“Implantamos no Tocantins o turismo de integração, ação, realização e oportunidades”

Depois de trabalhar para divulgar Jalapão e Serras Gerais, presidente da Agência do Desenvolvimento do Turismo mira ação na Ilha do Bananal e Cantão

| Foto: Governo do Tocantins/Divulgação

Tom Lyra se auto-define como um mercador do turismo. Sem grandes comitivas nacionais, internacionais ou “barulhos” excessivos, o presidente da Agência do Desenvolvimento do Turismo, Cultura e Economia Criativa tem aberto portas para o crescimento do Estado do Tocantins. Exímio palestrante, Lyra mudou os conceitos de turismo por parte do governo estadual ao empreender e implantar uma nova dinâmica ao setor.

Para expandir o crescimento e o desenvolvimento do Tocantins, sublinha Tom Lyra, é primordial atrair investimentos, além de novas empresas e indústrias. Só assim — com a geração de emprego e renda — será possível transformar a qualidade de vida do povo tocantinense, retirando muitos da condição de miserabilidade.

Lyra é empresário no ramo de ótica no Estado do Tocantins, graduado em óptica e optometria, com especialização em ótica física, química, geométrica e fisiológica. Exerceu o cargo de vice-governador no mandato-tampão de 2014 e foi secretário de Agricultura, Produção, Cooperativismo e Meio Ambiente do município de Gurupi entre 2017 e 2018.

A Agência de Turismo, que está sob a sua gestão, já consegue apresentar resultados práticos de suas ações, após nove meses de funcionamento?
Na abertura do FIA – Fórum Internacional da Administração –, que contou com a participação do vice-presidente da República e também com o apoio da Agência de Turismo, Sebrae e Conselho Estadual de Administração, foram mais de 4 mil pessoas visitando a cidade de Palmas. Isso fomentou a cidade, pois aumentou a taxa de ocupação dos hotéis.

Antes, essa taxa era em torno de apenas 20% ou 30%, totalmente inviável para o ramo hoteleiro. Hoje, começamos a impactar e fomentar esse mercado, trouxemos capilaridade, incentivando a criação ou retomada de voos diretos para outros Estados, como Pernambuco e São Paulo. Também visitamos vários congressos e feiras de turismo internacionais, divulgando as nossas potencialidades, incentivando a realização de eventos e trouxemos novamente o Rally dos Sertões para o Jalapão. Com isso, aumentamos sensivelmente o fluxo de pessoas, principalmente estrangeiros (mais de 90%), que trazem e gastam dólares em nosso Estado. Hoje, a taxa de ocupação aproxima-se de 60%. Isso é um grande avanço.

Quais foram as primeiras ações após sua posse?
Quando assumi a Agência, me reuni com todo trading turístico, (Abav, ATTR, Naturatins, etc). Fiz o diagnóstico das sete regiões turísticas do Tocantins, apresentando ao governador os problemas e as possíveis soluções. As praias sazonais de rio, por exemplo, empregaram em 2019 cerca 7 mil pessoas, entre as quais 2,5 mil eram empregos diretos. O aumento do fluxo de visitantes variou de 350 mil pessoas em 2018 para 423 mil em 2019, um incremento de 21% e R$ 220 milhões movimentados. Já a pesca esportiva movimentou R$ 14,2 milhões na temporada, empregando mais de 2 mil pessoas.

A quais fatores se deve esse salto?
Várias ações no decorrer do primeiro semestre, sem dúvidas. Mas uma delas, a feira de turismo, promovida pela Associação Brasileira de Agência de Viagens (Abav), foi um dos nossos focos. Pela primeira vez colocamos um estande no evento, que foi aberta pelo ministro do Turismo, com a presença do nosso governador Carlesse. Recebemos um enorme fluxo de pessoas, reproduzimos durante todo o tempo vários vídeos com as potencialidades do Tocantins e atendemos as empresas habilitadas. O público final desta feira é o trading, os agentes de viagens, por isso insistimos em participar. Não tenho quaisquer dúvidas que essa experiência vai nos proporcionar enormes retornos.

Quais são as próximos ações?
Em novembro de 2019, participarei em Londres (Inglaterra) da WTM Europe – World Travel Marketing, principal evento mundial do setor de viagens e turismo. Nosso principal foco será divulgar o turismo de aventura, etno-turismo, turismo de contemplação e observação, turismo de pesca etc. Com o apoio do governador Carlesse, que entende que o turismo é uma mola propulsora, vamos trazer melhorias para a qualidade de vida das pessoas que estão isoladas. Vamos fomentar esse tipo de turismo nesta viagem à Europa, porque é cristalino que o turismo é um fator de desenvolvimento para nosso Estado e tem impactado positivamente no crescimento do PIB do Tocantins.

Em relação à questão indígena, sua Pasta elaborou ações para beneficiar as etnias?
A agência participou ativamente fortalecendo o etno-turismo na implementação da 1ª Olimpíada indígena na Ilha do Bananal, que contou com 27 etnias e mais de 5 mil indígenas. Um acontecimento de integração das pessoas e dos povos. Paralelamente à olimpíada, também foi realizado um evento de pesca esportiva. Essas imagens e vídeos serão amplamente divulgadas pelo mundo, exatamente no intuito de despertar o interesse das pessoas pela cultura indígena, seus cultos, crenças e artesanatos, principalmente porque em breve espaço de tempo não será mais permitido criar gado na ilha. Neste caso, os indígenas vão precisar de outras fontes de renda e uma delas é o turismo.

Qual é o cronograma para apresentação das potencialidades turísticas do Tocantins?
O plano estratégico do turismo, implantado por esta gestão, foi profundamente analisado. No primeiro semestre de 2019, o foco foi apresentar e divulgar o Jalapão, as Serras Gerais e Taquaruçu. No segundo semestre, a Ilha do Bananal e o Cantão. No primeiro semestre de 2020, a região do Bico do Papagaio, cachoeiras de Wanderlândia e as florestas petrificadas de Filadélfia.

Já no segundo semestre do ano vindouro, serão realizadas as ações de consolidação do turismo internacional, uma vez que haverá voos regulares para o Estado, infraestrutura sólida e rede hoteleira eficiente. Além disso, contribuirá muito para esse salto turístico a pavimentação asfáltica para a região do Jalapão, ligando a capital Palmas até São Félix do Tocantins, passando por Aparecida do Rio Negro e Novo Acordo. Essa obra já tem recursos direcionados, faltando apenas o tipo de asfalto que será utilizado em razão do terreno extremamente arenoso.

Falando sobre fomento à economia criativa, o projeto da TO-500 que fará a travessia da Ilha do Bananal, ligando o Tocantins ao Mato Grosso, tem sido exaltado pelo governo estadual como um dos fatores que poderá alavancar a economia do Estado. Qual a sua percepção sobre esse projeto?
Penso que não há quaisquer outros projetos que sejam mais desenvolvimentistas para o Estado do Tocantins do que este. Ele vai projetar nossa agricultura, a indústria e o turismo. Na minha visão, ele está atrasado há 20 anos. Teria que ter sido iniciado quando se pensou em criar o Tocantins, pois não é possível imaginar que não tenhamos nenhuma ligação direta com o nosso vizinho e co-irmão, o Mato Grosso. Mais do que isso: a falta desta travessia coloca as comunidades indígenas em total isolamento. Ora, se os indígenas são brasileiros como nós, tem CPF e título de eleitor, porque eles tem que ser renegados pelo poder público? É preciso dar dignidade a essas pessoas e a construção dessa travessia vai trazer a possibilidade deles terem ganhos com um percentual na cobrança de pedágio, como também poderão comercializar seus artefatos e artesanatos.

Tanto o governo federal e o estadual quanto a bancada de parlamentares têm que se mobilizar para que essa travessia saia do papel o mais rapidamente possível. Em termos de arrecadação de tributos, o ganho é imensurável. Pode ser que o valor da obra, inicialmente, cause impacto, mas é fácil perceber que, estatisticamente, em dez anos – apenas com o transporte de grãos – ela se pagaria. Dessa forma, o investimento é viável.

O retorno, portanto, do capital investido em pouco tempo vai induzir e incentivar a parceria público-privada. Trata-se de um projeto importante, tanto para o escoamento da produção, como também para a integração dos entes federados e mais: abre uma nova rota turística para ambos os Estados.

Na sua visão, na condição de empresário, quais são as expectativas em relação à viagem oficial do governador a países árabes e asiáticos? Quais seriam os dividendos obtidos?
Nosso Estado é um produtor de alimentos por natureza. A logística para o escoamento dessa produção, assim como de Goiás e Mato Grosso, também é magnífica. O problema do mundo, nos próximos 20 anos, é alimento. As crises mundiais, econômicas e diplomáticas, por exemplo, forçam o mercado árabe e asiático a procurar outras alternativas, como o Brasil e outros países americanos. Estrategicamente, a presença do governador do Estado oferecendo os produtos que eles necessitam abre um leque de possibilidades, não apenas para as commodities e carnes, mas também para beneficiamento do couro, por exemplo. São infinitas as possibilidades, portanto.

O sr. se surpreendeu com o modelo de gestão do governador Mauro Carlesse?
Sem dúvidas. Hoje, tenho orgulho de fazer parte desse governo. Aceitei a missão porque o vejo como empresário que descentraliza o poder de decisões, delegando poderes, mas, ao mesmo tempo – assim como nas grandes corporações –, cobra resultados e cumprimento de metas.

Os assessores diretos do Carlesse recebem autonomia para trabalhar e essa visão estratégica me fascina e me surpreende. Os resultados não poderiam ser diferentes: quadro de superávit, enquadramento da LRF, resgate da credibilidade no mercado e a confiança dos investidores.

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