“Desde 2002 o PT não perde eleição para presidente no Tocantins”

Deputado revela que 41% dos tocantinenses dizem que votarão no candidato a governador a que Lula pedir voto

Deputado federal Célio Moura está confiante no desempenho do PT do Tocantins nas próximas eleições | Foto: Ruy Bucar

O deputado federal Célio Moura (PT) acredita que a polarização entre o governador Wanderlei Barbosa (Republicanos) e o ex-prefeito de Araguaína Ronaldo Dimas (PL), numa disputa que chama de fratricida, pode beneficiar a candidatura de Paulo Mourão (PT) que tem expectativa de chegar ao segundo turno. “A briga entre o governador e o ex-prefeito de Araguaína vai ser uma guerra, acho que vai sobrar espaço para a gente colocar Paulo Mourão no segundo turno e ganhar as eleições”, avalia.

O deputado comenta que o governador Wanderlei Barbosa conta com apoio de 21 a 22 deputados estaduais, quase a totalidade da Assembleia Legislativa, mas observa que tanto apoio está provocando uma implosão interna. “Em relação à senadora Kátia Abreu (PP), existe uma revolta dentro da Assembleia, pois não a querem como candidata ao Senado na chapa de Wanderlei”, revela, apontando que o governador e Dimas são da mesma origem política, o siqueirismo, o que significa dizer que qualquer um dos dois que vencer as eleições nada vai mudar, em função dos conchavos que falam mais alto.

Célio Moura avalia a renúncia de Carlesse e a posse de Wanderlei com um processo de pacificação das forças tradicionais que comandam o Estado desde que ele foi criado. “O que aconteceu foi uma pacificação, ou seja, retirou-se o governador afastado e tomou posse o vice, para acalmar. Eu acredito que o relatório que vai vir da Polícia Federal possa chamuscar muitas forças políticas. Porque o Carlesse não desviou sozinho esse dinheiro todo que está sendo denunciado”, registra o parlamentar, para quem a solução de um governador efetivo acalma as forças políticas do Estado.

Célio Alves de Moura é mineiro de Arapuá, advogado, pioneiro no Tocantins, tendo atuado na luta pela criação do Estado. Foi o primeiro deputado federal eleito pelo Tocantins e é o vice-líder do PT na Câmara. Nesta entrevista ao Jornal Opção, o deputado prevê que a campanha começa de verdade a partir do encerramento da janela partidária. Aponta que no Tocantins a maioria dos líderes é conservadora, mas os eleitores, não; garante que a federação é uma realidade e que o relatório da Polícia Federal pode comprometer mais lideranças políticas do Estado com proximidade de Carlesse.

Que balanço o sr. faz do advento da federação para as próximas eleições?

A federação foi criada numa negociação na Câmara dos Deputados durante a reforma política. O que aconteceu? Corria-se o risco de passar o distritão, que, no entender de nosso partido, seria um desastre para poder voltar a mesma bancada que temos hoje no Congresso Nacional e a vontade que nós temos de aumentar ainda mais o número de deputados e deputadas, senadores e sanadoras e um novo mandado do presidente Lula. A conversa foi definida que nós faríamos a barganha. Os partidos mais à esquerda – PSOL, PC do B, PSB e PDT – vieram com a ideia da federação que, de forma rápida, sem debate, depois de aprovada começou a se descobrir que tinha muita coisa difícil para decidir. Como ficaria 2024, já que a federação é para quatro anos de forma vertical da presidência da República a vereador? Como ficariam as eleições municipais? Inclusive existe a decisão segundo a qual um partido que disputou as eleições em 2020 teria direito de lançar candidato em 2024. Pelo andar da carruagem, ficará apenas o PV e PCdoB e o PT, são os três partidos que formarão uma federação. E outra federação mais à esquerda que seria do PSOL com a Rede e fará aliança para apoiar Lula presidente.

No Tocantins se aplica a federação?

No Tocantins não vai alterar muito essa frente. De certa forma, pelo que nós vimos, se ela acontecer, o PV não sei como vai ficar, pelo que parece os deputados do partido tendem a apoiar o governador atual e se isso acontecer vai ficar um pouco difícil porque a federação não permite que isso aconteça. Da mesma forma o PCdoB já assinou um documento dizendo que vai apoiar o atual governador. Então, nós vamos debater ainda, temos um tempo pela frente, porque o tempo de definição da federação será só em maio. Mas até dois de abril tem que decidir a janela partidária. Então nós vamos saber quem é quem na janela partidária e aí no final, nós veremos qual vai ser a melhor saída para a federação que já é uma realidade na política brasileira.

Qual o balanço da janela até aqui?

O PT cresceu. Nós tivemos aí a entrada do Roberto Requião, no Paraná, como candidato a governador, bem como o senador (Fabiano) Contarato, no Espirito Santo. Temos outras lideranças que estão entrando para o Partido dos Trabalhadores, acreditamos que o partido vai crescer e sem sombra de dúvidas vamos ter uma boa campanha. Vamos fazer aliança com vários outros candidatos. Na verdade, a política mesmo começa agora depois da janela partidária.  Nós vamos ver quem deixou o governo para ser candidato, quem deixou o serviço, aí nós vamos saber quem de fato vai ser candidato.

A decisão do ex-governador Geraldo Alckmin de se filiar ao PSB consolida o apoio do partido e pacifica a composição na chapa de Lula?

A experiência do presidente Lula em 2002 ao chamar o senador José Alencar para ser o vice nos indica que o caminho certo é chamar alguém do centro para acalmar um pouco os ânimos do mercado, do capital, da Faria Lima, como se diz lá na bancada. O nome do ex-governador Geraldo Alckmin simboliza o mesmo formato que foi com Alencar. Dentro do PT existe divergência, inclusive do PT de São Paulo, tem vários companheiros que discordam do nome. Dado que já houve disputa entre o PT e ele como candidato ao governo, à Presidência da República, mas na verdade, eu acho que essa aliança vai acontecer e acho que com isso a gente tem condições de garantir essa frente que nós temos hoje com o presidente Lula e que ela vai crescer ainda mais uma vez que é um dos grandes nomes que temos no centro, é do ex-governador Geraldo Alckmin.

Por que o PT do Tocantins não consegue republicar essa composição com o centro como acontece em nível nacional? Vocês são radicais?

Para ter ideia, na bancada do Tocantins somos 11 integrantes – os três senadores e oito deputados federais – e somente eu voto pela esquerda, os outros todos são bolsonaristas, fazem parte do Centrão ou votam com o Centrão, não tem nenhuma aproximação com o campo progressista. Na Assembleia Legislativa, da mesma forma, só os deputados do PT são diferentes. O partido está aberto, o nosso pré-candidato tem conversado com todo mundo. Tem ampliado o diálogo para unir as forças. O partido sempre foi aberto. O problema do Tocantins é que desde que foi criado temos apenas duas forças políticas: o siqueirismo e o mirandismo. Você pode ver que qualquer uma dessas forças que estão se colocando agora, quer seja o governador ou o ex-prefeito de Araguaína, todos vieram do siqueirismo. Não existe novidade. Para se ter ideia do que isso representa, se você apanhar uma foto da primeira eleição de Siqueira Campos e tirar uma agora tanto do Wanderlei, quanto do Dimas, vai ver que as pessoas que aparecem são as mesmas. É uma briga entre eles, mas votam juntos, estão juntos no governo federal, as bancadas de ambos os lados votam as mesmas matérias, acompanham o presidente em todas as suas propostas, não existe postura de coerência. E é por isso que muitas vezes o PT, ao manter a sua luta programática histórica de oposição, fica só com as próprias candidaturas. Eu espero que nestas eleições haja uma mudança, que a gente possa ampliar raio de apoio. Além do mais o nosso pré-candidato é um cidadão tocantinense, conhece todo mundo, que teve a oportunidade de caminhar com várias forças políticas do Estado e que ele tem essa facilidade de aglutinar outras forças para compor a nossa chapa. A nossa briga maior é irmos para o segundo turno.

A polarização entre Wanderlei e Dimas parece inevitável. Até que ponto Paulo Mourão pode ser beneficiado por este confronto que tende a baixar o nível?

Veja você que o governador que tomou posse na semana passada já pegou assinatura com 21 deputados. Parece que 22 porque o Júnior Geo só não assinou porque era o relator do processo de impeachment. Com a renúncia do Carlesse acredito que ele poderia até assinar aquele manifesto. Já a senadora que compunha esta frente junto com Wanderlei Barbosa, a senadora Kátia Abreu (PP) existe uma revolta dentro da Assembleia Legislativa que não a querem como candidato ao Senado na chapa de Wanderlei Barbosa. Ou seja, Wanderlei tem a vantagem de ter a Assembleia do lado, porém Ronaldo Dimas com apoio do senador Eduardo Gomes (MDB) sem sombra de dúvida deverá puxar uma grande frente de prefeitos, haja vista que ele tem sido porta-voz do governo federal, como líder do governo. Ele tem uma forte presença nos municípios e vai fazer com que a candidatura de Dimas possa existir talvez uma frente grande de prefeitos. Ou seja, disputa entre os dois, a disputa entre a direita tocantinense, eu costumo de dizer, de ultradireita, ninguém sabe que é mais bolsonarista entre os dois candidatos vai fazer com que a população tocantinense associe a nossa candidatura com a do presidente Lula que já disputa a preferência do eleitorado tocantinense. Nós temos pesquisas internas, mostrando que Lula está na frente no Tocantins e também que 41% dos eleitores disseram, em pesquisa, que votariam no candidato que a governador que o presidente Lula recomendar.

Desde 2002 o PT nunca perdeu uma eleição majoritária para presidente da República no Tocantins. O que acontece é que muitas vezes nós ganhamos a eleição para presidente da República, mas às vezes os nossos candidatos do partido não são bem votados da mesma forma que o presidente Lula é. Desta vez, eu tenho certeza absoluta que faremos um marketing forte, o presidente Lula estará presente no programa eleitoral, de rádio e televisão, falando da necessidade da eleição de Paulo Mourão governador e da eleição de uma grande bancada de deputados federais e estaduais. Eu acredito que com o programa eleitoral chegando, com as disputas se acirrando, nós poderemos trazer o nosso grande cabo eleitoral, Luiz Inácio Lula da Silva para levar Paulo Mourão para o segundo turno, para que nós possamos aumentar as nossas vagas na Câmara dos Deputados, fazermos dois ou três deputados federais, e agente dobrar u triplicar as nossas vagas na Assembleia Legislativa.

O sr. afirmou que a maioria dos líderes são conservadores e até ultraconservadores, mas o eleitor tocantinense, nem tanto. Pela postura que se observa nas urnas, é um filão que o PT do Tocantins precisa explorar mais?

Olha, nós sabemos que as candidaturas a deputado federal, a deputado estadual, a senador geralmente são candidatos de direita. Alguns de extrema direita, e agora que eles sabem que o Lula é forte, mais no interior, o que que eles estão fazendo? O voto camarão. Eles não pedem voto para presidente da República. Eu já conversei com alguns deputados que disseram que não vou pedir voto para presidente da República. Isso é desonesto porque essa onda de tanto faz o Lula ou o Bolsonaro você quer dizer que é Bolsonaro, mas não vai revelar senão perde o voto. Nós, vamos fazer diferente. Uma campanha popular, os movimentos sociais estão todos animados com a candidatura do PT; os movimentos sindicais, as igrejas, estamos agora começando a penetrar nas igrejas evangélicas, no movimento estudantil, nas universidades, dentro das comunidades indígenas, quilombolas, dentro da juventude, no movimento negro, nós estamos conseguindo, graças a Deus, unificar todas estas forças para que todos caminhamos num rumo só. Com certeza absoluta lutarmos para ter dois turnos no Tocantins e colocar o nosso pré-candidato Paulo Mourão no segundo turno das eleições. A briga entre o governador e o ex-prefeito de Araguaína vai ser uma guerra, acho que vai sobrar espaço para a gente colocar Paulo Mourão no segundo turno e ganhar as eleições.

Que balanço o partido faz dos primeiros encontros regionais que foram realizados e que tem objetivo de ouvir a militância?

O Partido dos Trabalhadores é disparadamente o mais querido do Tocantins. Fizemos uma pesquisa que revelou que 12% da população do Estado considera o PT o melhor partido do Brasil e do Tocantins. Em segundo lugar vem o MDB com menos de 1%. Esses encontros regionais que estão sendo realizados estamos juntando força de todos os segmentos. O que nós estamos sentindo é vontade do partido, que está unificado, em torno do objetivo de eleger o presidente Lula novamente presidente do Brasil. O presidente que mais ajudou o Tocantins. Elegermos Paulo Mourão, sem sombra de dúvidas o mais preparado de todos os outros candidatos, também tocantinense, um empresário moderno, foi prefeito de Porto Nacional, vitorioso, duas vezes eleito pelo Sebrae o melhor prefeito do Tocantins e também escolhido pela Unicamp como um dos 10 melhores prefeitos do Brasil. Tem um programa de governo que está sendo discutido nestas reuniões que estamos fazendo. E nós acreditamos que no debate que vai acontecer Paulo Mourão vai mostrar que está mais preparado e que está do lado do presidente que vai vencer as eleições.

A polarização entre esquerda e direita aumentou a intolerância. Ficou mais difícil fazer campanha política?

Olha, o que o PT não tem muito é dinheiro. Nós não temos condições financeiras igual aos outros, mas temos o fundo eleitoral que sem sombras de dúvidas vai contribuir para que a gente possa botar a campanha na rua. Eu acho que a melhor notícia que nós temos é essa disputa fraticida a direita tocantinense. Entre o grupo Marcelo Miranda, representado por Ronaldo Dimas e o Siqueirismo representado pelo governador Wanderlei Barbosa. Essa briga vai ser tão violenta que vai abrir uma brecha para que a gente possa discutir e mostrar que a melhor proposta para o Tocantins é o ex-prefeito de Porto Nacional e ex-deputado Paulo Mourão.

A renúncia inesperada de Carlesse e a ascensão de Wanderlei Barbosa como governador efetivo, impactou a vida política do Estado, tem reflexo também no rumo das eleições?

Acho que não terá nenhum reflexo nas eleições. Até porque o governo do Carlesse foi assistido pelo atual governador Wanderlei Barbosa, ele era o seu vice, operava toda a política governamental. Tudo que aconteceu no Estado o vice-governador era sabedor do que estava acontecendo. Se existiu roubo como foi denunciado pela Polícia Federal o atual governador sabia, e não denunciou, ficou calado. Da mesma forma o candidato lá de Araguaína que também apoio o Carlesse e apoiou o vice-governador, fizeram campanha juntos em Araguaína, andaram o Bico do Papagaio todo. Também teve a grande oportunidade de denunciar os desmandos, os desvios, os deslizes administrativos que aconteceram. Agora o que aconteceu foi uma pacificação, ou seja, retirou o governador afastado e tomou posse o vice para acalmar. Eu acredito que o relatório que vai vir da Polícia Federal possa chamuscar muitas forças políticas. Porque o Carlesse não desviou esse dinheiro todo que está denunciado sozinho. Como se diz lá em Goiás, pode ter batom da cueca de muita gente. Sem dúvida que a decisão de ter um governador efetivo como foi feito após a renúncia de Carlesse, isso acalma um pouco a política do Estado. Agora está na hora do Wanderlei mostrar qual é o projeto que ele tem para o Tocantins.

Uma resposta para ““Desde 2002 o PT não perde eleição para presidente no Tocantins””

  1. Avatar Jozafa Ribeiro Maciel disse:

    Deputado Célio Moura conhece bem a política ticantinense como poucos

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