Executiva nacional dá o comando do PSDB a Cinthia Ribeiro

Direção tucana retirou a direção da legenda no Tocantins do ex-senador Ataídes Oliveira, que promete levar a questão ao Judiciário

Cinthia Ribeiro, prefeita de Palmas, agora comanda o PSDB | Foto: Divulgação

Os bastidores da política tocantinense ficaram agitados após a decisão da executiva nacional do PSDB, que interveio no diretório estadual da sigla, retirando o comando do ex-senador Ataídes Oliveira para repassá-lo à prefeita de Palmas, Cinthia Ribeiro.

A decisão era esperada há muitos dias, não apenas em razão de ser a única prefeita de capital do partido e ser bem avaliada como gestora, mas também por ter como principal aliada a ex-governadora do Rio Grande do Sul e atual presidente do PSDB-Mulher Nacional, Yeda Crusius, que exerce forte influência na cúpula da sigla.

A deputada federal Geovânia de Sá (SC), relatora do pedido de intervenção acatou, o pedido de João Pedro Dornelles Claret – presidente da Fundação da Infância e Juventude do governo de Cínthia. Ao representar contra Ataídes, o autor afirmou que o ex-senador “não contribui para a manutenção da união e da esperança no PSDB-TO, desrespeitando premissas éticas reiteradamente e até mesmo orientações, personalizando conflitos na mídia local, persistindo em promover a desqualificação de importantes lideranças partidárias”, o que configura transgressão ao Estatuto do partido.

Mesmo Cinthia Ribeiro sendo detentora de mandato e gozar de boa popularidade, Ataídes insistia em conclamar o partido para decidir em votação prévia, quem seria o candidato do partido a prefeito de Palmas. Na verdade, o ex-senador se aproveitava de uma brecha havida no estatuto partidário. É que a regra tucana estabelece que, em todo país, os candidatos serão escolhidos por intermédio de prévias, entretanto, não excetua os casos em que um próprio peessedebista está no exercício do cargo. Na tentativa de minar a candidatura de Cinthia Ribeiro, o ex-senador interpretou a regra ao “pé da letra”.

Ouvido pelo Jornal Opção/Tocantins, Ataídes disse que “a nenhum partido do Brasil é permitido garantir legenda para candidatos a prefeito e nem tampouco a executiva nacional o faça por imposição, porque essa é uma função do diretório municipal”. Ele relatou que o próprio nome do partido tem como base a democracia e por isso não poderia ser diferente. Oliveira alegou que o TSE e, também, o STF já pacificou esse entendimento, ou seja, as prévias devem ser realizadas pelo diretório metropolitano.

Por fim, o ex-senador considerou a decisão da executiva nacional como absurda e promete judicializar a questão tão logo seja notificado pelo partido. Pontuou que não há nenhum pressuposto legal que dê direito à nacional de tomar essa decisão. Por fim, salientou que não vê dificuldade – por entender que estava seguindo as regras do próprio partido – em conseguir uma liminar judicial. Neste caso, a candidatura de Cinthia Ribeiro ficaria sob a égide do “sub-judice”, o que certamente lhe traria problemas em relação ao acesso a fundos partidários, tempo de TV, entre outros imbróglios, colocando sua reeleição em risco.

É hora de Cínthia Ribeiro repensar realmente se compensa permanecer no PSDB para a disputa da eleição municipal de 2020. Caso o ex-presidente estadual consiga realmente uma liminar judicial que lhe garanta o retorno ao cargo, a reeleição da prefeita estaria seriamente comprometida. Ora, se a deputada federal Professora Dorinha já abriu as portas do DEM para Cínthia, porque insistir em permanecer no PSDB, basicamente “dormindo com o inimigo”?

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