“A duplicação da BR-153 no Tocantins é necessária e urgente”

Deputado federal Tiago Dimas critica posição da Agência Nacional de Transporte Terrestres sobre a rodovia e diz que Estado sai prejudicado com a postergação da obra

Tiago Dimas: “A reforma da Previdência é extremamente importante” | Foto: Câmara dos Deputados

Tiago Dimas é o herdeiro político do prefeito de Araguaína, Ronaldo Dimas. Nas eleições de 2018, foi o deputado federal eleito mais votado no Tocantins, com mais de 71 mil votos. Superando o recorde de seu próprio pai, obteve na cidade de Araguaína uma expressiva votação: 27.562 votos, ou seja, mais de 38% dos votos válidos daquele município.

Sua trajetória na Câmara Federal vai desde a defesa do livre mercado na aviação doméstica, ao ferrenho discurso em favor do agronegócio. Nesta entrevista ao Jornal Opção, o jovem parlamentar expõe suas ações e bandeiras, como também, faz um balanço dos seis primeiros meses do seu mandato.

Com apenas 30 anos, Tiago Dimas é o mais novo deputado federal eleito pelo Tocantins. É empresário, natural de Uberaba, Minas Gerais, e exerceu, em 2017, o cargo de presidente do Instituto de Desenvolvimento Sustentável do Município de Araguaína durante a gestão de seu pai, que se encerra em 2020.

Antes de quaisquer questões, considero como razoável que o sr. exponha os avanços e conquistas obtidas durante o primeiro semestre da sua legislatura…
Posso dizer que tem fluído muito bem, graças a Deus. Estou muito animado com o trabalho desenvolvido, correspondendo à altura, a confiança do povo tocantinense.

Foram trinta Propostas Legislativas – quatro projetos de lei e o restante, requerimentos apresentados, relatórios, emendas à Constituição e outras matérias. Faço parte sete comissões diferentes na Câmara dos Deputados.

Apresentei o Projeto de Lei n° 1.185/2019, que prevê que todas as novas escolas, a serem construídas no Brasil, sejam equipadas com ar-condicionado, abastecidos via energia solar. A iniciativa também foi inspirada em Araguaína, que tem climatização em todas as escolas da rede municipal e, com isso, vem melhorando ano a ano o desempenho da educação. A proposta tramita na Câmara dos Deputados.

Juntamente com meu pai e o senador Eduardo Gomes, conseguimos a liberação de recursos que somam cerca de R$ 13 milhões de repasses do governo federal que estavam atrasados para a Saúde de Araguaína. Desde o ano passado, o Município vinha mantendo os serviços das unidades básicas (UBS), Unidade de Terapia Intensiva (UTI) Pediátrica e a implementação do Centro de Especialidades em Reabilitação (CER) sem esses recursos.

Como membro titular da Comissão de Desenvolvimento Econômico, Indústria, Comércio e Serviços, solicitei e presidi a audiência pública para evitar o fechamento de unidades da Conab – Companhia Nacional de Abastecimento, em Araguaína, uma vez que a Conab é garantia de alimentos mais baratos à população.

Em relação à reforma previdenciária, qual sua percepção acerca do tema e como o sr. se posicionou no dia da votação na Câmara Federal?
Considero essa reforma como extremamente necessária para a retomada do desenvolvimento e ciclo econômico do país. Infelizmente o déficit é muito alto e para que sistema não se torne insustentável, faz-se necessário as readequações. A persistir o atual modelo, em poucos anos o Estado não conseguiria promover os investimentos básicos que o país precisa e, nem tampouco, arcar com as aposentadorias das pessoas. Aliado a isso, é necessário também fazermos a reforma tributária que, em consonância com a previdenciária, vai possibilitar o crescimento econômico. O grande desafio, por fim, é a geração de emprego e produtividade.

Enfim, a reforma da previdência foi votada na Câmara, com algumas emendas e destaques e eu votei de forma favorável. Agora o texto tramita no Senado Federal. Espero que seja analisado e votado e aprovado, em breve, sem alterações, para que possa seguir para sanção presidencial.

“Temos três nomes fortes para a eleição em Araguaína” | Foto: Câmara dos Deputados

Sua relação com o Poder Executivo e o presidente Bolsonaro é boa ou apenas amistosa?
No início do mandato, houve uma dificuldade muito evidente do presidente com o Congresso Nacional, porque a visão inicial dele era que a grande maioria dos parlamentares pertenciam à “velha política” e fariam exigências do tipo “toma lá, dá cá!”. Esse não é o meu posicionamento – quem me conhece sabe da minha postura – contudo, essa caracterização foi muito generalizada e isso atrapalhou um pouco as relações institucionais. Sou, por exemplo, de uma nova geração de políticos, que veio com vontade de mudar o rumo do país, lutando por causas nobres, ao invés de priorizar os próprios benefícios pessoais.

O presidente demorou muito para assimilar isso e conseguir separar o joio do trigo. Ele conseguiu melhorar essas relações interpessoais, mas ainda está longe do ideal, mesmo porque ele ainda adota posicionamentos polêmicos em alguns temas, como também emite declarações que, sinceramente falando, eram desnecessárias.

Contudo, estou confiante que ele possa fazer um bom mandato e contribua para que o nosso país cresça e se desenvolva.

Em relação à proposta do governo federal, para iniciar a duplicação da BR-153 no trecho que corta o Estado do Tocantins, daqui a 15 anos, qual o seu posicionamento?
Discordei veementemente. A necessidade de duplicação desta rodovia é necessária e urgente. A proposta da ANTT prevê investimentos em duplicação no vizinho Estado de Goiás já no primeiro ano, enquanto que no Tocantins, isso ocorreria apenas a partir do 16º ano. Na minha visão, está totalmente errado. Enquanto deputado e representante da população, vou lutar fortemente para reverter essa situação.

Dentro das audiências públicas, vamos identificar e debater esse e outros temas, visto que se prevalecer o projeto inicial, o Tocantins ficará muito prejudicado. Tenho convicção que isto será revisto, mesmo porque essa força-tarefa e o apoio e engajamento de toda a bancada federal tocantinense, certamente vai contribuir para que os investimentos para duplicação no Tocantins ocorram o quanto antes.

E no que concerne à liberação, por liminar do STJ, do início das obras de construção da ponte sobre o Rio Araguaia, em Xambioá, ligando o município ao município paraense São Geraldo do Araguaia?
Xambioá faz parte da região que represento e fiquei muito feliz com essa liberação, uma vez que essa interligação do Estado do Pará com nosso Estado é de suma importância para ambos. O escoamento da produção, a facilidade da travessia, o estímulo e intercâmbio do comércio, entre outros avanços, contribuirão com o desenvolvimento daquelas cidades e regiões circunvizinhas.

Falando em travessia, qual seu posicionamento sobre a construção da TO-500, que cruza a Ilha do Bananal e interliga o Tocantins ao Mato Grosso?
O governo estadual expôs aos representantes do BNDES, que essa obra é prioritária. Isso faz muito sentido, porque o MT tem uma alta produção de grãos que, atualmente, percorre um longo caminho até o porto de Santos, para ser exportada. A travessia da ilha do bananal é importante porque toda a produção do MT seria trazida ao Tocantins para ser embarcada no terminal da Ferrovia Norte-Sul, em Gurupi, seguindo para o Porto de Itaqui, no Maranhão. Além disso, o volume de cargas vai gerar, também, renda e emprego para a população tocantinense.

Em muitos dos seus discursos, o Sr. se indigna com a pouca oferta de voos para o Tocantins, como também do alto custo da passagem. Quais são as perspectivas para que isso seja solucionado?
De fato, as empresas aéreas consideram alguns voos domésticos como deficitários, o que é uma inverdade, pois estão sempre lotados, mesmo diante do alto custo das passagens aéreas. Mas, o preço que se pratica no Tocantins é um verdadeiro absurdo – quase três vezes mais caro – passível de intervenção de nossa parte, como representante do povo. Obviamente, essa escassez de voos, aliado ao alto custo da tarifa, dificulta e inibe o desenvolvimento econômico do nosso Estado. Não é novidade que as cidades que possuem rotas aéreas se desenvolvem mais rapidamente, em razão dessa facilidade.

Estou numa luta junto ao Ministério e às empresas aéreas, para que possamos encontrar soluções, mas tenho sentido que em relação às companhias, esse diálogo não vai evoluir muito. Portanto, propus e obtive assinatura de todos os membros da bancada tocantinense (deputados e senadores), para que pudéssemos ingressar com uma ação no CADE, Conselho Administrativo de Defesa Econômica, visando reverter esse alto custo das passagens.

Paralelamente, para conseguir melhores preços, precisamos de competitividade. O que há no Tocantins é um monopólio das rotas, que deve ser quebrado. Estou em constante contato com companhias menores – que já atuam no Pará, Amapá e Amazonas – dispostas a operar no Estado do Tocantins. As viagens seriam realizadas com aeronaves menores, em pequenos trechos, trazendo passageiros das cidades do interior para a capital e vice-versa. Neste caso, as rotas prioritárias seriam para Gurupi, Araguaína e Jalapão. É o futuro da aviação regional.

O Sr. assumiu a causa dos produtores de leite na Câmara Federal?
O agronegócio representa um quarto do PIB brasileiro, mas não tem sido valorizado. Infelizmente, o Brasil não tem sido eficaz quando se trata de mecanismos que visam proteger os agropecuaristas e nossa produção interna. Tem adentrado no Brasil, muito leite em pó a um baixo custo, oriundo de outros países – que recebem subsídios dos governos locais – o que, automaticamente, impacta e reduz o preço do produto brasileiro. Já os laticínios, não conseguem competir com esses preços e acaba não conseguindo oferecer produtos derivados do leite, como queijo mussarela e iogurte, por exemplo, a preços atrativos. Por isso, como membro titular da Comissão de Desenvolvimento Econômico, intervi junto ao governo federal, em favor da cadeia produtiva do leite. Espero conseguir reverter essa situação, uma das minhas bandeiras, na Câmara Federal.

Em relação ao processo eleitoral de 2020, naturalmente sua base eleitoral é o norte do Estado, com ênfase em Araguaína. Quais são suas perspectivas?
Minha pretensão é eleger muitos aliados, prefeitos e vereadores, mas a verdade é que em 2018, tive apoio de apenas três prefeitos com mandato: meu pai, em Araguaína, Piraquê e Palmeirante. Fui o mais votado em 15 municípios do Tocantins e isso representa a força do nosso grupo político, porque muitas pessoas residentes em cidades cujo prefeito não nos apoiava, tivemos uma votação considerável. Temos bons planos e projetos para o Estado do Tocantins e, naturalmente, vou lutar para que os novos prefeitos eleitos estejam em sintonia com essas ideias.

Especificamente em Araguaína, em relação a sucessão do seu pai, qual é a tendência do grupo em relação ao candidato?
Aí você me aperta (risos). Mas digo-lhe que depende de uma construção do nome, aliado ao projeto. Temos três nomes fortes: o deputado estadual Elenil da Penha, nosso aliado de longa data, com grande competitividade; o vereador Marcus Marcelo, candidato a deputado estadual mais votado na cidade, que tem um histórico de lutas e companheirismo conosco, como também o Gipão, presidente da Câmara, que são bons nomes para a cidade; e por fim, Wagner Rodrigues, chefe de gabinete da Prefeitura de Araguaína, que acompanha meu pai há mais de 20 anos e também tem vontade de governar a cidade.

São esses os nomes, vamos discutir e, obviamente, uma candidatura dessa não pode ser imposta e, sim, construída. Fizemos um planejamento sério, queremos alguém que dê continuidade nos nossos projetos, mesmo porque em razão da demora na liberação de muitas emendas, muitos deles não foram concluídos, ficando a cargo do sucessor. Tenho certeza que qualquer um desses nomes representaria bem o nosso grupo e estaria comprometido em fazer o melhor para a cidade. Vamos afunilar as discussões e decidir o que for melhor para Araguaína.

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