“A região do Vale do Araguaia está esquecida”

Deputado, que assumiu após a licença de Eduardo Bonagura, diz que dedicará o mandato para corrigir distorções da região, que tem várias obras inacabadas

Ivan Alves, deputado estadual pelo Tocantins | Foto: Benhur de Sousa/AL

Ivan Alves de Oliveira é tocantinense de Paraíso e agropecuarista. Influenciado pelo seu pai, ex-vereador na cidade, herdou dele o engajamento político. Muito ligado ao meio rural, é popularmente conhecido como Ivan Vaqueiro e, em 1995, foi eleito presidente do Sindicato Rural de Paraíso. Sob sua gestão, foi criada a ExpoBrasil, uma das maiores exposições agropecuárias da Região Norte do Brasil, que naquele mesmo ano foi reconhecida e ranqueada nacionalmente.

Durante sua vida sempre esteve presente e lutando por Paraíso, sem nunca ter exercido um cargo público. Em 2010 foi candidato pela primeira vez a uma cadeira na Assembleia Legislativa, pelo PT, restando-lhe primeira suplência, quando obteve votação em aproximadamente 100 municípios do Estado.

Em 2014, sua candidatura chegou a ser registrada, pelo MDB, contudo, em face de outras circunstâncias, não chegou a disputar a eleição. Já em 2018, foi candidato pelo PPS, alcançando a suplência após obter 6.597 votos. Após o pedido de licença do deputado titular Eduardo Bonagura, Ivan Vaqueiro assumiu a condição de deputado no parlamento estadual.

 

A sua trajetória política inicia-se em 2010 com a primeira candidatura à Assembleia Legislativa. Em 2018, mesmo na suplência, o sr. assume o cargo de deputado estadual, após a licença do titular. Qual é a sua perspectiva ante a possibilidade de contribuir, efetivamente, pela região que o sr. representa?
A primeira experiência política foi em 2010 e consegui a primeira suplência. Em 2014, apesar do partido ao qual estava filiado à época (MDB) ter feito o registro de minha candidatura, não fui para a disputa. Já em 2018, a dedicação foi total e, desta vez, consegui obter um razoável número de votos, chegando novamente, na primeira suplência.

Creio que isso se deve ao meu histórico como comprador de gado nessa região. Essa atividade me levou, inclusive, a me tornar diretor e, posteriormente, presidente o Sindicato Rural de Paraíso, oportunidade em que estruturamos o parque agropecuário, bem como elevamos o nível da exposição anual, tornando-a uma das mais importantes da região norte do país.

Represento a região central e o vale do Araguaia, Paraíso, Monte Santo, Divinópolis, Marianópolis, Caseara, Abreulândia, Dois Irmãos, Araguacema, Barrolândia, Rio dos Bois e Miranorte. Sou negociante/comprador de gado nessa região há mais 30 anos e conheço as potencialidades, como também, as deficiências destas localidades, tanto na zona urbana, quanto na zona rural.

Há algum tipo de compromisso ou acordo com o titular do mandato, para que sua permanência na Assembleia Legislativa se estenda além dos 121 dias?
Sim, a coligação vencedora, da qual fiz parte, firmou o compromisso que os suplentes assumiriam o mandato por pelo menos um ano, intercalado ou não. Mostrando fidelidade e compromisso, os deputados Eduardo Bonagura e Ivory de Lira cederam as vagas para mim e para o Delegado Rérisson, já no primeiro ano de mandato. Essa é uma prova que nosso grupo é unido e está mais coeso do que nunca.

Enquanto o sr. permanecer como deputado estadual, quais são as metas prioritárias?
Neste período em que estou envolvido com a política, de 2010 para cá, pude perceber que a região do Vale do Araguaia está esquecida. Há várias obras inacabadas, emendas parlamentares que foram remanejadas e outras distorções.

Só nesse período em que estou no exercício mandato, já conseguimos alavancar a estrada que liga Paraíso à Chapada da Areia, como também outras obras que podem ajudar no desenvolvimento da região. Tenho outros projetos e requerimentos que serão apresentados nos próximos dias. Espero que sejam aprovados, de forma tal que possamos sair, de vez, do esquecimento.

Analisando sua prestação de contas junto ao TRE-TO, verifica-se que o Sr. foi o seu próprio e principal doador, arcando com 80% dos gastos de campanha. Qual é a sua avaliação sobre a destinação do fundo partidário?
Creio que cada qual deve arcar com os custos de sua campanha e assim o fiz. Não tive ajuda política do partido na última eleição, até pelos poucos recursos disponíveis para a nossa sigla.

Assim como no caso da ausência de coligações partidárias, previstas para 2020 – em que realmente se elegerá o mais votado – sou adepto de cada qual financiar suas campanhas, ao invés de receber dinheiro público para isso. Essa situação faz com que a justiça prevaleça e, aqueles que gozam do apoio popular, são elevados ao cargo parlamentar, ao invés de ascender ao cargo por coeficiente partidário.

Falando em eleições municipais em 2020, quais são as perspectivas do seu partido ou de aliados nos municípios de sua base eleitoral?
Temos vários pré-candidatos já definidos, em quase todos os municípios da nossa base eleitoral, como por exemplo, Miranorte, Chapada de Areia, Monte Santo, Caseara, Divinópolis, todos candidatos com musculatura política e probabilidade de obter êxito na eleição.

E o Sr. é pré-candidato a prefeito de Paraíso em 2020?
Temos hoje onze pessoas, onde qualquer um deles pode ser o candidato do grupo. Dentre esses, qualquer um que for unanimidade será o candidato e contará com o apoio dos outros dez. Eu estou no grupo, portanto, sou um deles, mas não por imposição. Só serei candidato se houver consenso. Se isso ocorrer, meu nome é pronto.

Sua base eleitoral, Paraíso do Tocantins, hoje vive basicamente a pecuária. Há alguma outra forma de melhorar/aperfeiçoar a economia do município?
Paraíso é capital do bezerro. A cidade conta com três frigoríficos e dois em pleno funcionamento. Abate-se entre 1000 e 1200 cabeças de gado por dia, fornecendo carne para o Estado do Tocantins. O movimento de gado alavanca a economia do município, não resta dúvidas, contudo, estamos planejando ações que podem melhorar, ainda mais, a economia da cidade, gerando mais emprego e mais renda.

Fala-se muito, em época de eleições federais, da revisão do pacto federativo, contudo, passado o pleito eleitoral, o assunto é esquecido. Qual a sua percepção acerca do tema?
A divisão é mal distribuída e mal aplicada. Os municípios, que estão na ponta e atende diretamente a população, recebem a menor parte das verbas, enquanto a União fica com a maior parte das receitas. Isso influência no crescimento econômico do país, de forma negativa.

Ivan Alves: “Temos pré-candidatos definidos, em quase todos os municípios da nossa base” | Foto: Koró Rocha/AL

Acredito que não apenas o presidente Bolsonaro, como também o nosso governador Carlesse, tem uma visão de mudanças e vão querer reformular essa divisão dos recursos públicos. Também é provável que os novos deputados, federais e estaduais, que assumiram a partir de 2019, também mostrem disposição para essas mudanças.

O Sr. aprova – até o momento – o governo de Jair Bolsonaro?
Sem dúvidas, fiz campanha, votei e votaria outra vez. Trata-se de um homem sério, que mudou radicalmente o Brasil, pela coragem de agir e enfretar temas espinhosos. Compreendo que é complicado mudar conceitos e práticas arraigadas durante trinta anos, mas estou apostando que o Bolsonaro conseguirá obter sucesso.

E sua relação com o governador Carlesse? O sr. compõe a base de sustentação do Palácio na Assembléia Legislativa?
Sim, nossa relação, tanto pessoal quanto institucional, é excelente. Temos afinidades e ele abraçou a minha região e o Vale do Araguaia como nenhum outro governador o fez. Ele tem cumprido os compromissos com aquela gente, mesmo tendo assumido o Estado do Tocantins praticamente em cacos. A estabilidade foi conseguida, graças a cortes na própria carne e, hoje, estamos enquadrados na LRF. Quanto ao meu posicionamento no parlamento, sou 100% da base governista.

O sr. entende que a sua conversão, tornando-se evangélico, mudou brutalmente sua vida, tanto pessoal quanto política?
Não tenho dúvidas. Minha vida era muito desrregrada. Mudei completamente meus hábitos há vinte anos atrás e até hoje congrego na igreja de Cristo de Paraíso, liderada pelo apóstolo Cláudio. Meus relacionamentos – principalmente o familiar – mudaram drasticamente e eu só tenho a agradecer a Deus pelas conquistas maravilhosas que Ele operou em minha vida. Sou casado, pai de três filhos e muito feliz.

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