Embora a economia de Goiás seja lembrada pela força do agronegócio, o Produto Interno Bruto (PIB) conta com maior participação do comércio e da indústria. De acordo com dados do Instituto Mauro Borges (IMB), a composição de todas as riquezas produzidas no Estado em 2019 (pré-Covid-19) se dividiu da seguinte maneira: serviços, 67,4%; indústria, 21,2%; e agropecuária, 11,4%. Diretamente, a atividade industrial desempenha uma função sobre o comércio. Apesar do desafio do país frente à desindustrialização, essa atividade no mundo corre aceleradamente para a chamada Quarta Revolução Industrial ou, simplesmente, a Indústria 4.0, quando a maioria dos processos fabris são automatizados. Isto é, controlada por robôs. Para isso, a capacitação de mãos de obras será essencial para o Brasil nesta nova fase de produção. No Estado, o Serviço Social da Indústria (SESI) tem desempenhado, por meio da Educação básica, uma transformação no quesito inovação tecnológica, o que pode garantir produtividade e competitividade de alto nível para a indústria goiana.

Assim como no Brasil, a industrialização de Goiás foi tardia, como cita o pesquisador Reinaldo Fonseca, no seu estudo “A industrialização de Goiás: um caso de sucesso”, os registros das primeiras indústrias de porte foram datados apenas na década de 1940. Para se ter ideia, de 1949 a 1958 o PIB goiano era formado por 57,6% da agricultura; 34,2% de serviços; e apenas 8,2% da indústria. Na década de 2003 a 2013, conforme dados do IMB, o PIB industrial de Goiás superou a média da evolução brasileira. Os melhores resultados foram em 2003 (4,5 contra 0,05); 2010 (17,13 contra 10,44); 2011 (6,80 contra 0,35); 2012 (3,83 contra -2,68); e 2013 (5,66 contra 2,26). Confira a tabela completa.

PIB industrial de Goiás de 2003 e 2013 | Tabela: divulgação/CNI
PIB industrial de Goiás de 2003 e 2013 | Tabela: divulgação/CNI

No entanto, nos últimos anos, acentuado pela crise da pandemia de Covid-19, houve recuo na industrialização brasileira e, consequentemente, de Goiás. Já na última década, após três aumentos consecutivos do ano anterior, visto como sinal de retomada, no pós-crise sanitária, porém a tendência de crescimento não se manteve no início deste ano. O declínio foi o terceiro pior resultado entre as áreas pesquisadas, que superou apenas Mato Grosso (-4,9%) e Rio Grande do Sul (-6,9%). A nível nacional, o aumento foi de 0,2%. A queda foi notavelmente influenciada pela redução na fabricação de produtos alimentícios, produtos químicos e de confecção. Especificamente, houve um declínio na produção de óleo de soja, desodorantes corporais e vestuário de malha. Isso indica que a retração na produção industrial de Goiás afetou vários setores. Por outro lado, a fabricação de medicamentos e maquinário apresentou os maiores aumentos.

Sandro Mabel é presidente da Fieg | Foto: divulgação/Fieg
Sandro Mabel é presidente da Fieg | Foto: divulgação/Fieg

Então, o menino, ao invés de querer ir embora da escola, ele se interessa em aprender, ter uma profissão e conseguir um emprego.

Sandro Mabel, presidente da Fieg

A economista da Federação das Indústrias do Estado de Goiás (Fieg), Januária Guedes, pontua que essa situação tem tudo a ver com o momento político e econômico interno, que traz certa apreensão, além das perspectivas de retração da economia mundial. Para ela, essa estabilidade acaba por desestimular investimentos e resulta no recuo da produção que tem sido observada. Nacionalmente, todavia, a indústria tem patinado na estagnação. “Na verdade, desde a crise econômica de 2015-2016 a economia não conseguiu consolidar uma recuperação. Ainda assim, espera-se um segundo semestre com resultados melhores, após a turbulência inicial da troca de governo no âmbito federal e a consolidação das propostas e ações que a nova equipe começa a desenhar”, observa.

Quedas na produção indústrial nos últimos anos | Gráfico: divulgação/CNI
Quedas na produção indústrial nos últimos anos | Gráfico: divulgação/CNI

Na mesma linha, o economista da Fieg, Renato da Fonseca, elenca mais outras preocupações entre os industriais, que resultam em baixa confiança. Dentre os quais: o processo de desindustrialização, o baixo crescimento econômico, o desequilíbrio fiscal, a inflação e os juros elevados. Esses são apontados como pontos cruciais para a retomada da produção industrial. Ele ressalta que nos últimos 15 anos, enquanto a indústria brasileira diminuiu em média 1,3% ao ano, o agronegócio acumulou uma média de crescimento superior a 2% ao ano no mesmo período. “A indústria de transformação brasileira está perdendo espaço tanto no PIB nacional, como na produção mundial e a pauta de exportação do Brasil está se ‘primarizando’ ou ‘commoditizando’”, destacou, durante palestra na Casa da Indústria, em Goiânia.

O especialista chama a atenção da necessidade de o governo federal estimular a economia via investimentos para aumentar a confiança empresarial. Outra questão é em relação à Educação. Fonseca lamentou a decisão de se suspender o cronograma de implementação da reforma do ensino médio. A iniciativa buscava ampliar a carga horária e incluir profissionalização optativa no currículo escolar, com o objetivo de promover a formação técnica dos estudantes. Isso, segundo o economista, teve impacto direto na política de profissionalização dos jovens, especialmente à luz de indicadores que revelam que aproximadamente 80% dos graduados do ensino médio não prosseguem seus estudos na universidade. “São jovens que terminam a educação básica sem a perspectiva de ter uma profissão. Temos a experiência do Senai, que comprova a importância dessa formação técnica e exemplos em todo mundo de países que investem na formação técnica, como forma de incentivar o desenvolvimento social e econômico”, enfatizou. Mas, neste segundo semestre, o setor industrial em Goiás tem demostrado recuperação. Os dados da Pesquisa Industrial Mensal (PIM), divulgados, na terça-feira, 10, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), registraram crescimento de 5,6% em agosto deste ano, em comparação com o mesmo mês de 2022. Isso colocou o Estado com a 7ª maior alta no país.

Nesse cenário, a indústria brasileira começa a mirar na Indústria 4.0. Prova disso é que em 2022, esse mercado alcançou a marca de US$ 1,77 bilhão, um aumento de 18,8% entre 2017 e 2022. Agora, a perspectiva é atingir US$ 5,62 bilhões até 2028, o que representará crescimento anual composto de 21% no período entre 2023 e 2028. As projeções se baseiam nos dados analisados ​​no estudo “Monitor da Indústria 4.0”, realizado pela International Market Analysis Research and Consulting (IMARC), e examinado pelo Observatório Nacional da Indústria, da Confederação Nacional da Indústria (CNI). Chegar a esse nível de desenvolvimento se tornou uma oportunidade significativa para o setor industrial aumentar sua contribuição para o PIB brasileiro e consolidar sua posição no cenário global de produção. É que a indústria 4.0 desempenha um papel fundamental no progresso econômico ao adotar inovações e avanços tecnológicos, ao integrar tecnologias digitais que otimizam processos produtivos, bem como a interação com clientes e fornecedores. Essa integração de automação, sistemas digitais e maior conectividade entre máquinas tem o potencial de aprimorar a eficiência, tornar a produção mais inteligente, reduzir custos e prevenir falhas.

No mundo, conforme o IMARC, entre 2017 e 2022, os setores automatizados foram petróleo e gás (18,4%), alimentos e bebidas (15,2%) e energia e serviços públicos (14,2%). No que diz respeito à participação global nesse mercado, o estudo revela que a Europa é a principal responsável, com 34,1%, seguida pelos Estados Unidos e Canadá. A América Latina tem uma representação de apenas 7,2%. Globalmente, a expectativa da pesquisa é que esse mercado cresça aproximadamente 145%, até 2028. Veja no mapa:

A automação industrial no mundo | Imagem: divulgação/CNI
A automação industrial no mundo | Imagem: divulgação/CNI

Nessa visão, a qualificação educacional é primordial para o sucesso da Indústria 4.0 no Brasil. E é nisso que a Fieg, Sesi e Senai em Goiás têm apostado. Até 2026, o sistema planeja investir quase R$ 1 bilhão na modernização do ensino, com ampliação de unidades e na construção de novas escolas. “Então, essa meninada vai ter uma experiência assim, porque nunca teriam na vida a chance de aprender isso tudo. E para isso é necessário muito investimentos. Porque para se construir um robô competitivo, para tornar os meninos competitivos, tem que ter bons professores, tem que ter a matéria-prima de construção do robô. Os equipamentos têm que ser tudo de última geração, é o que nós estamos fazendo”, revelou ao Jornal Opção, o presidente da Fieg, Sandro Mabel. O líder industrial antecipa a construção de novas escolas e parcerias do modelo educativo com os municípios goianos. “Estamos fazendo uma [unidade] em Luziânia, muito grande também; vamos fazer em Goianésia. Tudo para pegar essa garotada. Além disso, nós também começamos a assumir a administração de escolas municipais, onde a gente leva robótica, ou seja, informática, para cidades onde nunca teriam essa dimensão. A gente leva o Sesi inteiro lá para dentro da cidade e essas escolas tomam uma outra dimensão no estudo. Então, o menino, ao invés de querer ir embora da escola, ele se interessa em aprender, ter uma profissão e conseguir um emprego. Esse é o caminho que nós buscamos. É uma carreira, é uma profissão que ele já sai do Sesi com uma formação profissionalizante, sai técnico”, ressalta. 

Premiações de robóticas do Sesi Goiás

Mencionado por Mabel, o caso de sucesso do Sesi no Estado está voltado para a inovação tecnológica, com a criação de robôs autônomos, que, neste ano, rendeu inúmeros prêmios nacionais e participação em três mundiais de robótica para os estudantes. Os destaques foram: Houston (EUA), Marrocos e Singapura. Antes os alunos se consagraram no ‘Festival Nacional de Robótica’, disputado na Arena BRB Mané Garrincha, em Brasília, no mês de março deste ano. Ao todo, a delegação goiana é formada por 117 estudantes da Capital, Anápolis e Catalão.

“Em todas as apresentações e avaliações recebemos elogios. Em colocação ficamos em 27º lugar de 68 equipes. Fomos indicados a um prêmio (troca de bico mais rápido), que ficamos em 3º lugar”,

Junio Rodrigues de Souza, professor do Sesi, sobre a participação no Mundial de Singapura

Na categoria First Tech Challenge, uma das quatro modalidades em disputa no evento, onde participaram mais de 55 equipes e 490 alunos, o time Justice FTC Team, do Sesi Planalto, conquistou o primeiro lugar no Prêmio Inspiração e garantiu uma vaga no Torneio Mundial de Robótica em Houston, no Texas (EUA). Lá, em abril deste ano, a equipe de nove alunos terminou em segundo lugar, com a criação do robô “Wayne”, inspirado no Batman. Fernando Barbosa, um dos professores da turma, disse que foram quase uma década de tentativas para participar do torneio. Ele comemorou o desempenho e a conquista do primeiro prêmio deste nível para o Estado.  

Equipe Justice FTC TeamK: aroline Ceciliano, Daniel Padula, Samuel Padula, Ana Gabriella de Melo, Heloiza Rodrigues, Ana Carolina Mariano, Jean Alves, Juan Alves e Ana Beatriz Araújo
Equipe Justice FTC TeamK: aroline Ceciliano, Daniel Padula, Samuel Padula, Ana Gabriella de Melo, Heloiza Rodrigues, Ana Carolina Mariano, Jean Alves, Juan Alves e Ana Beatriz Araújo

Na boa fase, no First Lego League Open International, realizado na cidade de Marrakech, no Marrocos, em maio deste ano, os estudantes do Sesi Campinas subiram ao pódio em primeiro lugar geral no Champions Awards, que é o prêmio principal da competição. Além dessa premiação, garantiram o terceiro lugar no quesito desempenho do robô. Cabe frisar que a equipe Robotic Engineers, formada por oito alunos, foi a única a representar o Brasil no torneio que contou com 66 equipes de mais de 50 países.

A última competição dos alunos do Sesi Goiás ocorreu em Singapura, do dia 8 a 13 do mês passado (setembro). O mundial reuniu estudantes de 191 nações. Na delegação brasileira foram seis alunos goianos, que se tornaram os pioneiros dessa experiência. “Em todas as apresentações e avaliações recebemos elogios. Em colocação ficamos em 27º lugar de 68 equipes. Fomos indicados a um prêmio (troca de bico mais rápido), que ficamos em 3º lugar”, enfatizou o professor Junio Rodrigues de Souza, que acompanhou a equipe até o outro lado do planeta. Para o docente, a participação inédita proporcionou trocas de experiência e intercâmbio cultural com 64 países. “Receber visita de outras equipes no nosso ‘Pit’, olhando detalhes e buscando informações foi muito bom. Representar o estado de Goiás foi gratificante. Literalmente isso ficará na história de cada um deles [alunos]”, celebrou.

“Em Singapura não tivemos um resultado tão bom quanto nós tivemos em Houston, mas nós tivemos uma participação muito importante diante de muitos países”, festejou Sandro Mabel. “Só participam desse mundial craque como Coreia do Sul e Japão”, arrematou.  

Goianos desenvolvem ‘chiclete’ para astronautas

Oficialmente, as competições de robótica realizadas pelo Sesi no Brasil são com alunos do ensino fundamental até o médio, que têm oportunidades de conceber produtos e equipamentos inovadores para a indústria, comércio e para o dia a dia das pessoas. O exemplo mais sofisticado que rendeu reconhecimento internacional beneficiou os astronautas em órbita da Terra. Durante uma competição nos EUA, a equipe goiana apresentou um projeto inovador – um chiclete desenvolvido para cosmonautas. Durante suas pesquisas sobre o tema da temporada, “Into Orbit” (Em Órbita), eles descobriram que os astronautas enfrentam problemas nas vias aéreas devido à falta de gravidade, o que afetava sua capacidade de sentir o sabor dos alimentos.

Para solucionar esse problema, os astronautas usam medicamentos para desobstruir as vias nasais. No entanto, o uso contínuo desses medicamentos pode causar dependência e problemas de saúde. Assim, os goianos projetaram uma solução: a goma de mascar feita com componentes de pimenta para aliviar o congestionamento nasal e permitir que se tenha sabor dos alimentos mesmo no espaço.

Nessa temporada de robótica, 2018/2019, o Sesi Goiás conquistou o primeiro lugar geral no ‘Aberto de Robótica de West Virginia’, nos Estados Unidos. A equipe Gametech Canaã superou 70 equipes, que representavam 12 países. O Brasil ficou com o segundo lugar na categoria ‘Desafio do Robô’. A dobradinha brasileira no pódio foi ocupada pelos alunos do Sesi do Distrito Federal, que competiram sob o nome ‘Lego of Olympus’. Mas os brasileiros não pararam por aí, a equipe ‘Tecnorob Evolution’, do SESI de Brusque (SC), conquistou o segundo lugar na categoria ‘Design Mecânico do Robô’.

Transição para a Indústria 4.0

A indústria brasileira passou por uma transformação digital significativa nos últimos cinco anos. Enquanto em 2016, menos da metade (48%) das empresas utilizavam alguma forma de tecnologia digital nas operações, em 2021 esse número aumentou para 69%, conforme revelado pela Sondagem Especial Indústria 4.0 da CNI, divulgado no ano passado. Esse estudo, conduzido com mais de mil empresas, examinou o progresso da adoção de tecnologias para a automação industrial, que inclui a digitalização de processos para integrar todas as etapas da cadeia de valor, desde o desenvolvimento do produto até o uso final.

A pesquisa compreende a adoção de 18 tipos de tecnologias digitais por parte das empresas e como essas tecnologias são usadas em várias fases da cadeia produtiva (em 2016, eram 10 tecnologias específicas). Entre os principais benefícios reconhecidos dessa adoção de tecnologias digitais estão o aumento da produtividade, a melhoria da qualidade dos produtos e a redução dos custos de produção.

Entretanto, a pesquisa constatou que muitas empresas estão em estágios iniciais de digitalização. Conforme os dados, a maioria delas utilizam apenas algumas tecnologias digitais. Isto é, 31% das companhias não adotaram nenhuma das 18 tecnologias digitais listadas; 26% usam de uma a três; e apenas 7% implementam 10 ou mais dessas tecnologias.

A gerente de Política Industrial da CNI, Samantha Cunha, acentua que a falta de conhecimento sobre essas tecnologias se tornou um obstáculo que precisa ser superado. O baixo número de tecnologias digitais adotadas não apenas precisa aumentar, mas também de serem integradas para maximizar os benefícios do novo conceito industrial. Outra questão está relacionada ao alto custo de implementação. Posto que as empresas industriais consideram o custo de implantação uma grande barreira interna, a pesquisa demonstra que há falta de linhas de financiamento pelo governo.

Outro desafio significativo é a falta de profissionais especializados. Esse item foi mencionado por 37% das empresas; seguido pela dificuldade de identificar tecnologias e parceiros (33%); e o fato de o mercado não estar preparado (29%). Por outro lado, a automação digital com sensores para controle de processos permanece a tecnologia digital mais amplamente utilizada nas indústrias brasileiras. 

Complexidade da tecnologia

O setor automotivo se destaca como o que adota uma maior variedade de tecnologias digitais. Cerca de 35% das empresas nesse setor utilizam pelo menos sete tecnologias digitais, enquanto em outros setores esse percentual é significativamente menor. Com a automação, 77% das empresas indicaram que buscam aumentar a produtividade como principal benefício das tecnologias digitais.

Apesar disso, o Brasil se destaca como um dos países mais propensos a adotar tecnologias da Indústria 4.0 nos próximos cinco anos, mas enfrentará um desafio significativo em relação à deficiência de profissionais especializados nessa área. Segundo uma pesquisa conduzida pelo Gi Group, uma empresa global de recursos humanos e terceirização de serviços gerenciados, 88% das empresas brasileiras consultadas no setor relatam dificuldades em encontrar trabalhadores capacitados. Esse índice é superior à média global, que ficou em 66%.

Desafios da transição da indústria para a automação dos processos | Foto: divulgação/Senai
Desafios da transição da indústria para a automação dos processos | Foto: divulgação/Senai

O relatório, intitulado “Tendências Globais de Recursos Humanos no Setor de Manufatura – 2023”, é resultado de uma pesquisa realizada pelo Instituto Piepoli, um instituto de pesquisa de marketing independente. O estudo contou com a participação de 240 tomadores de decisão e incluiu gerentes de RH, gerentes de fábrica e gerentes de produção de empresas do setor de indústria de transformação em seis países (Brasil, China, Alemanha, Itália, Polônia e Reino Unido). Os dados foram complementados por uma análise documental realizada pela empresa de gerenciamento de dados INTWIG.

Nesse sentido, a deficiência de mão de obra especializada é a principal preocupação do setor de manufatura. No estudo, 66% das empresas citaram enfrentar algum tipo de dificuldade em encontrar profissionais treinados. Essa falta de mão de obra é amplamente atribuída à falta de habilidades alcançadas. Isso exige investimentos e incentivos aos atuais e futuros operadores de equipamentos para adquirir novas habilidades tecnológicas e lidar com as tecnologias da Indústria 4.0. 

No Brasil, a falta de profissionais no nível operacional foi apontada como a segunda maior dificuldade para a implementação de novas tecnologias 4.0. Esse déficit foi indicado por 50% dos entrevistados. Em primeiro lugar, a questão do custo dos equipamentos foi mencionada por 65%. Por conseguinte, globalmente, 43% das empresas enfrentam dificuldades relacionadas à falta de recursos humanos adequados às demandas da Indústria 4.0, enquanto para 56% o entrave são os custos.

A automação, juntamente com a sustentabilidade, é uma das principais tendências que impulsiona a indústria de transformação em todo o mundo. De acordo com o relatório, 84% das empresas nos seis países pesquisados ​​já sinalizam para adoção de ferramentas de transformação digital. No Brasil, esse percentual é ainda mais alto (85%).

Posto que a opinião comum de que a automação segue para a eliminação de muitos empregos humanos, 44% das empresas no Brasil acreditam que a força de trabalho continuará sendo crucial no futuro. Além disso, um terço (33%) prevê a criação de novos empregos decorrentes da automação, ao mesmo tempo que 31% acreditam que os trabalhadores serão realocados em novos empregos.

O relatório também inclui 70% dos entrevistados no Brasil que acreditam que a demanda por perfis profissionais específicos mudará profundamente nos próximos anos, à medida que o setor de produção evolui. Entre as funções operacionais mais procuradas, destacam-se operador de produção, técnico de processo, operador de máquinas e dispositivos, controlador de qualidade e trabalhador de laboratório. Já as funções especializadas mais solicitadas incluem gestor de projeto, planejador de suprimentos, gerente de garantia de qualidade, planejador de produção e gerente de logística.

Carlos Henrique Martins Tonnus, presidente da Gi Group Holding no Brasil, evidencia que o setor de produção oferece uma ampla gama de oportunidades de carreira, tanto para profissionais operacionais quanto para gestores. Ele destaca a importância da formação contínua para garantir que os profissionais atendam às demandas da Indústria 4.0 e permaneçam competitivos.

À primeira vista, os robôs parecem ser uma brincadeira de adolescentes, mas há muita dedicação e aprendizado. Isso tudo se torna bastante útil para a modernização das indústrias goianas e brasileiras, por meio da automação robótica. Nesse sentido, toda essa produção tecnológica premiada deve levar esta geração a transmutar as atividades econômicas e superar o que o economista Renato da Fonseca chamou de ‘primarizando’ ou ‘commoditizando’ a pauta de exportação brasileira. A Quarta Revolucionária Industrial já faz parte do cotidiano com a internet das coisas. Essa é uma realidade em que Goiás não poderá ingressar tardiamente, pois se mostra com potência para competir de igual com outros países.

Delegação goiana de robótica em Singapura | Foto: divulgação/Fieg
Delegação goiana de robótica em Singapura: Giovanna Castro, Kamille Ceciliano, Miguel Mello, Guilherme Albuquerque, Guilherme Leonardo e Gustavo Martins (equipe Mach One Planalto) | Foto: divulgação/Fieg
Estudantes do Sesi
Goiás celebram vitórias
no Festival Nacional de
Robótica, em Brasília | Foto: divulgação/Sesi Goiás
Estudantes do Sesi Goiás celebram vitória no Festival Nacional de Robótica, em Brasília
| Foto: divulgação/Sesi Goiás/Alex Malheiros
Paulo Vargas e Sandro Mabel recebem os campeões Guilherme Lima e Ana Gabriella de Mello, o professor Fernando Barbosa e o diretor do Sesi Planalto, Rogério Viana, da delegação goiana de robótica | Foto: divulgação/Fieg
Paulo Vargas e Sandro Mabel recebem os campeões Guilherme Lima e Ana Gabriella de Mello, o professor Fernando Barbosa e o diretor do Sesi Planalto, Rogério Viana, da delegação goiana de robótica | Foto: divulgação/Fieg

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