Cinthia Ribeiro e Mauro Carlesse | Fotos: Reprodução

Várias foram os atropelos políticos pelos quais a população do Estado do Tocantins e da capital, Palmas, passaram em 2018. A cidade, que era comandada pelo colombiano Carlos Amastha (PSB), ficou sem prefeito após sua renúncia, em abril. Amastha achou poderia sair vitorioso nas eleições para governador, que possuía cacife político, dinheiro e poder de coesão. O tempo mostrou que ele estava errado.

Já o Estado sofreu o duro golpe de mais uma cassação de governador. A justiça eleitoral, também em abril, afastou definitivamente do cargo o ex-gestor Marcelo Miranda (MDB). Foi verdadeiramente um mês sombrio esse abril de 2018, uma vez que as duas ocorrências deixaram as gestões posteriores em frangalhos.

Se Marcelo Miranda esperava aproveitar 2018 parar aparar as arestas e disputar a reeleição em outubro, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) lhe ceifou a chance, extirpando-lhe do Palácio Araguaia. O novo inquilino, o então presidente da Assembleia Legislativa, Mauro Carlesse (PHS), seria o sexto governador a assumir o cargo entre 2009 e 2018.

A gestão iniciou de forma turbulenta, uma vez que houve uma verdadeira guerra de liminares judiciais, que ora voltava Marcelo ao poder, ora impedia o governo transitório de Carlesse de pagar emendas parlamentares ou outras despesas que não fossem essenciais.

Um caos. O governo estagnou. Serviços essenciais foram paralisados e a população paga, até hoje, o preço da troca de comandante. É que logo após houve uma eleição suplementar em dois turnos de votação, e quatro meses depois, eleições ordinárias.

Os prazos encurtaram, as proibições e restrições no período eleitoral puseram um pé no freio do desenvolvimento e a gestão ficou, por assim dizer, capenga. O que foi feito ou permitido apenas manteve o Estado funcionando minimamente.

Talvez a melhor terminologia seja mesmo mandato tampão. Carlesse tapou provisoriamente esse buraco de contas que não fechavam, de arrecadações frustradas de receitas, contingenciamentos de duodécimos, cortes de servidores, serviços essenciais que não funcionam em sua plenitude, entre outros problemas. Resumindo: remando para não afundar.

Já a prefeita de Palmas, Cinthia Ribeiro (PSDB), não experimentou problemas tão graves. Entretanto, proporcionalmente, foi bem semelhante. Ela pegou o bonde andando. Amastha já havia comprometido o orçamento municipal — uma vez que houve uma “pedalada fiscal” de 31 de dezembro de 2017 para 1º de janeiro de 2018; exigiu manutenção de seus aliados mesmo após sua renúncia; criou um desgaste desnecessário junto à população quando aumentou a carga tributária, especialmente o IPTU; permitiu e anuiu com um rombo monetário no Instituto de Previdência dos Servidores Municipais que ultrapassa da cifra de R$ 50 milhões; estabeleceu uma péssima relação com a Câmara Municipal, além de ser o responsável por uma crise institucional sem precedentes entre a Prefeitura de Palmas e o governo do Estado do Tocantins, deputados federais, estaduais e senadores. O Paço Municipal estava completamente isolado quando a atual prefeita enfim assumiu a gestão.

Tempestades que passam, poeira que baixa, heranças malditas que permanecem — ou pelo menos o rastro delas. O certo é que no dia 1º de janeiro de 2019 iniciam-se, definitivamente, os mandatos de Mauro Carlesse e Cinthia Ribeiro.

Ambos tem uma ótima relação institucional, diga-se de passagem, e muitas são as esperanças de que suas gestões possam alavancar, de vez, a cidade de Palmas e o Estado do Tocantins.

Sem terem que administrar o caos das gestões anteriores, sem eleições extemporâneas para atrapalhar a sequencia de acertos e, finalmente, colocando em prática planejamentos sérios e exequíveis — sem cometer erros grotescos —, a chance de sucesso aumenta muito.

Resta-nos aguardar os próximos capítulos dessa novela e torcer para que o casal de protagonistas consiga ao menos não decepcionar os tão sofridos telespectadores palmenses e tocantinenses.