“Estou preparado para o mandato na Câmara dos Deputados e para ajudar o Tocantins”

Convidado a participar do Renova BR, deputado federal mais votado do Tocantins fala sobre suas expectativas para o futuro em Brasília

Tiago Dimas: “Posso garantir que vou buscar defender as pautas que forem benéficas para o Tocantins e, consequentemente, contribuir com a gestão de Mauro Carlesse | Foto: Reprodução

Tiago Braga Pereira é o herdeiro político do prefeito de Araguaína, Ronaldo Dimas. Nas eleições de 2018, concorreu sob o nome Tiago Dimas e foi o deputado federal eleito mais votado no Tocantins, com mais de 71 mil votos. Superando o recorde de seu próprio pai, obteve na cidade de Araguaína uma expressiva votação: 27.562 votos, ou seja, mais de 38% dos votos válidos daquele município.

O tema renovação de ideias foi o mote da sua campanha eleitoral. Filiado ao Solidariedade, percorreu o Estado do Tocantins ao lado do senador eleito Eduardo Gomes. Fizeram dobradinha e se tornaram campeões de votos.

Com apenas 30 anos, Tiago Dimas é o mais novo deputado federal eleito pelo Tocantins. É empresário, natural de Uberaba, Minas Gerais, e exerceu, em 2017, o cargo de presidente do Instituto de Desenvolvimento Sustentável do Município de Araguaína durante a atual gestão de seu pai.

Na condição de deputado federal eleito, o sr. foi convidado a participar do Renova BR, iniciativa que nasceu na sociedade civil com o objetivo de preparar novas lideranças para a política brasileira. Como o sr. recebeu este convite?
O projeto é muito importante. Pré-candidatos, secretários estaduais ou municipais e políticos eleitos que se destacam de alguma forma estão aptos a participar. O Renova BR tem a finalidade de preparar gente comprometida e realizadora para entrar na política. Foca, ainda, na renovação do Poder Legislativo e pauta a preparação e atuação de futuros deputados federais e estaduais.

Nesta última edição, foram selecionados alguns novos deputados, além de outras pessoas com o perfil político, que receberam instruções e participaram de cursos sobre o funcionamento das casas legislativas. Fui o único do Tocantins. Foram três dias intensos de cursos sobre mandato legislativo, regimento interno e dinâmicas de negociações e articulações. Considero que foi muito produtivo e engrandecedor.

Entrar para os caminhos da política, seguindo os passos do pai ou mãe, é uma prática comum. O sr. esteve envolvido nas campanhas eleitorais de seu pai, quando disputou o cargo de deputado federal em 2003 e prefeito de Araguaína em 2012 e 2016?
Ainda era muito novo quando meu pai tornou-se deputado federal, mas participei intensamente da campanha eleitoral, liderei grupos de jovens interessados pela política, entreguei santinhos e balancei bandeira no semáforo [risos]. Com o passar do tempo, amadureci e compreendi ainda mais a importância da política na vida de cada um de nós e caminhei junto com ele, colaborando com gestões que o povo lhe deu, mesmo que muitas vezes indiretamente.

Assim como ele, seu perfil se encaixa mais com o Poder Executivo?
Em que pese ser empresário e tirar desta atividade o meu sustento, ainda não é possível responder isso sem antes exercer o mandato legislativo. Gosto muito de estudar as matérias legislativas, os anteprojetos que são apresentados pelos parlamentares e analisar a viabilidade deles em um contexto geral. Estou preparado e convicto que, com muito estudo e dedicação, será possível exercer um bom mandato na Câmara dos Deputados e, por consequência, ajudar a população do Tocantins.

Por quais razões decidiu se ingressar no Solidariedade e como viu o crescimento do partido após o pleito de 2018?
Acredito que nos tornamos o partido mais forte e sólido do Estado. Elegemos, com boa votação e nas primeiras colocações, dois deputados federais — eu e Eli Borges — um senador — Eduardo Gomes — e três deputados estaduais — Vilmar Oliveira, Léo Barbosa e Amélio Cayres.

Me filiei ao SD pela afinidade com o Eduardo Gomes, pois ele foi o quem me deu o primeiro emprego quando eu ainda estudava em Brasília. O partido é forte em nível nacional e o Eduardo Gomes é um dos responsáveis por isso. O partido tem bases sólidas, distribuiu o fundo partidário de forma justa e, por isso, acredito que a escolha foi acertada.

Como o sr. vê a possibilidade do deputado estadual reeleito Vilmar Oliveira se tornar o presidente da Assembleia Legislativa na próxima legislatura?
Acho que ele tem amplas chances de se tornar o presidente, uma vez que possui experiência e conhecimento necessário para ocupar o cargo, além de ser muito articulado. Ele tem bom trâmite junto aos seus pares, como também se relaciona bem com o Palácio Araguaia. O nosso partido pode ajudá-lo, evidentemente, mesmo porque o filho do vice-governador, Léo Barbosa, tornou-se deputado e é filiado à nossa legenda. Há um jogo político nas entrelinhas, pois não é segredo que Wanderlei Barbosa quer concorrer ao cargo de prefeito de Palmas em 2020 e, logicamente, precisa de aliados. Não estou diretamente envolvido com essa eleição interna, mas posso dizer que Vilmar Oliveira é um excelente nome para dirigir s Casa de Leis.

Qual foi seu legado durante o período que esteve como presidente do Instituto de Desenvolvimento Sustentável do Município de Araguaína?
Foi uma experiência ímpar. Em primeiro lugar, enfatizo que renunciei ao recebimento do salário para o exercício dessas funções. Posso afirmar que contribui significativamente na medida em que conseguimos desenvolver alguns projetos que hoje servem de modelo para outras cidades. Para exemplificar, pode ser citado o Araguaína Conectada, que vai, de certa forma, modernizar a gestão, o Investe Araguaína, que já está atraindo investidores para o município, o projeto Estágio Remunerado, que também é uma forma de inclusão para os jovens, inclusive do Ensino Médio, e permite adquirir conhecimento e obter alguma remuneração. Creio que conseguimos deixar uma marca e acredito que a cidade e região reconheceram isso ao me alçarem à condição de deputado federal.

Em que pese perder os deputados federais César Halum e Lázaro Botelho, a população de Araguaína continua bem representada, uma vez que elegeu o sr. e também o petista Célio Moura. O sr. considera que aquela comunidade é eminentemente bairrista?
A população de Araguaína e região demonstrou que ela se identifica e vota em candidatos que têm compromissos com a cidade, principalmente nos cargos proporcionais. Se observarmos o resultado da votação, fica fácil constatar que os candidatos daquela região foram muito bem-votados. Esse é um diferencial de Araguaína, pois, nos outros municípios, quase não se vê essa coesão com os candidatos da própria cidade.

Quais são os grandes projetos que o sr. pretende apresentar para ajudar a alavancar o Tocantins?
Quero, primeiramente, implantar um escritório técnico para que o gabinete tenha retornos e ações práticas. Esses técnicos terão a obrigação de desenvolver projetos para obtenção de recursos e, logicamente, benefícios para a população. Uma vez obtidas as verbas, essa mesma equipe acompanhará a execução dos recursos, como também fiscalizará a aplicação das verbas, trazendo mais eficácia com esse controle.

Além disso, uma das grandes metas da minha legislatura será conseguir unir forças parlamentares visando rever o pacto federativo. A distribuição das verbas por parte do governo federal é extremamente injusta. O dinheiro das nossas riquezas fica concentrado com a União, e esta é uma das razões dos escândalos de corrupção, enquanto os municípios, que cuidam da população de uma forma mais próxima, estão sucateados e sofridos.

Há, ainda, inúmeras matérias que estão em tramitação no Congresso Nacional que precisam ser analisadas e aprovadas na medida em que trazem benefícios sociais para o povo mas estão engavetadas ou esquecidas.

Como fazer para não ser relegado ao chamado baixo clero da Câmara dos Deputados, uma vez que este será o seu primeiro mandato?
É necessário cautela, estudos profundos acerca dos temas e, acima de tudo, humildade para aprender. O trabalho é crescente e a demonstração de conhecimento dos assuntos em debate pode ser capaz de tirar qualquer um da suposta insignificância.

Qual sua percepção sobre a revisão de Lei Kandir e redistribuição dos royalties do petróleo, projeto encabeçado no Congresso Nacional pela senadora tocantinense Kátia Abreu?
A essência da distribuição de riquezas é exatamente essa: não privilegiar alguns poucos em detrimento de muitos. Acredito que pautas como esta têm que ser amplamente discutidas. A riqueza pertence a todo o País e não apenas a alguns Estados. Ainda há uma influência exagerada dos parlamentares dessas unidades da federação devido à enorme bancada. Todavia, creio que a denominada bancada do Renova, composta pelos deputados de primeiro mandato, poderá revigorar as discussões, trazer o debate à tona e promover mudanças que tornem a distribuição das verbas mais justas e igualitárias.

A duração do seu mandato coincide com a gestão do presidente eleito, Jair Bolsonaro, eleito sob a égide do combate à corrupção, como também pela ânsia de mudanças da população em relação ao modelo de gerir a máquina pública. Quais são as suas perspectivas sobre o novo governo?
Entre os motivos do sucesso e da expressiva votação do presidente eleito, estão as propostas de mudanças e apresentação das reformas, que a população tanto anseia. Acredito muito que a renovação de mais de 55% dos componentes da Câmara dos Deputados pode ajudá-lo a avançar e concretizar essas reformas, como a administrativa, a tributária, a fiscal, a previdenciária e a político-partidária.

Quanto à minha postura, não posso dizer que vou apoiá-lo irrestritamente ou não, mesmo porque tenho uma posição de independência dentro do partido, mas vou defender aquilo que acredito e falei nos palanques. Se os projetos dele convergirem com os meus, com certeza terá meu total apoio. Caso haja divergências, vamos ao debate e articulações e que prevaleça a democracia.

E qual é o seu posicionamento quanto ao governo de Mauro Carlesse?
Acredito muito que ele pode e vai fazer um bom mandato. O apoiei na eleição suplementar e também na ordinária. No que diz respeito à minha atuação em Brasília, posso garantir que vou buscar defender as pautas que forem benéficas para o Tocantins e, consequentemente, contribuir com a gestão de Mauro Carlesse.

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