O Centro de Excelência em Inteligência Artificial (CEIA) é um projeto pioneiro, criado em 2019, pela Universidade Federal de Goiás (UFG) com objetivo de desenvolver soluções por meio do uso de dados e da Inteligência Artificial.

O Centro, que atua em parceria com o Governo do Estado e com a iniciativa privada, já alcançou mais 152 milhões de pessoas em todo o país, segundo o diretor do projeto, Arlindo Galvão. “Então, já tem mais de 70% da população brasileira, de algum modo, utilizando as nossas soluções”, disse em reportagem ao Jornal Opção.

Arlindo relata que o CEIA atua com soluções para empresas já consolidadas e conhecidas no mercado, como iFood, Banco Itaú e a Rede Globo. “Por exemplo, quase todos os clientes em recuperação de crédito utilizam uma solução nossa. Então, a gente já está na vida das pessoas já há algum tempo e por isso esse alcance”, relata.

Atuação nacional e sua expansão

Embora o CEIA tenha nascido no coração do Brasil, o impacto do Centro rompeu as fronteiras de Goiás. Atualmente, o projeto gerencia 72 contratos ativos que abrangem todas as regiões do país e se estendem ao mercado internacional, atendendo gigantes como a Vivo, WEG e Flextronics. Segundo Arlindo, o Centro atende empresas que figuram entre as dez melhores do mundo em robótica autônoma graças ao suporte tecnológico do CEIA.

O grande diferencial do projeto é a união entre o rigor acadêmico e a aplicação prática nas indústrias, tendo como pilar central a formação de especialistas. “Nossa missão é aplicar a ciência e tudo que há de ponta na inovação, considerando a maestria acadêmica, mas aplicar toda essa tecnologia nas indústrias e a capacitação de pessoas”, explica.

Essa aplicação se reflete em projetos que vão desde o setor elétrico, como o “Energy GPT” em parceria com a CEMIG, até a gestão de políticas públicas para reduzir a evasão escolar e facilitar o acesso do cidadão a serviços governamentais, como o Portal Expresso em Goiás.

Na tecnologia, o CEIA também trabalha com “IA física”, treinando robôs humanoides e quadrúpedes para auxiliar idosos ou realizar tarefas de alto risco para seres humanos.

Com um corpo docente e técnico de 1.100 pesquisadores e um investimento que já ultrapassa a marca de R$ 500 milhões em Pesquisa e Desenvolvimento (P&D), o CEIA agora mira parcerias com Big Techs como Google, Meta e NVIDIA.

Segundo o diretor, o objetivo é transformar o Brasil de consumidor em produtor de tecnologia de ponta. “O CEIA é uma pérola goiana. Nasceu em Goiás e conseguiu construir o maior ecossistema não só acadêmico, mas empreendedor disso, em um Estado que não era visto sob essa perspectiva”, afirma.

O próximo passo dessa jornada é transformar a capital goiana em uma referência internacional de inovação. “Estamos com uma proposta de tornar Goiânia o distrito da IA e da inovação, uma ‘New Austin’, colocando todos os principais players de IA fisicamente na cidade. Isso é extremamente inovador. Nenhum outro Estado no Brasil fez algo nessa proporção”, projeta o diretor.

Leia também: Goiás ficou em média 12h sem energia em 2025 e resultado coloca Equatorial em penúltimo lugar no ranking da Aneel