“A marca da administração será a transparência”

O vice-prefeito de Porto Nacional, Joaquim do Luzimangues, avaliou as prioridades da gestão e os gargalos que precisam ser enfrentados

Joaquim Pereira de Carvalho Neto está radicado no distrito de Luzimangues desde o início da década de noventa. Oriundo de Dueré/TO, sua família tem raízes na política tocantinense, exercendo cargos de prefeito e vereador em vários municípios. 

Com forte trabalho social na região, o mecânico “Joaquim do Luzimangues” candidatou-se a vereador por Porto Nacional em 2008, mas não obteve êxito. Em 2012, obteve 566 votos e foi eleito vereador representante do distrito na Câmara de Vereadores de Porto Nacional. Já em 2016, foi reeleito, pelo PSDB, após obter 1.195 votos, a segunda maior votação do município naquele pleito. Permaneceu na oposição ao prefeito eleito, Joaquim Maia. Por fim, em 2020, após migrar para o partido Republicanos, foi eleito vice-prefeito na chapa encabeçada por Ronivon Maciel. 

Porque o Sr. decidiu se arriscar candidatar-se a vice-prefeito de Porto Nacional, se sua reeleição para vereador estava praticamente garantida?
Foram dias de aflição. Eu relutei no início porque o candidato Otoniel Andrade contava com a estrutura do governo do Estado do Tocantins, enquanto o prefeito – candidato a reeleição – tinha toda estrutura da prefeitura municipal. Era praticamente um duelo de Davi contra Golias, pois nossa chapa não contava com essa estrutura. Tínhamos, apenas, o desejo verdadeiro da mudança. 

O povo do distrito reconheceu o meu trabalho social, minhas ações como vereador entre 2012 e 2020. Além disso, entendeu a mensagem da nossa chapa e, graças a Deus, fui eleito o primeiro vice-prefeito de Porto Nacional, oriundo de Luzimangues. O que posso dizer é que teremos mais representatividade após essa vitória, mesmo porque elegemos, também, quatro vereadores e isso nos fortalece. 

Os quatros vereadores eleitos com os votos da população do Distrito estão alinhados com o novo prefeito?
Sim, todos os quatro acompanham Ronivon Maciel. Aliás, dentre os 15 vereadores, 14 estão acompanhando a gestão, por acreditarem que é possível que o novo prefeito faça um bom trabalho. 

Como foi a votação das chapas especificamente no distrito de Luzimangues?
Dentre os mais de 26 mil habitantes, são 6.070 eleitores, dos quais 4.201 foram às urnas. Nossa chapa obteve 1.649 votos, o candidato Otoniel Andrade 1.476 votos e o prefeito Joaquim Maia, 1.052 votos. Considero, sinceramente, que nossa boa votação no distrito está ligado ao fato de participarmos da chapa na condição de vice e termos desenvolvido um bom trabalho enquanto vereador, representante da região na câmara de Porto Nacional. 

Dentro dessa perspectiva, uma vez eleito vice-prefeito e representante do distrito, certamente o Sr. será uma espécie de prefeito de Luzimangues…
Não é bem assim (risos). Vamos aprovar um novo organograma na Câmara de Vereadores, criando a Secretaria distrital e seu corpo técnico e, dentro desta perspectiva, vou atuar como o gestor do distrito, com autonomia, ajudando a trazer as transformações que a população necessita. Essa é a combinação com prefeito eleito, Ronivon Maciel.

A área que mais precisa de investimentos é a educação?
Sem dúvidas, em 2013 tínhamos 58 alunos na rede pública municipal de ensino. Hoje são mais de 1.700 alunos atendidos. Um aumento significativo que a administração municipal não acompanhou, resultando num déficit de mais 400 vagas. Essas crianças aguardam na fila de espera. Esta situação tem que ser resolvida o mais rápido possível pela nossa gestão, que está apenas começando. 

Além disso, qual o outro gargalo?
Criarmos a infraestrutura é essencial, como já disse, mas há outros problemas como postos de saúde, que funcionam praticamente como pronto-socorro, para atender toda essa população. Não adianta contratar mais médicos, pois a nossa estrutura física não suporta. A verdade é que precisamos construir novos postos de saúde e descentralizar as equipes. 

Além disso, a comunidade precisa entender a importância de transferir o título eleitoral para Luzimangues. Somos mais de 26 mil pessoas e apenas 6 mil eleitores. Cerca de 10 mil pessoas votam em Palmas. Isso influencia demais no direcionamento de emendas, por parte dos parlamentares, tanto federais, quanto estaduais. O baixo número de eleitores nos prejudicam, entende? Evidente que os deputados federais Carlos Gaguim, Vicentinho Junior e Professora Dorinha já mandaram emendas para o distrito, porém, eles teriam muito mais força nos ministérios se o nosso eleitorado oficial estivesse mais próximo da realidade. 

Qual será a marca da sua administração?
Com toda certeza a marca da administração será a transparência. Preciso mostrar, com documentos e relatórios, as nossas ações. Todas as ações, benfeitorias, arrecadação e gastos vão estar publicados, tanto nos murais da nossa sede do distrito, quanto nos grupos e redes sociais. Isso vai dar credibilidade para a nossa gestão, pois esse foi o nosso compromisso de campanha. 

Qual a sua reflexão sobre a possível emancipação do distrito de Luzimangues?
Muitos parlamentares do Tocantins tem interesse no tema, mas alguns deputados tem reclamado que a bancada – por contar apenas com oito deputados – tem pouca força dentro do Congresso Nacional para convencerem seus pares. A “divisão do bolo” em mais partes é uma questão muito controversa tanto no senado, quanto na câmara federal e mais: precisa da aprovação de uma PEC – Proposta de Emenda Constitucional.

Já fomos em caravana para Brasília em várias oportunidades para acompanhar votações, mas em todas as vezes o projeto foi retirado de pauta. Essa lei beneficiaria vários distritos do Brasil – inclusive Luzimangues – que preenchem os requisitos populacionais e econômicos para emancipação. 

Em que pese o distrito pertencer a Porto Nacional, há um verdadeiro cordão umbilical com Palmas, já que boa parte da população trabalha na capital e utiliza os serviços básicos daquele município. O Sr. pensa em alguma forma de pactuar com a gestão de Palmas para que não haja desproporcionalidade de gastos dos municípios?
A primeira coisa que precisa ser pactuada com Palmas é a integração do transporte coletivo. O morador do Luzimangues paga duas passagens para transitar em Palmas, quando na verdade, seria mais lógico fazer a integração nos terminais e nossa população pagasse apenas uma passagem, como ocorre com o usuário do transporte coletivo de Palmas. 

Na gestão passada, marcamos com a prefeita Cinthia Ribeiro para tratar do tema, contudo, o ex-prefeito Joaquim Maia não compareceu às reuniões que foram designadas. Nesta gestão do prefeito Ronivon, vamos acertar esses detalhes com a gestora de Palmas, o mais rápido possível, inclusive, para que mais ônibus circule entre a capital e o nosso Distrito.

Como o potencial turístico de Luzimangues poderia ser melhor aproveitado?
Nosso lago é de uma beleza infinita. A nossa praia compete em beleza, tanto com a Graciosa, quanto com a do Praia do Prata, em Palmas. Até a corrente da água, por estar mais próxima do leito do rio, é melhor para os banhistas. Não tem barro no fundo da água, é areia pura. Além disso, não está de frente para o sol da tarde e isso também é um atrativo.

O deputado Carlos Gaguim conseguiu recursos junto ao ministério do turismo para construirmos infraestrutura e uma praia permanente. Contudo, em razão do período pandêmico, a liberação dos recursos foi contingenciada. Vamos fazer todos os esforços nesta nova gestão para as obras sejam retomadas. 

Outro potencial do lago são os tanques-rede para criação de peixes. Os produtores da região estão ávidos para que as autorizações ambientais sejam concedidas. Precisamos superar alguns entraves burocráticos e, se Deus permitir, vamos fazê-lo nessa gestão. 

Suas considerações finais…
Penso que, ao final dos quatro anos, queremos entregar para essa comunidade muitas obras e benfeitorias. Precisamos devolver a esperança para essa população e proporcionar, lazer, construindo praças, por exemplo. 

Além disso, precisamos fazer tratativas junto às concessionárias para melhorar a qualidade e a distribuição da energia, da iluminação pública, como também da água nos loteamentos. Padecemos, também, com a coleta de lixo precária e isso precisa ser melhorado. Construir prédios adequados para que funcionem as nossas escolas e postos de saúde. São muitas demandas que, uma vez resolvidas, vão melhorar a qualidade de vida da população.

Além disso, precisamos nos esforçar para que em 2022 o distrito consiga eleger um deputado estadual. Isso nos trará força na liberação de emendas e benfeitorias para nossa comunidade. Temos população suficiente para isso, basta que as pessoas transfiram seus títulos para cá e se comprometam com o lugar onde escolheram para morar e viver. Precisamos dessa identidade política urgentemente.  

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