“Enfrentamos a pandemia com coragem e determinação e não transferimos nenhum dos nossos pacientes para outros Estados”

Secretário Estadual de Saúde do Estado do Tocantins, Edgar Tollini, fala sobre as ações de enfretamento à pandemia

O número de casos de Covid-19, tanto no Tocantins, quanto em todo país, é preocupante. Nestas circunstâncias, o Jornal Opção/Tocantins traz entrevista exclusiva com o Secretário Estadual de Saúde do Estado do Tocantins, Edgar Tollini. O gestor explica as nuances da pandemia no Estado, destaca a vacinação, nova variante do vírus e suas perspectivas para os próximos meses. 

O “know-how” de Luiz Edgar Leão Tollini é apropriado para exercer o cargo de maior autoridade em saúde do Tocantins. Graduado em Medicina pela Universidade Federal de Goiás (UFG) em 1989, exerceu cargos de gestão em tecnologia, administração e saúde entre 2004 e 2010 no governo do Estado de Goiás. Entre 2012 e 2013 serviu ao Comitê Olímpico (CO) no Rio de Janeiro. A partir de 2016, assumiu a direção do DAHU [Departamento de Atenção Hospitalar e de Urgência] do Ministério da Saúde em Brasília (DF). Já em 2017, voltou a Goiás para exercer as funções de secretário da Saúde de Aparecida de Goiânia.

No Tocantins, inicialmente nomeado subsecretário, ocupou posteriormente o cargo de diretor-geral do Hospital Geral de Palmas (HGP). Assumiu efetivamente o posto de secretário Estadual de Saúde em maio de 2019 e, enfrentou com maestria, o período pandêmico o qual o país ainda enfrenta. 

Quanto ao recebimento de novas doses das vacinas contra a Covid-19 e cronograma de distribuição como a SES tem agido?
A Secretaria de Estado da Saúde do Tocantins tem seguido, estritamente, as orientações oficiais do Ministério da Saúde (MS), tanto em relação ao cronograma de distribuição das novas doses, quantos aos novos grupos prioritários, seguindo as recomendações do Plano Nacional de Imunização, o qual determina as prioridades no processo de vacinação.

Cumpre ressaltar que a Secretaria estadual apenas distribui os imunizantes recebidos do Ministério da Saúde (MS). Cabe aos municípios, nestas circunstâncias, a responsabilidade na execução da imunização e combate à Covid-19. Temos orientado – assim como os órgãos de controle – as secretarias municipais de saúde a agirem com celeridade na vacinação.

No que concerne à nova cepa do vírus, já há informações de circulação no Tocantins?
Dentre as 41 amostras remetidas ao Laboratório Adolfo Lutz até o momento, recebemos 17 resultados das análises do sequenciamento genômico da nova variante do Coronavírus. Destes, houve apenas uma confirmação, referente a um paciente amazonense de 44 anos, com a variante P.1. Tal Paciente estava internado na rede privada, em Palmas, e chegou ao Tocantins dia 19/01/21 – por sua própria conta. É preciso enfatizar, no entanto, que ele não faz parte da comitiva dos 17 infectados que o Ministério da Saúde (MS) trouxe para o Tocantins. Esclarecemos, ainda, que o Paciente recebeu alta e já retornou à origem.

Percebemos que já foi implantado o sistema de monitoramento de aplicação de vacinas no Estado do Tocantins. O Sr. considera muito importante esse mecanismo?
A transparência dos dados e números é de vital relevância em qualquer instância da administração pública. Ao final da semana que passou, já vacinamos 2,72% da população e já estamos em 12º lugar no ranking brasileiro. O denominado “Vacinômetro”, disponibilizado pela Secretaria de Estado da Saúde, detalha a quantidade de doses recebidas, público alvo vacinado, idade, profissão, sexo e o ranking dos municípios por dose aplicada. Ele pode ser acesso no site: http://integra.saude.to.gov.br/covid19/Vacinometro.

Através desta ferramenta, retiramos os dados do sistema oficial do Ministério da Saúde, que são alimentados pelas equipes municipais de saúde. Quanto mais rápido for a aplicação e alimentação do sistema, mais fidedigna será a informação para a população. Isso demonstra confiabilidade e transparência no processo de vacinação da população. 

Qual foi a sua percepção sobre o evento virtual denominado “Acolhe SUS”?
O “Acolhe SUS” tem como objetivo promover a integração entre os gestores municipais e Pasta saúde estadual, bem como o Ministério da Saúde, além de promover divulgação de informações, acerca da gestão do Sistema Único de Saúde (SUS), regionalização, financiamento e Redes de Atenção à Saúde para benefício dos usuários do SUS.

Entre os temas discutidos este ano, tratamos dos Desafios e Perspectivas da Gestão do SUS para o ano de 2021, Plano Estadual de Vacinação e Operacionalização da Covid – 19, Previne Brasil – Novo Modelo de Financiamento APS, Instrumentos de Gestão do SUS e Sistema de Informações do SUS.

Pedi ao novos gestores que eles tenham espírito de liderança, conhecimento e, principalmente, que tenham capacidade de enfrentamento na condição de prefeito. Nós fazemos parte de uma mesma rede que é tripartite – União, Estado e Municípios, sabemos das nossas responsabilidades e precisamos fazer a nossa parte.”

O Sr. considera que, especificamente no Brasil, a resposta contra a pandemia do Corona Vírus ocorreu em tempo hábil? 
Sim, desde o dia 5 de fevereiro de 2020, quando foi anunciado no Conselho Nacional de Secretários de Saúde, pelo ex-ministro Mandeta, que a situação do novo Coronavírus chegaria ao país, as repostas foram dentro da estimativa da chegada dos casos. Então, acredito que as respostas à pandemia, realizada pelo Ministério da Saúde e nos planos de contingências dos Estados, foram a contento.

O número de óbitos em função da pandemia no Brasil reflete um aspecto da precariedade da saúde pública nacional ou, de fato, a letalidade é proporcional à nocividade do vírus? 
A letalidade é proporcional à nocividade do vírus. Vale ressaltar que, no Estado do Tocantins, estamos com uma das menores taxas de mortalidade do Brasil, 1,35%, dentro dos mais de 100 mil casos. Isso se deve ao fato do Estado ter agido e preparado o Plano de Contingência o mais rápido possível. Fomos o quinto Estado do país a enviar ao Ministério da Saúde o plano de contingência, que veio crescendo à medida do número de casos.

Reforço que não fechamos um único leito durante a pandemia, o que nos deu um conforto e nos preparou para que no aumento de casos – como estamos vivendo hoje – tivéssemos condições de atender. Mesmo em momento de queda dos casos, ampliamos a oferta de leitos, com mais 25 leitos clínicos, em Gurupi, que já serão utilizados nos próximos dez dias. 

Considerando as diversas possibilidades em curso no que diz respeito à imunização, mesmo após ter sido vacinadas, as pessoas ainda deverão seguir as medidas de saúde púbica? 
Sempre. As medidas de segurança principais são: a utilização de máscaras, higienização das mãos com uso de água e sabão e álcool 70% e, acima de tudo, evitar as aglomerações e manter o distanciamento social nos serviços essenciais, como supermercados, etc. Vamos manter isso até que tenhamos uma imunidade de rebanho alcançado pela vacinação de todos.

O Sr. acredita que a pandemia pode trazer algum legado?
Creio que a herança mais importante é o avanço no número de leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI). O Brasil iniciou a pandemia com 30 mil leitos na rede pública e 30 mil leitos na rede privada. Mas vale ressaltar que o Sistema Único de Saúde (SUS) responde por quase 90% da atenção à população brasileira e, agora, depois de habilitar mais 22 mil novos leitos, este é o maior legado que o SUS deve deixar aos Estados: a ampliação do número de leitos de UTI.

É possível afirmar que a história da saúde pública sofre um giro de 360º a partir da pandemia decorrente do coronavírus?
Por certo que sim, uma vez que nossa geração nunca enfrentou algo parecido. Esta é uma crise mundial, de proporções dantescas na qual todos os países do mundo foram afetados de alguma maneira – maior ou menor – que a outra. Vai ser um divisor de águas entre o pré e a pós pandemia, principalmente para aqueles que não acreditavam que esta era uma situação de calamidade pública e de situação pandêmica. Com certeza absoluta o mundo vai pensar em saúde de forma diferente depois da pandemia decorrente do coronavírus.

Por fim, do ponto de vista médico, qual o maior aprendizado que a pandemia provocou até o momento? 
Não obstante ser uma doença nova – com características totalmente diferenciadas da maioria das doenças já conhecidas – nós tínhamos, no primeiro momento, todos aqueles protocolos e ideias de tratamento e isso veio, cada dia mais caindo por terra. Ficou claro que os tratamentos são responsabilidades dos médicos e atribuição individual da relação médico/paciente. 

Acima de tudo, os profissionais se empenhando, começaram a saber trabalhar o acolhimento, que foi melhorando com o passar do tempo e, hoje graças a Deus, estamos em uma situação em que não se sabe tudo, mas temos um conhecimento muito maior do que tínhamos no início da pandemia.

Parabéns pela condução e enfrentamento da pandemia no Tocantins…
Muito obrigado. Nossa missão é, acima de tudo, conduzir o processo de gastos públicos com economicidade e transparência, atender a população infectada e, mais do que isso, trazer segurança para as nossas comunidades. A pandemia não acabou, mas haveremos de vencê-la. 

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