Governador se reúne com base aliada e pede pacto pela governabilidade

Marcelo Miranda sabe que, em momentos de crise, união é imprescindível para fazer os ajustes necessários

Governador Marcelo Miranda conclama  a base aliada: pacto pela governabilidade

Governador Marcelo Miranda conclama a base aliada: pacto pela governabilidade

Gilson Cavalcante

A crise econômico-financeira a que chegou o Estado levou parte dos deputados da base aliada do governo a se reunir com o governador Marcelo Miranda (PMDB), em um jantar, na terça-feira, 18. No cardápio, o pacto pela governabilidade. Esse pacto, de acordo com o líder do Go­verno na Assembleia Legis­lativa, deputado Paulo Mourão (PT), não é para fazer alguma blindagem do governo Marcelo, e sim para “dar ao Executivo condições de governar para a sociedade”. A base do governo na AL é de 16 dos 24 parlamentares.

Mourão avalia que o Estado tem que ser protegido com políticas republicanas, o que, segundo o parlamentar, implica a participação de todos. “Não só dos alinhados politicamente com o Palácio Araguaia, mas dos que defendem o Estado”, ressalva.

O líder do Governo argumenta que o Estado passa por um período de ajustamento e, concomitantemente, precisa implantar um projeto de aumento de sua produtividade. Ele defende que, para o Estado ter capacidade de aumentar a sua produtividade, precisa de qualificação no ensino, gestão qualificada e formação de mão de obra. “Para aumentar a produtividade tem que se criar ambientes de novos negócios e, para isso, o governo tem que convidar empresas privadas parceiras que invistam no Estado”, sugere o deputado petista.
Ele defendeu ainda que o Estado precisa de um novo modelo de gestão, com modernização das ações, projetos e programas, verificando que setores devem ser saneados, reduzir despesas e onde se pode aumentar as receitas.

Pelos seus cálculos, o nível de investimento do Estado foi reduzido a menos de 4%. No primeiro quadrimestre da Saúde, o investimento foi de 0,01% e o gasto com pessoal ficou em 19,8% de um orçamento de R$ 1, 206 bilhão para este ano. “Para dar equilíbrio a este Estado, temos que retomar ao patamar de, no mínimo, de 20% a 23% do PIB”, observa Mourão.

De acordo com o parlamentar, se isso não for colocado em prática, é impossível alavancar o Estado para o processo de desenvolvimento sustentável. “E isso não se consegue com varinha de condão ou em curto espaço de tempo. Depende de metas que o Estado precisa implantar e cumpri-las, porque do contrário a sociedade daqui a quatro anos vai pedir a saída do Marcelo Miranda”, admitiu.

Diante do cenário nada alvissareiro, o governo, no entendimento de Mourão, vai ter que fazer enfrentamento com servidor público e com a redução da estrutura da máquina administrativa. “É um Estado paquidérmico, com pouca capacidade de receita. É por isso que o Estado precisa se modernizar”, reiterou o líder do governo.

O Estado passa por um mo­mento muito crítico que vai precisar da inteligência de todos, apregoa Mourão, na tentativa de convencer, inclusive, os parlamentares de oposição, para a concretização do pacto pela governabilidade. “Por mais vontade que o Marcelo Miranda tem, por mais inteligência e preparo como gestor, é pouco para enfrentar a gravidade que o Tocantins chegou. O nosso Estado se encontra numa travessia extremamente muito grave e vai precisar de todos. Acho que vamos diminuir resistências e fazer reflexões”, apela o líder do governo na AL.

Para Mourão, a reforma administrativa é uma consequência da gravidade do momento e precisa ser feita. “Mas é uma questão que deve ser anunciada pelo governador, que está consciente da necessidade de enxugamento da máquina. Mas ele não nos adiantou nada, por enquanto, durante o jantar”. Marcelo Miranda já pediu um estudo apurado de cada pasta e uma auditoria das folhas de pagamento dos órgãos, por intermédio da Controladoria do Estado.

De acordo com os relatórios do Estado, desde o segundo semestre de 2010 para cá, o Estado começou a cambalear e passou a apresentar um desequilíbrio de gestão. O parlamentar disse que não é possível mais fazer arranjos, “não é possível mais pegar o dinheiro do Igeprev e não repassar para pagar plano de saúde. Não é possível mais deixar de recolher o dinheiro do Igrepev. Não é possível mais fazer algumas pedaladas que o governo anterior fez, porque não existe mais gordura, não existe financeiro para criar engenharias de administração. Já estamos no osso. Nós consumimos a gordura toda desse Estado”, exemplificou.

Além de Mourão. compareceram ao jantar com o governador Marcelo Miranda os deputados Zé Roberto (PT), Amália Santana (PT), Rocha Miranda (PMDB), Nilton Franco (PMDB), Elenil da Penha (PMDB), Valderez Castelo Branco (PP), Ricardo Ayres (PSB) e Valdemar Junior (PSD).
Na quarta-feira, 19, o governador teve novo encontro com 18 parlamentares, na tentativa de afinar e ampliar o diálogo com o Legislativo, para ter respaldo nas ações que pretende tomar daqui para frente.

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