“A certificação de área livre da aftosa abre mercados internacionais para o TO”

Alberto Mendes, presidente da Agência de Defesa Agropecuária 

Presidente da Agência de Defesa Agropecuária comemora resultados da fiscalização e alerta produtores sobre prazo para enviar comprovantes

O atual presidente da Agência de Defesa Agropecuária do Tocantins (Adapec), o goiano de Ivolândia Alberto Mendes da Rocha, é médico veterinário e obteve aprovação em concurso público há mais de 18 anos, quando chegou à cidade de Fátima–TO. Graduado pela Universidade Estadual do Maranhão em 1992, é especialista em Controle de Qualidade de Alimentos de Origem Animal e em Epidemiologia Veterinária, com ênfase em Defesa Sanitária. 

Exerceu o cargo de presidente da (Adapec) em 2009. Posteriormente, foi chefe do escritório da Agência no município de Fátima–TO e, desde o início de 2019, exerce – novamente – o cargo de presidente da Agência de Defesa Agropecuária.

No que concerne à inexigibilidade da vacina antiaftosa em território tocantinense, a partir de 2021, quais são os reais ganhos para os produtores e para o próprio Estado?
As vacinações ocorrem, atualmente, duas vezes por ano. Em maio, todo o rebanho é imunizado e, em novembro, apenas as reses com idade entre zero de vinte e quatro meses.

Em 2019 e 2020, as doses foram reduzidas de 5ml para 2ml, uma vez que em razão da campanhas intensivas de vacinação em todo o Brasil, a doença foi praticamente erradicada. Em 2021, o Tocantins estará, de vez, na zona livre de aftosa, sem vacinação. O Estado foi incluso no Bloco 4, onde também estão a Bahia, Distrito Federal, Espírito Santo, Goiás, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Sergipe e São Paulo.

Essa certificação para vender, sem vacinação, abre os mercados internacionais para negociações baseadas em valores agregados ainda maiores, considerando que o gado estará livre da doença, mesmo sem vacinação. O mercado externo, principalmente o asiático, tem primazia por esse tipo carne, valoriza e paga melhores preços por esse produto.

Após o fim do prazo de vacinação, há outras obrigações para o produtor rural?
Sim, até o dia 10 de junho ele terá que apresentar declarações, notas fiscais de compra da vacina e comprovar que vacinou cada cabeça do seu rebanho. Caso isso não ocorra, multas são aplicadas – tanto por rês não vacinada, quanto por propriedade – e o produtor só poderá vacinar os bovinos sob a inspeção da Adapec, numa data específica, designada pelo escritório do município onde se localiza a propriedade rural.

Outra doença que preocupa os produtores é a brucelose…
Também temos focado na erradicação dessa enfermidade animal. É a segunda doença que mais preocupa, tanto o governo quanto os produtores. A vacina, atualmente, é aplicada uma vez por ano nas reses fêmeas com idade de 3 a 8 meses. Contamos com mais de 1.300 servidores, espalhados pelos escritórios localizados nos 139 municípios tocantinenses. Essa estrutura visa, exatamente, cobrir toda a extensão do território e não permitir que pessoas mal intencionadas burlem a legislação.

E quanto à peste suína clássica?
Há poucos meses, houve um surto no Ceará e no Piauí e quatro técnicos nossos foram enviados para lá para que possam se atualizar, ajudar as Agências dos Estados vizinhos e fazer esforços para que essa doença não chegue até o Tocantins. É um árduo trabalho preventivo. Assim como outros Estados, fizemos barreiras sanitárias, na tentativa de evitar a proliferação da doença por aqui. Entretanto, há ainda outra grande preocupação: muitos países não compram sequer a soja produzida nos Estados brasileiros, se os mesmos forem atingidos pela peste suína clássica, por receio de contaminação.

Hoje o Tocantins possui um rebanho de suínos de 320 mil animais, criados em 154 granjas comerciais e criatórios de subsistência cadastrados no órgão. É importante, portanto, a intensificação da fiscalização de trânsito, principalmente nas áreas limítrofes à zona não livre da peste, nas divisas dos Estados do Maranhão, Pará e Piauí, além da realização de um trabalho de educação sanitária junto aos proprietários de granjas de suínos e produtores rurais.

Por falar em doenças de origem vegetal, poderia explanar sobre a ferrugem asiática, muitas vezes encontrada nas lavouras de soja desta região?
A qualidade da semente influencia nesse quesito, mas a exigência do vazio sanitário é uma de nossas maiores armas no combate da ferrugem asiática. Esse período sem cultivo (julho, agosto, setembro) contribui muito para isso.

A Agência cadastrou mais de 1.500 propriedades de soja numa área de quase 1 milhão de hectares, com a intensificação no monitoramento da ferrugem e também de pragas de importância econômica como a Helicoverpa armigera e o Amaranthus palmeri.

Já nas áreas de Várzeas Tropicais, como Lagoa da Confusão, Sandolândia e Formoso do Araguaia, por exemplo, onde se produz sementes, continuamos as atividades para assegurar as condições de excepcionalidade da produção de soja, autorizando o plantio no período do vazio sanitário. Contudo, todas as atividades são bem controladas e fiscalizadas.

Por fim, é necessário abordar, também, a questão da raiva. Qual é o nível de controle do morcego transmissor?
Esta zoonose está bem controlada, uma vez que nossa equipe é bem treinada e tornou-se referência nacional. Temos, ainda, um trabalho conjunto com a saúde humana, visando evitar maiores proliferações. São duas equipes de captura que fazem o controle dos morcegos hematófagos, nas regiões de serras e cavernas, localizadas em Monte do Carmo, Taguatinga, Natividade, Arraias, entre outras cidades.

O Estado do Tocantins possui extensas fronteiras com Pará, Maranhão, Piauí, Bahia, Goiás e Mato Grosso, o que certamente é um fator que dificulta a fiscalização. Qual é a atual situação das regiões fronteiriças
Todas muito bem fiscalizadas, com contingente suficiente. Tanto as barreiras fixas, quanto as volantes conseguem cobrir satisfatoriamente nosso território. Passam pelo crivo da fiscalização a documentação, os relatórios de vacinação, a origem e a propriedade dos animais. É necessário o controle rígido de trânsito nessas fronteiras, exatamente para evitar as doenças migrem e invadam outros Estados federados.

A Adapec participou da Feira Agrotecnológica – Agrotins 2019 – onde apresentou palestras sobre educação sanitária, doenças transmissíveis, etc. Qual o balanço que o sr. faz do referido evento?
Considerei muito positivo, pois foi uma oportunidade ímpar de mostrar nossas atividades, alertar acerca da necessidade da vacinação, o perigo das doenças e pragas, reafirmando nosso compromisso com os produtores, estudantes e a sociedade em geral. Aproveitamos o ensejo para lançar a campanha de vacinação de 2019 contra a aftosa.

Não apenas na Agrotins, mas em todas as feiras agropecuárias, temos por objetivo intensificar esses trabalhos, como também disponibilizamos palestrantes em aldeias, escolas, assentamentos, etc, visando conscientizar a população da importância das nossas atividades.

Em relação aos selos de certificação para laticínios e frigoríficos, qual é abrangência e o papel da Adapec na emissão dos mesmos?
Na condição de Agência, emitimos o Sistema de Inspeção Estadual (SIE), que permite ao produtor vender seus produtos em todas as cidades do Estado do Tocantins. Neste primeiro semestre, aderimos ao Sistema Brasileiro de Inspeção de Produtos de Origem Animal (Sisbi). Conseguimos a equivalência federal e, assim, o empresário/produtor que aderir poderá comercializar seus produtos em todo o território nacional. Isso amplia o mercado, além de gerar mais emprego e renda.

Já o Sistema de Inspeção Federal (SIF) é a certificação, em âmbito nacional, para exportações. Todas as inspeções são realizadas pelo governo federal e, algumas vezes, fazemos parcerias para levar a efeito as verificações, contudo, são exigências mais profundas e, geralmente, os técnicos federais se deslocam até os estabelecimentos para vistoriá-los e certificá-los.

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