Cinthia Ribeiro tem de ganhar musculatura para enfrentar as eleições

Prefeita de Palmas tem a oportunidade de marcar a gestão com o empréstimo de 60 milhões de dólares da Cooperativa Andina de Fomento

Cinthia Ribeiro, prefeita de Palmas | Foto: Prefeitura de Palmas

É fato notório que falta à gestão da prefeita Cinthia Ribeiro (PSDB) uma melhor articulação e musculatura política. Ela bem que tentou estreitar os laços com agentes políticos, com mandatos ou não, nomeando o ex-vereador Carlos Braga como secretário Municipal de Governo e Relações Institucionais. O resultado foi pífio, pois o referido nomeado não goza de tanto prestígio junto à classe, como acreditou ou imaginava a prefeita.

A gestora Cinthia é extremamente simpática, boa gente e até popular, mas lhe falta o crivo das urnas. Ela é viúva de um grande político tocantinenese, João Ribeiro, e, por isso, consegue ter a simpatia de muitos dos ex-correligionários. Elegeu-se, sob a insígnia dessa “herança”, vice-prefeita da capital na chapa do ex-prefeito Carlos Amastha (PSB), porém, efetivamente, seu nome nunca foi testado nas urnas.

Há grandes perspectivas da prefeita encerrar seu mandato deixando um inigualável legado, afinal de contas, em brevíssimo espaço de tempo vão entrar 60 milhões de dólares da Cooperativa Andina de Fomento (CAF) no caixa da Prefeitura de Palmas, para investimentos infraestruturantes.

Mas resultados de gestão são diferentes de resultados políticos. Muitos governantes, bem avaliados como gestores, cansaram de perder eleições no Tocantins porque não possuíam cacife político. Esse é o caso da prefeita de Palmas, isso é fato incontroverso. Se a eleição fosse hoje, talvez a popularidade conquistada até agora não fosse suficiente para reconduzi-la à cadeira de chefe do Poder Executivo municipal.

O que fazer e como fazer?!? Bem, os conselhos vão de presente, em homenagem à a data festiva correlata ao aniversário da capital:

1) Desfiliar-se, imediatamente, do PSDB. Nos ambientes onde há mais inimigos do que amigos é melhor sair à francesa. Aliado a isso, o pior: seus poucos amigos dentro da sigla estão em Brasília, Porto Alegre/RS ou São Paulo. Nesse caso, o socorro demora demais a chegar e, quando chega, o estrago já está feito. É melhor não insistir e nem tampouco medir forças. Esse desgaste é desnecessário;

2) Aproximar-se, ainda mais, do senador Eduardo Gomes e, se for o caso, filiar-se no MDB pela mesma via que desembarcou o senador no partido: através da alta cúpula. Além de se tornar a candidata natural do partido para as eleições vindouras, de quebra, evitaria o surgimento de um adversário – com o mesmo discurso – que poderia lhe roubar preciosos votos;

3) Convocar, ao invés de convidar, seu fiel escudeiro, vereador Milton Neris, para assumir a Secretaria de Governo. O parlamentar, inteligente, perspicaz, estudioso e detentor de mandato, seria ouvido pela ampla maioria de seus pares e, o melhor, até pelo atual inquilino do Palácio Araguaia. O partido de Neris (PP) participa e tem voz no governo estadual, nas pessoas de seus líderes, Lázaro Botelho e Valderez Castelo Branco. Não seria inimaginável, neste caso, contar com o apoio do governo estadual na eleição. Se não trouxesse votos, pelo menos evitaria o surgimento de outro candidato oriundo da base palaciana, que também lhe roubaria votos, exatamente pelo semelhante discurso ideológico.

Diante de todas as circunstâncias, se quiser disputar com chances de ganhar a eleição, Cinthia precisa agir rápido, movimentando de maneira correta as peças nesse tabuleiro de xadrez chamado eleição. Enganam-se aqueles que acreditam que ainda é cedo para agir. Já passou da hora, inclusive. Se a prefeita aprendeu algo de política com seu ex-esposo, deve colocar em prática imediatamente, sob o risco de ver o “cavalo passar arreado”.

A força do jogo político, infelizmente, ainda é maior que a força de uma boa gestão.

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