“É possível fazer uma gestão responsável e de sucesso no governo, assim como foi feito em Araguaína”

Ronaldo Dimas foi prefeito de Araguaína e representante de Tocantins no Congresso, agora é pré-candidato ao governo do Estado como opositor a Mauro Carlese

Ex-prefeito de Araguaína Ronaldo Dimas | Foto: Divulgação

Prefeito por dois mandatos (2013 a 2020) de um dos municípios mais importantes do Tocantins – Araguaína – Ronaldo Dimas tem se destacado no cenário político tocantinense. Adversário declarado do atual governo do Tocantins, após encerrar seu mandato de prefeito em 31/12/2020, lançou imediatamente sua pré-candidatura a governador, vez que pretende concorrer ao cargo em 2022.

Dimas foi deputado federal pelo Tocantins entre 2003 e 2006. É um dos fundadores e, também, primeiro presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado do Tocantins (Sinduscon/TO). Exerceu a presidência, por dois mandatos, da Federação das Indústrias do Estado do Tocantins (Fieto), como também, foi Conselheiro da Confederação Nacional da Indústria (CNI). Atualmente é o presidente estadual do Podemos

Nesta entrevista exclusiva ao Jornal Opção/Tocantins ele discorre sobre os avanços e legados como prefeito de Araguaína, fala sobre política partidária e, por fim, sobre sua pretensão de se tornar governador do Estado do Tocantins. 

Em tempos carnavalescos, poderíamos dizer que o Sr. já fez o “abre alas” e colocou o “bloco na rua” disparando o gatilho do processo eleitoral de 2022? Isso não poderia ser considerado uma propaganda eleitoral extemporânea?

Não vejo dessa forma, pois não há sentido proibir alguém de manifestar seu desejo pessoal e tentar construir isso. A constituição me permite expressar o livre pensamento. Para caracterizar a extemporaneidade da propaganda eleitoral seria necessário peças publicitárias, entre outras condutas, o que não é o caso. Estou colocando com clareza a minha pretensão e me encontrando com pessoas que podem contribuir para esse processo. Não há nada demais nisso. 

Sempre surgem questionamentos – em razão da sua proximidade com o senador Eduardo Gomes – sobre esse conflito de interesses, uma vez que ele também é pré-candidato ao governo em 2022…

Tenho uma ótima relação com o Eduardo, somos muito próximos na verdade. Sempre estivemos numa luta árdua, trabalhando em conjunto em prol do Estado do Tocantins e de Araguaína. Contudo, analiso que hoje não faz muito sentido “perder” um senador da república do quilate do Eduardo. Trata-se de um dos mais importantes políticos do Estado – inclusive em cenário nacional – capaz de articular e captar recursos e divisas para o nosso desenvolvimento, com maestria. 

Tudo tem seu tempo e o momento dele vai chegar, com toda certeza. É assim que penso, pois o vejo com um futuro brilhante na política tocantinense. Entretanto, ressalto que é preciso respeitar o direito das pessoas. Se até a convenção para a eleição de 2022 ele decidir pela candidatura, quem sou eu para dizer não? Em que pese nossa estreita relação, não tenho direito de pedir-lhe que recue. 

Nas suas andanças pelo Estado, visando fortificar essa sua pretensão, o Sr. também tem tentado fortalecer – ainda mais – o Podemos, partido que preside no Tocantins?

Sem dúvidas, é preciso fortalecer o partido e acredito que temos chances de eleger, pelo menos, um deputado federal, além de deputados estaduais. Isso é uma construção ao longo do tempo e passa pela eleição das lideranças em 2020 nas mais diversas regiões do Estado. Fizemos uma vereadora em Palmas, que inclusive se tornou presidente da Câmara, dois em Araguaína muito bem votados, dois em Gurupi, três em Dianópolis e vários na região do Bico do Papagaio. Esses líderes são, naturalmente, pré-candidatos a deputados estaduais ou federais em 2022, na grande chapa que pretendemos registrar para aquele pleito. Isso não impede que surjam novos líderes – até mesmo sem mandato – que possam contribuir com o projeto, pois considero necessário dar uma “saculejada” e renovada na política do nosso Estado do Tocantins, com novos pensamentos e ideais. 

Os partidos da sua base aliada, entre os quais o SD, também podem compor nesse projeto?

Perfeitamente, tenho conversado com vários líderes, entre os quais a deputada federal Professora Dorinha do Democratas, senadora Kátia Abreu do PP, senador Irajá do PSD. Tenho facilidade de conversar com todos e não há qualquer sentimento de exclusão, muito pelo contrário, o projeto é de inclusão e participação para construirmos um futuro diferente para o Tocantins. 

Em razão de sua ampla e reconhecida experiência política, o Sr. poderia apontar os equívocos, gargalos e problemas do atual governo do Tocantins, como também algumas soluções? O que poderia melhorar na “gestão Dimas”?

Essas minhas andanças pelo Estado do Tocantins não são exclusivamente políticas. Tenho visto as necessidades de cada região, já coletando essas informações e, construindo com esses dados, um plano de governo consistente. Ao mesmo tempo, temos pessoas no partido capazes de contribuir nas mais diversas áreas, quer seja na infraestrutura, quer seja no meio ambiente ou desenvolvimento econômico. 

Claro que o Estado tem vários problemas e nem todos são responsabilidade exclusiva do atual governador, mas há muito tempo temos visto situações que contribuem negativamente para um quadro muito desfavorável, como as sucessivas cassações e trocas de governantes, através de eleições extemporâneas. Precisamos de estabilidade política, fechamentos de ciclos com tranquilidade. Espero que, mesmo diante das dificuldades, o governador Carlesse consiga virar essa página. 

Minha visão é o Tocantins tem condições e perspectivas de expandir ainda mais o agronegócio, que tem experimentado uma explosão. Esse setor pode gerar um crescimento real de receitas e que isso seja destinado a investimento. Temos que estagnar despesas e criarmos capacidade de investir. Não podemos ficar dependendo de financiamentos para fazer tudo. É claro que esses empréstimos são importantes para o desenvolvimento, porém não podemos nos apegar apenas a isso.

Temos obrigação de criar políticas públicas em todas as áreas, o que não tem acontecido no governo atual, vez que falta planejamento a médio e longo prazo. Esse planejamento é fundamental para fazermos e executarmos um belo projeto para o Estado do Tocantins. 

Neste ponto, restou claro que na sua gestão como prefeito de Araguaína houve muita captação de recursos…

Sim, realizamos obras infraestrurantes com recursos próprios e, naturalmente, até contraímos empréstimos. Contudo, jamais comprometi a capacidade de investimento do município. Ao deixar a gestão, ficaram em caixa mais de R$ 300 milhões de reais, sem contabilidade mágica. Essa foi a marca daquela gestão: responsabilidade com a coisa e com o dinheiro público.

Seria importante um balanço e abordagem de outros aspectos da sua gestão…

Sem falsa modéstia, foram muitas realizações. Uma situação clara é que a cidade em 2012 encontrava-se numa situação de caos. As pessoas estavam descrentes com o poder público. Tive que tomar medidas amargas no início do mandato, caso contrário não conseguiria consertar, como ao final, foi feito. 

Ao longo dos anos, fizemos um grande programa de pavimentação e recapeamento com padrão diferenciado. Nesta parte de infraestrutura, fizemos revitalização de parques de lazer, como a Via Lago e o Parque Cimba, foram abertas novas avenidas e, além disso, evoluímos na área da educação, construindo escolas e creches, acabando com a falta de vagas a partir do terceiro ano de mandato. Fortalecemos a classe de professores proporcionando-lhes salários dignos.

Na área da saúde, também houve evolução, estruturação de novas UBS, além de disponibilização de UTIs e realização de cirurgias cardio-pediátricas. Contamos com especialidades em reabilitação, fizemos um novo hospital – temporariamente voltado para o combate à covid – mas, em breve, será a sede do hospital municipal. A saúde da mulher foi valorizada, principalmente no que concerne ao combate ao câncer, que terá a parceria do “Hospital do Amor”. 

Na assistência social – que incluo a habitação – fiz proporcionalmente em renda per capita, o maior programa de habitação da região norte do Brasil, beneficiando mais sete mil famílias. Revitalizei a região da “Feirinha” retirando-a do abandono e da zona de desconforto – marginalidade e tráfico – que havia em torno daquela comunidade. Há recursos alocados para a construção do Centro de Convenções e, também, foi realizado o concurso da Guarda Municipal. 

Enfim, uma mudança de conceito, na qual a população se sentiu inserida e tem orgulho de morar da cidade. 

A sua chancela contribuiu, naturalmente, contribuiu para que o Sr. fizesse seu sucessor, com bastante tranquilidade. Esse legado de sucesso também pode levá-lo ao Palácio Araguaia?

É um bom começo (risos). Aposto muito no histórico do que foi feito ao longo de todos esses anos, como presidente de instituições, deputado federal, secretário de estado e por fim, prefeito de Araguaína. Creio que isso demonstra para a população que é possível realizar um trabalho diferente, voltado para a política de resultados para o povo. Tenho visto também, por parte dos companheiros que estão alinhados, uma confiança que isso pode ser levado para o governo do Estado do Tocantins.  

Qual a contribuição do deputado federal Tiago Dimas – seu filho – para toda essas conquistas ?

A atuação dele tem sido surpreendente, pois a capacidade de articulação foi um diferencial. As ações diretas – na captação de recursos para o combate a pandemia – foram preponderantes não apenas para Araguaína, como também para praticamente todos os municípios da região. 

Além disso, ele contribuiu para reservar recursos para implantação da guarda municipal, pavimentação de diversos bairros, entre outras ações. Creio que essa capacidade de articulação nos Ministérios, como também junto ao Governo federal tem sido preponderantes para o Tocantins. Mas é preciso também agradecer a atuação da bancada federal como um todo, especialmente os três senadores, que contribuíram demais com Araguaína. 

Por fim, apesar de críticas iniciais, sua atuação na condução do combate à covid-19 no município foi considerada satisfatória…

Foi um período difícil para todos os prefeitos. Tive que ler muito sobre a pandemia, sobre o vírus e tudo que era correlato. Meu foco era não deixar que a cidade ficasse estagnada, senão seria pior ainda. No primeiro momento, no medo generalizado, a ideia foi decretar o chamado “lockdown”. Mas como fechar tudo se nem tínhamos casos ainda? Conforme foram ocorrendo os acontecimentos – sempre ouvindo a sociedade – fomos tomando atitudes de forma tal que não “quebrássemos” o comércio. 

Agimos fortemente para reestruturação da rede de saúde para atender Araguaína e região e abrimos um hospital de campanha para atender a população infectada, como também pactuamos parceiras com outras entidades. Determinei a aquisição de testes e insumos, para que ocorresse a testagem em massa da população e isso também trouxe seguranças. Enfim, a gestão agiu com parcimônia e responsabilidade – mantivemos a rotina de licitações e obras – não deixamos a cidade parar e isso foi reconhecido pela comunidade.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.