IPTU exorbitante de Palmas revolta a sociedade

Vereador Lúcio Campelo questiona conceito de justiça social que o prefeito Amastha exerce e cobra investimentos na capital

Lúcio campelo: “É preciso novo estudo sobre o valor venal dos imóveis. Cidadão está pagando mais do que deveria”

O prefeito de Palmas, Carlos Amastha, deu um presente muito amar­go aos palmenses em 2018, com o aumento exorbitante do Im­posto Predial Territorial Ur­ba­no (IPTU). Desde que os contribuintes começaram a receber os carnês, a revolta se generalizou, com aumentos inexplicáveis, o que in­clusive provocou intervenção do Ministério Público e, depois, do Tribunal de Contas do Estado (TCE).

O tema também pautou a primeira sessão do ano na Câmara de Vereadores, justamente no início dos trabalhos legislativos na capital. O vereador Lúcio Campelo (PR) subiu na tribuna para afirmar seu compromisso e cobrar resultados frente aos desafios que a cidade tem para este ano.

“Inicia-se mais um ano de lutas, não só aqui na Câmara Municipal, mas para todos os cidadãos, e também para a prefeita em exercício, que caso torne-se efetiva, terá de colocar em ordem a prefeitura de Palmas”, afirmou Campelo, ouvido pela própria prefeita em exercício, Cynthia Ribeiro (PSDB), presente na sessão – o titular tirou licença e, oficialmente, está co­man­dando interinamente a Frente Na­cional de Prefeitos (FNP), mas de fato está percorrendo o interior do Estado em campanha ao governo.

O vereador destacou que Pal­mas melhorou em alguns aspectos, a sua maioria no visual, mas o fez avan­çando no bolso do contribuinte, e é essa a grande marca que se criou ao longo da gestão Amast­ha, uma gestão que busca os lucros e a imposição sem freios de impostos. Ele lembrou que a receita do orçamento municipal cresceu 83% desde o primeiro mandato do prefeito, e a situação é preocupante, pois os poucos investimentos fei­tos se limitaram a região central da cidade.

“Cerca de cinco avenidas apenas estão sendo cuidadas pela prefeitura, e são as mais movimentadas, criando a falsa ideia de que to­da a cidade está sendo beneficiada, mas basta olhar para o setor Ta­qua­ri, e ver que não é assim. O pre­­feito não fez uma obra sequer na­quele bairro, a não ser plantar gra­ma, e pagando um preço superfaturado, quatro vezes mais que o valor de mercado”, disse.

Outros gastos

Ele questiona outros gastos, como os R$ 28 milhões investidos em máquinas para recuperação de es­tradas vicinais. “Hoje é muito di­fí­cil você trafegar pela zona rural de Palmas. Como vereador, eu re­ce­bo reclamações de pequenos pro­dutores que sofrem com a dificuldade no acesso. O prefeito está inviabilizando que essas pessoas consigam seu sustento. Onde fo­ram aplicados os R$ 28 milhões? Foi para o bolso de quem?”, perguntou Campelo.
O vereador insiste que a prefeitura não prioriza os investimentos que Palmas mais precisa. Nesse sen­tido, alertou também para os R$ 30 milhões gastos em locação de veículos, que poderiam ser in­ves­tidos em serviços de pavimentação nos bairros Taquari, Aureny III, ou mesmo nas quadras 408 e 508 Norte.

Sobre a oferta de empregos, o ve­reador chamou atenção para o nú­mero de cidadãos desempregados. Para o parlamentar, a gestão Amastha não priorizou a formação de postos de trabalho, “não dando sequer condições para o cidadão pagar seus impostos”, afirmou.

IPTU

Campelo questiona ainda o conceito de justiça social exercido pelo prefeito Amastha. Exem­pli­­fica com o Santo Amaro, que é uma Zona de Interesse Social, on­de os moradores não deveriam pa­gar o IPTU, mas a prefeitura cobra 200 reais o metro quadrado. “Isso é justiça social? Isso é crime, é ser de­sonesto com o cidadão que veio pa­ra Palmas e que não conseguiu so­­breviver com essas altas taxas de im­postos”.

O reajuste do IPTU chega a níveis absurdos em muitos casos nes­te ano, a mais de 276%. Desde que Amastha fez alterações nos re­du­tores, centenas de cidadãos ma­ni­festaram indignação. O vereador co­brou que seja feito um novo es­tudo sobre o valor venal dos imóveis. Segundo ele, os valores que a prefeitura está aplicando não condizem com o mercado, e o cidadão está pagando muito mais do que deveria.

“Enquanto Amastha está percorrendo o interior pedindo votos, fa­­zendo campanha antecipada, a po­­pulação se indigna com o IPTU mais alto que essa cidade já viu. Fal­­ta respeito com o cidadão, falta jus­­tiça social, algo que o prefeito fa­la, mas não cumpre”, afirmou Lúcio Campelo.

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