“A prioridade do meu mandato será a família”

Deputado federal eleito diz que lutará por políticas públicas que beneficiem as crianças e adolescentes, a educação, a cultura e o lazer

Osires Damaso: ” Fiz o máximo que poderia fazer para contribuir com o crescimento e desenvolvimento do Estado do Tocantins” | Foto: Divulgação

Osires Rodrigues Damaso foi eleito deputado federal em 2018 pelo PSC, obtendo a segunda maior votação do Estado do Tocantins para o cargo: 58.726 votos. Após dois mandatos como deputado estadual, tendo exercido, inclusive, a presidência da Assembleia Legislativa, Osires Damaso chega ao Congresso Nacional sob uma nova perspectiva, disposto a lutar políticas públicas que possam beneficiar a população tocantinense.

Osires Damaso é empresário no ramo supermercadista e agropecuarista. Natural de Campinorte, Goiás, está radicado no Tocantins e se tornou cidadão paraisense há mais de 50 anos.

Seu histórico é um tanto quanto intrigante, de vendedor de peixe na feira a caminhoneiro no ramo hortifrutigranjeiro e, depois, de proprietário de supermercado a deputado estadual e presidente da Assembleia Legislativa. Como o sr. analisa essa trajetória e onde ela se cruza com a emancipação do Estado do Tocantins?
Com toda certeza as histórias se cruzam, uma vez que me tornei comerciante ainda no norte do Estado de Goiás, quando a emancipação do Tocantins ainda era um sonho distante. Tenho orgulho de dizer que comecei minha vida como frentista e depois vendendo peixe nas feiras. Não há nenhum mal nisso. São trabalhos dignos e honestos. Também fui motorista de caminhão e depois consegui abrir um pequeno comércio. Quando surgiu o Estado do Tocantins, vieram novas oportunidades de crescimento e comecei atividades no segmento de hortifrutigranjeiros.

A emancipação do nosso território desenvolveu a região e, naturalmente, era necessário eleger novos governantes. Com o decorrer do tempo, fui incentivado pelos correligionários, ainda no ano 2000, a ser candidato, pelo PMDB, a prefeito da cidade de Paraíso do Tocantins. Fiz uma campanha propositiva e estava bem cotado nas pesquisas, mas não obtive êxito.

Em 2002, fui candidato a deputado estadual, ficando na primeira suplência. Em 2004, minha intenção era concorrer novamente ao cargo de prefeito. Entretanto, conjecturas internas do partido me tiraram da disputa. Já em 2006 tentei me tornar deputado estadual mais uma vez. Naquela eleição, em que pese ter sido o 20º mais bem votado, fiquei, de novo, na primeira suplência, em razão do quociente eleitoral.

E quando foi que o sr. se tornou efetivamente deputado estadual?
No ano de 2009, após a primeira cassação do governador Marcelo Miranda. O deputado Gaguim, então presidente da Assembleia Legislativa, assumiu o governo do Tocantins para um mandato tampão e eu, na condição de primeiro suplente, assumi a cadeira no Legislativo.

Nas eleições de 2010, fui reeleito deputado estadual e em 2014 já era vice-presidente da Casa. Após a renúncia do então governador Siqueira Campos, o presidente da Assembleia Legislativa, Sandoval Cardoso, assumiu o governo do Estado do Tocantins. Por consequência natural, me tornei presidente. No mesmo ano, fui reeleito para mais um mandato de deputado estadual e, logo após, também reeleito presidente da Assembleia para o biênio 2015/2016.

Que análise o sr. faz sobre seus mandatos como deputado estadual e presidente do Poder Legislativo estadual?
Creio que fiz o máximo que poderia fazer para contribuir com o crescimento e desenvolvimento do Estado do Tocantins. Apesar de ser oposicionista ao então governador Marcelo Miranda, jamais permiti que o exercício da presidência pautasse matérias ou prejudicasse os planejamentos do chefe do Poder Executivo ou sua governabilidade. Nunca exerci o cargo para negociar cargos ou benesses e sempre encaminhei as matérias às comissões o mais rápido possível para que fossem analisadas e irem a plenário para votação. O então governador Marcelo Miranda, no entanto, só reconheceu minha conduta e minhas contribuições para os avanços da gestão após o então presidente da Assembleia Legislativa, Mauro Carlesse, que ele ajudou a eleger, passou a administrar o parlamento de forma diferente.

Sob seu comando, a Assembleia Legislativa veiculou campanhas publicitárias que exaltavam que a Casa de Leis é a voz do povo, conclamando os eleitores a participarem das sessões para acompanharem as atuações de cada parlamentar. Essa ideia de aproximar a sociedade do legislativo teve origem no seu gabinete ou no próprio departamento de comunicação?
A iniciativa foi minha. Talvez tenha sido a época em que mais houve audiências públicas para discussão de matérias e oitivas populares. Por minha determinação, fizemos parcerias com as rádios comunitárias das mais longínquas regiões, onde não chegava o sinal da TV Assembleia. Isso oportunizou à população a conferir e se inteirar acerca da atuação de cada parlamentar, suas ações, discursos e projetos.

Qual o projeto de sua autoria ou de colegas de parlamento que tenha sido aprovado na atual legislativa que o sr. considera como destaque?
Não há especificamente um ou outro mais importante. Foi um conjunto de ações e matérias que impactaram na vida dos cidadãos. A característica marcante foi, sem dúvida, o diálogo e o respeito com o povo, a dedicação com as famílias tocantinenses.

O sr. chegou a assumir o governo estadual em dezembro de 2015, em virtude da viagem oficial do governador Marcelo Miranda para participação na COP-21 [Convenção das Nações Unidas sobre Mudança do Clima] na cidade de Paris, França. Como o sr. classificou essa experiência?
Gratificante, mas, ao mesmo tempo, sem condições de fazer muita coisa, pois não poderia alterar as estratégias do governo em curso. Foi um prazo muito curto. Contudo, mesmo assim, abri diálogo e negociação com o sindicato dos servidores públicos, que estava emperrada, bem como determinei o repasse das verbas que estavam atrasadas e comprometendo o funcionamento da saúde pública. Enfim, agi com cautela, sem comprometer as ações do governo estadual ou suas políticas públicas.

O sr. se filiou ao PSC e passou a comandar o partido no Estado, quando também se filiaram, à época, os deputados Junior Evangelista e Jorge Frederico. O sr. promoveu filiações em Paraíso e também em Taquaralto, arregimentando outras lideranças políticas. Quais as bandeiras que o sr. considerou na hora de se filiar a esta sigla?
Primeiramente, por ser um partido cristão, da família, que prega a ética e a moral. Assumi a sigla em um momento difícil, com prestação de contas atrasadas e pendências junto ao TER [Tribunal Regional Eleitoral]. Organizamos muita coisa, mas há vícios e falta de documentação, anteriores à minha gestão, que não conseguimos solucionar. Em razão disso, durante a minha gestão, jamais recebemos quaisquer verbas de fundo partidário e, se isso ocorrer, será a partir de 2019, em razão do nosso árduo trabalho.

O sr. é partidário do associativismo e é filiado à Acip [Associação Comercial e Industrial de Paraíso do Tocantins], participa do Sindicato Rural de Paraíso do Tocantins e da Atos [Associação Tocantinense dos Supermercados]. Essa prática, o associativismo, é uma das melhores saídas para os setores industrial e comercial?
Tenho plena convicção que sim. Um líder à frente das instituições, fazendo um trabalho sério, fortalece muito a classe. A exemplo disso, quando assumi o Sindicato Rural de Paraíso, ainda em 1999, havia dívidas na ordem de R$ 12 mil. Um ano e meio depois, me afastei para candidatar-me a prefeito. Entreguei o cargo com aproximadamente R$ 90 mil em caixa, além de ter realizado reformas em galpões e comprado tratores, entre outros avanços. Vejo que o associativismo proporciona condições de lutar pela mesma causa coletiva, como também a interação e fortalecimento dos associados, trazendo resultados positivos.

Nas eleições de 2018, o sr. obteve mais de 58 mil votos para deputado federal, ficando na segunda colocação geral para o cargo, superando políticos que já exercem o mandato em Brasília, como Gaguim, Dulce Miranda, Vicentinho Jr e Professora Dorinha. A quais fatores o sr. atribui essa significativa votação?
Ao respeito, à lealdade e à verdade com as pessoas e comunidades. Às vezes, sou duro. Quando digo que não posso fazer algo, muitos ficam chateados, mas não há como prometer o que não consigo cumprir. Ao longo do tempo, as pessoas entendem que é melhor ser sincero do que fazer falsas promessas. Minha palavra tem valor junto à população e, exatamente por essa razão, fui votado nos 139 municípios e tive votação majoritária em 20 deles. Mesmo não tendo um líder de expressão, fazendo uma campanha com base nos colaboradores e voluntários, obtivemos êxito. Portanto, não tenho rabo preso e nem tampouco compromissos políticos com este ou aquele grupo.

“Bolsonaro não tem o direito de errar e nem compactuar com condutas ilícitas”

Osires Damaso, à esquerda, ao lado do presidente eleito, Jair Bolsonaro | Foto: Reprodução

Quais as suas perspectivas para o seu mandato como congressista a partir de 2019 e, mais do que isso, qual será sua relação com o presidente eleito, Jair Bolsonaro, já que o sr. o conhece de longa data, uma vez que ele já foi filiado ao PSC?
Acredito muito que Bolsonaro fará um bom governo, considerando que ele também não está atrelado a grupos e, certamente, avançará. Vale ressaltar, entretanto, que ele não tem direito de errar e nem compactuar com condutas ilícitas porque conta com o aval da população, que o elegeu com muita confiança que será diferente. Em um primeiro momento, com toda certeza, será um mandato um tanto quanto complicado. Será necessário muita cautela. Até a própria população e Congresso Nacional entender como funcionará exatamente, enfrentaremos dias difíceis. Depois isso, quando o governo tomar rumo e os resultados começarem a surgir, viveremos novos tempos.

O sr. assumirá uma postura de apoio ao governo federal?
A tendência é assumir uma posição situacionista, mas com muita cautela. Quero me resguardar ao direito de votar contra se entender que um projeto ou medida governamental possa prejudicar a população.

O seu mandato como deputado federal priorizará alguma área específica, região ou classe?
A prioridade do meu mandato será a família. Lutarei por políticas públicas que beneficiem as crianças e adolescentes, a educação, a cultura, o lazer e a capacitação delas. É necessário também fortalecer as micro e pequenas empresas de tal forma que elas possam gerar ainda mais emprego e renda para os pais e mães de família. Não se pode também deixar de priorizar as pessoas de terceira idade, lutando por políticas públicas que possam proporcionar mais qualidade de vida para essa parcela da população.

E no tocante às melhorias do corredor de exportação que o Estado do Tocantins se transformou nos últimos anos?
Em termos de obras, será prioridade no meu mandato lutar incansavelmente por recursos que viabilizem a finalização da BR-242 que liga a região Nordeste ao Mato Grosso, passando pelo Tocantins. Isso inclui a construção da ponte sobre a ilha do bananal e o Rio Araguaia. Também é necessário finalizar a BR-010 que interliga o Estado com o Piauí e Maranhão, como também a BR-235 que liga o Matopiba a Pedro Afonso e a Ferrovia Norte Sul. Contudo, a obra prioritária é, sem dúvidas, a duplicação da BR-153, ligando Palmas e Paraíso à Brasília, numa via de mão dupla. Farei gestão para que essa obra saia do papel, pois não tenho dúvida que isso vai fortalecer o desenvolvimento e os modais que já possuímos no Estado do Tocantins. É necessário que o governo estadual una forças com a bancada federal em busca desses recursos para viabilizar essas obras.

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