?
Conheço todos eles, porém não sou amigo, porque não há essa relação de intimidade. Quanto ao Carlesse, conheço-o desde quando era presidente do Sindicato Rural de Gurupi e temos um bom convívio. Adianto-lhe que terei na Assembleia uma posição de independência. Essa é a orientação do partido e já tive a oportunidade de expor ao governador Marcelo Miranda (PMDB) essa tendência. Adotarei uma postura de respeito e apoiarei o que for correto, porém com independência para criticar o que considerar equivocado ou mesmo propor novas alternativas e soluções. Buscarei sempre o melhor para o Tocantins, não havendo compromissos com radicalismos, no sentido de votar sempre contrário ao governo ou sempre a favor. A intenção é fomentar o debate de ideias com a sociedade organizada, universidades e movimentos sociais, na busca dos melhores caminhos.

Se o partido adotou essa visão ampla de se fortalecer em termos estaduais, é certo que a aposta da sigla para 2018 é a candidatura do prefeito Carlos Amastha a governo do Estado do Tocantins?
A marca de governar do PSB é diferente, e, lógico, queremos levar isso a todos municípios. As boas administrações são os cartões de visita e o centro das nossas ações é o cidadão, prioritariamente.

Particularmente, defendo a candidatura do Amastha ao Palácio Araguaia. Agora não é o momento para esse debate, contudo acredito que hoje ele seja o único nome capaz de fazer as transformações que o Estado do Tocantins necessita. Convivi com ele durante minha passagem pela Prefeitura de Palmas e posso garantir: é um homem preparado e capacitado para enfrentar todos os problemas, inclusive os sociais. Ele tem uma visão de futuro verdadeiramente impactante. Hoje há uma carência de atitude por parte dos nossos governantes, o que não é o caso do Amastha, na medida em que ele não admite espaço para inércia. No momento oportuno, vamos debater essas ideias e expor à população nossos projetos de governo, que são arrojados e modernos. Nossas lideranças são expoentes na política do Tocantins. Aliados a uma forte militância, é provável que sejamos vitoriosos nas eleições proporcionais, garantindo a governabilidade, como também na eleição majoritária, mesmo porque não resta dúvida que há um desgaste de ambos os grupos políticos que, desde sempre, dominaram a política no Estado do Tocantins.

Mas de acordo com a legislação eleitoral, o prefeito Amastha teria que renunciar com apenas um ano e cinco meses de mandato. Ele toparia o desafio?
O prefeito, a princípio, tem resistência a essa possibilidade de deixar o mandato. Ocorre que o povo não tem, basta percorrer o Estado do Tocantins – de Norte a Sul, de Leste a Oeste – e comprovar que a população tocantinense admira o trabalho do Amastha na capital. Então, é necessário compreender que quem está nesse processo de liderança, não é mais dono do seu destino. Veja: mesmo diante de uma grave crise que assola o país e atinge todos os municípios brasileiros, a Prefeitura de Palmas não paga os salários dos servidores em dia, paga antecipadamente. A cidade é limpa, a saúde funciona, a educação é exemplo. Se essa vontade popular continuar em constante crescimento, e chegarmos ao período pré-eleitoral com esses patamares de popularidade, a candidatura será inevitável. Eu creio que haverá um amplo movimento popular capaz de romper as resistências pessoais que o prefeito tem hoje.

Voltando um pouco na história, o sr. é lembrado e respeitado, principalmente no campus de Palmas da Universidade Federal do Tocantins, como um reitor de grandes realizações e de profunda importância para aquela instituição de ensino, na medida em que foi seu primeiro reitor eleito e praticamente implantou a universidade. Como avalia sua passagem como gestor da UFT por mais de nove anos?
Como professor universitário, mesmo possuindo formação em agronomia, sempre ministrei aulas voltadas para o campo da sociologia. Meu curso é voltado para três áreas: a biológica, que engloba botânica, genética, produção vegetal; a engenharia, na qual estão inseridas a irrigação, a drenagem e as construções rurais; e, por fim, o ramo da economia, administração e sociologia, que trata da extensão e administração rural, planejamento agrícola, cooperativismo, etc., que foi a área que eu mais me identifiquei. Enfim, o foco socioeconômico, em que aprofundei meus estudos.

Uma característica marcante da minha gestão à frente da UFT foi minha presença em sala de aula. Não abandonei o ofício de professor após me tornar reitor nem tampouco quando exerci outros cargos na administração direta, estadual ou municipal. Sempre prezei o diálogo e o debate de ideias com a classe estudantil e incentivei esta abertura. Eu gosto de ministrar aulas e transmitir conhecimentos. Me dá prazer exercer o magistério.

No tocante à administração da universidade, quando foi realizada a transição de Unitins para UFT, havia cerca de 7 mil alunos em pouco mais de 30 cursos, em 7 cidades. Esse foi o grande desafio. Geralmente uma universidade é iniciada com um corpo administrativo – que monta a estrutura de professores – e só depois abre os processos seletivos para os alunos. No referido caso, foi o inverso: começamos com o corpo discente formado – transferidos da Unitins – sem sequer termos os funcionários administrativos nem tampouco professores em número suficiente para atender a demanda. Além disso, era necessário estruturar a universidade com mais salas de aula, laboratórios, equipamentos, auditório, biblioteca, etc. Costumo classificar esse período como aquele que trocamos os pneus com o carro em movimento. Considero que foi uma experiência ímpar e bem sucedida.

E quanto aos recursos, de que forma eles chegaram e foram investidos?
Em razão da iminente necessidade, com baixíssimo orçamento, fui pioneiro no projeto de aproximação dos deputados e senadores da universidade, convencendo-os a direcionar emendas parlamentares para serem investidas na infraestrutura da UFT. Essas inclusões no orçamento da União foram de grande valia. Além disso, a peregrinação nos ministérios também surtiram efeito. O curso de medicina, por exemplo, foi implantado com verbas oriundas do Ministério da Saúde, ao invés de utilizar recursos do orçamento da universidade. Foram mais de 8 milhões de reais investidos em laboratórios para esse curso. Além disso, o Ministério da Integração Nacional, o Ministério da Educação, entre outros, aportaram outros recursos que foram investidos naquela universidade, em todos os seus campi. Após a discussão e o advento do Reuni, em 2007, implantamos também vários outros cursos, entre os quais os de engenharia civil, elétrica, ambiental, enfermagem, nutrição, etc.

E no que concerne às suas atuações como secretário de governo – estadual e municipal – quais são as suas sua avaliações? Quais são os legados?
Sempre tentei dar o meu melhor em todos os cargos que assumi. Na Secretaria Estadual de Meio Ambiente, onde fiquei por pouco mais de um ano, implantei bons projetos que, diga-se de passagem, estão em execução até a presente data, como o Barraginhas no Sudoeste do Estado. Trata-se de um projeto de gestão de recursos hídricos, que consiste em construir pequenas barragens visando fazer a contenção de água, contribuindo com o lençol freático, fazendo ressurgir as nascentes.

Também lançamos o programa Nascentes-Vivas, com o primeiro edital para organizações não governamentais visando a recuperação de nascentes, que foi im­plantado com sucesso em Dois Irmãos, Palmas, Xambioá, entre outros municípios do Sudeste.

Na temporada de praia, com a ajuda de estudantes universitários, implantamos o projeto Rondon-Tur, voltado para a educação ambiental, mantendo as praias limpas com a instalação de lixeiras para a coleta seletiva do lixo, etc. Além disso, organizamos e implementamos o Cadastro Ambiental Rural (CAR), com a montagem da equipe, da área de geoprocessamento, preparando as instituições para se adaptarem às novas regras. Enfim, vários programas ambientais, inclusive com parcerias internacionais, com Espanha, Alemanha e Noruega.
Já na Secretaria Municipal de Planejamento e Gestão também permaneci por pouco mais de um ano, quando saí para me dedicar à campanha eleitoral. Lançamos o projeto Carreira-Justa visando acabar com as distorções, na medida em havia diferenças salariais entre servidores que exerciam o mesmo cargo. Fizemos, aprovamos a equiparação.

No que concerne à formação profissional, implementamos o a Escola de Governo 20 de Maio, que faz a capacitação dos servidores municipais, em três áreas: saúde pública, educação e gestão pública. Também é um legado o programa Servidor-Multiplicador. Ao invés de contratar empresas de consultorias a um alto custo, os funcionários que já haviam passado pelos treinamentos e tinham capacidade de repassar os conteúdos, se transformaram nesses multiplicadores de conhecimento para os demais, recebendo, logicamente, remuneração para tanto. A bem da verdade, o conceito foi: um servidor que tem um plano justo de carreira e salários, além de condições de se capacitar, certamente presta melhor serviço para a sociedade.

Em síntese, avalio positivamente a passagem pelo cargo, vez que os projetos implantados deram certo e ainda estão em execução, além de ter prestigiado o debate com os sindicatos das categorias, promovendo uma relação mais sinérgica com aquelas entidades.

Em nome do Jornal Opção, desejo-lhe sucesso, e que o sr. faça um bom trabalho na Assembleia Legislativa se de fato assumir o mandato, assim como fez em todas as outras empreitadas que se propôs a executar.
Eu é que agradeço e quero parabenizar o Jornal Opção pelo espaço que sempre abre para o debate de ideias. Sempre leio as entrevistas semanais, as quais, classifico como excelentes. É um espaço que nós tocantinenses precisamos fomentar: livre, aberto, autônomo e independente para que os entrevistados possam expor suas ideias e projetos.

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Tomaz De Aquino Rodrigues

Parabéns Professor Alan Barbiero, V. Sa., expressa nas palavras o sentimento de cada tocantinense, boa sorte e uma profícua legislatura.